Justiça espanhola arquiva processo contra Neymar; DIS apelará de decisão

Bruno Thadeu

Do UOL, em São Paulo

  • Juan Medina/Reuters

O juiz José de la Mata, responsável por analisar o processo iniciado pela DIS contra Neymar na Audiência Nacional espanhola, decidiu na quinta que irá arquivar o processo criminal contra o astro do Barcelona e seu pai por supostos delitos e corrupções cometidas na transferência do atacante para o clube catalão.

Ao UOL Esporte, o diretor da DIS, Roberto Moreno, informou que o fundo de investimento apelará na Justiça contra decisão.

O processo criminal teve início após pedido feito pela DIS, que se considerou lesada com a transferência e abriu uma queixa-crime junto ao órgão federal em Madri.

A promotoria espanhola colocou como réus no caso os dirigentes do Barcelona, Josep María Bartomeu e Sandro Rosell, os pais do atacante, Neymar e Nadine, os ex-dirigentes santistas, Luis Álvaro de Oliveira e Odílio Rodrigues, além de Barcelona e Santos como pessoas jurídicas.

Conforme decidiu a Justiça espanhola, a família de Neymar não cometeu crime ao negociar com o Barcelona pelo menos dois anos antes do acerto definitivo (em 2013). Isso porque o então presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira, assinou um documento autorizando a família do jogador a negociar com o clube espanhol.

O Tribunal, portanto, considerou que havia consentimento do Santos quanto aos contatos feitos por Neymar e Barcelona durante todo o processo.

Por essa razão, o processo na esfera criminal foi arquivado. No entanto, o Tribunal espanhol manteve o processo na esfera cível movido pela DIS por conta da incompatibilidade nos valores envolvidos na transação.

"A DIS vai apelar. Entendemos que o juiz se equivocou em afastar o processo criminal, porque há diversas contradições na decisão. Mas isso não afastou o caso na esfera cível, direcionado à cobrança financeira, que segue na Justiça", declarou Roberto Moreno.  

Durante o processo em Madri, o atleta chegou a se apresentar, ao lado de seu pai, para prestar depoimento e fornecer detalhes da negociação com o Barcelona. O caso, que foi chamado de "Neymar 2", foi aberto após uma denúncia apresentada pelo grupo DIS, que cobrava 40% de todos os valores pagos pelo Santos ao Barcelona na transferência do atleta.

A reportagem entrou em contato nesta sexta-feira de manhã com a assessoria de comunicação de Neymar e aguarda um posicionamento.

No Barcelona, o clima em relação ao assunto era de otimismo. Diretores do clube esperavam que o caso fosse arquivado após o acordo firmado com o fisco espanhol em relação ao "caso Neymar 1". A equipe já havia admitido os delitos fiscais cometidos entre 2011 e 2013 e aceitado pagar uma multa de 5.5 milhões de euros (R$ 20.5 milhões) para cobrir as irregularidades. O acordo também encerrou a possibilidade de Josep María Bartomeu, atual presidente do clube, e Sandro Rosell, mandatário quando Neymar foi contratado, de serem presos pelas infrações.

O acordo firmado com o fisco ainda reconhecia que as quantidades pagas ao Santos correspondiam à contratação do jogador, e não a comissões pela transferência. Desta forma, a DIS teria ficado sem argumentos para comprovar que teria direito a receber parte dos valores pagos pelo atleta. 

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