Romero mira marca de Guerrero e diz: "Foi importante a vinda do Cristóvão"

Vinicius Bacelar

Especial para o UOL, em São Paulo

  • Rubens Cavallari-3.jul.2016/Folhapress

Artilheiro do Corinthians na temporada com 13 gols, o atacante paraguaio Angel Romero, de 24 anos, virou titular após a chegada do técnico Cristóvão Borges e vive seu melhor momento no clube, tanto que recuou e descarta ser negociado por enquanto.

Ainda mais agora que está a um gol de igualar Paolo Guerrero como o maior goleador da Arena Corinthians. O peruano marcou 15 vezes, todas atuando pelo time paulista, enquanto o paraguaio fez 14 gols em Itaquera.

Porém, mesmo feliz na equipe alvinegra, o atacante, que tem contrato até 2019, afirmou que foi melhor para seu irmão gêmeo, Oscar Romero, atualmente no Racing, da Argentina, não acertar com o Corinthians, que hoje é o vice-líder do Brasileiro, três pontos atrás do Palmeiras.

Na entrevista, além de falar sobre seu irmão, o atleta, confirmado para o duelo contra a Chapecoense, às 16h30 desse sábado (9), na Arena Condá, em Chapecó (SC), também comentou o retorno de Pato, a relação com Tite, o difícil ano de 2015 e a vontade que tinha em sair.

/Paulo Whitaker-22.nov.2015/Reuters
Romero comemora gol sobre o São Paulo com Tite


Por mais que o Tite não tenha me dado esta oportunidade que eu queria, eu aprendi bastante com ele"

Quando você chegou ao Corinthians, imaginou que pudesse ser o recordista de gols da Arena?

Não. Na verdade, não imaginei não.  Mas sempre trato de fazer meu trabalho. Agora que estou mais perto... Estou a um gol de alcançar...Vou me esforçar mais para conseguir os 15 ou 16 gols para ficar na história do Corinthians.

Você teme perder a posição com a chegada do Pato?

Não. Não tive a oportunidade de trabalhar com ele. Quando cheguei, ele foi embora. Então a gente tá se conhecendo aqui. Não sei a história que ele tem aqui no Corinthians, mas todo mundo sabe a qualidade dele dentro de campo. É um jogador que tem muita qualidade. Se ele ficar, vai ajudar muito o Corinthians. Ele é gente boa.

Meu irmão está jogando, está na seleção e não sei se ele viesse aqui para o Corinthians teria a oportunidade que ele tem em outro time.

Daniel Oliveira/Estadão Conteúdo
Romero e o técnico Cristóvão Borges

Você virou titular com o Cristóvão. O que mudou com a chegada dele?

Foi importante a chegada do Cristóvão. Ano passado foi difícil para mim. Não tive sequência de jogos que precisava, mas sempre trabalhando, esperando, porque sabia que chegaria esta oportunidade.  Então agora chegou, quero aproveitar a oportunidade e, graças a Deus, estou fazendo gol e estou jogando.

E por que você acha que não teve oportunidade?

Por causa da qualidade do elenco. Quando cheguei tinha Sheik, tinha Guerrero, jogadores com qualidade. Minha adaptação a São Paulo também influenciou muito. Tudo isso colaborou para que eu não tivesse essa sequência que eu queria, mas aprendi muito. Aprendi com o Tite também. Com os companheiros que sempre me falavam para crescer aqui no Corinthians. Então agora chegou a oportunidade, estou feliz porque estou adaptado ao país e à cidade também e quero aproveitar.

Você disse que aprendeu muito com o Tite, mas não teve muitas oportunidades com ele. Chegou a ficar magoado com ele?

Não, não. Acho que ele foi um dos caras que me ajudou bastante. Por mais que ele não tenha me dado esta oportunidade que eu queria, eu aprendi bastante com ele. Não só como jogador, mas também como pessoa.  Ele me ajudou bastante. Aprendi a sempre acreditar e nunca parar de lutar. Sempre ele falava isso para mim. Então sempre vou ser agradecido ao Tite, que é um cara que não só eu, mas todo mundo, fala que ele é um cara legal e que você aprende muito com ele.

Ano passado foi difícil para mim. Não tive sequência de jogos que precisava"

Houve um tempo em que se falava muito sobre o seu irmão também jogar no Corinthians e ele foi para o Racing. O que aconteceu?

Foi melhor para ele não ter vindo aqui para o Corinthians.  Porque ele foi para o Racing e está jogando muito.  Teve esta oportunidade que ele precisava também de fazer uma experiência fora do nosso país. Então fiquei feliz porque ele está jogando, está na seleção e não sei se ele viesse aqui para o Corinthians teria a oportunidade que ele tem em outro time. Mas eu estou aqui, estou trabalhando aqui e a cada dia me esforçando.   Quando cheguei, pensei que seria bom para a minha família ter os dois irmãos jogando juntos em clube grande como o Corinthians, mas saiu a negociação com o Racing, fiquei feliz por ele porque é um time também grande da Argentina e ele merece esta oportunidade também.  Fico feliz porque ele está jogando, está na seleção e a família está contente com ele.

Você acha que a sua adaptação seria mais fácil se ele viesse para cá também?

Não sei. Porque nunca sabe isso, né? Se ele tivesse a oportunidade de vir para o Corinthians, não sei a gente jogaria juntos, se a gente seria titular ou reserva.

Mas a adaptação à vida na cidade...

Isso sim.  Isso favoreceria muito porque a gente sempre jogou juntos e é outra coisa você ter um irmão aqui, jogando junto num clube como o Corinthians, na adaptação ajudaria bastante.

Você pensa em cumprir o contrato até o final?

Estou focado no Corinthians. Em seis meses, um ano não sei o que pode acontecer. Também falei antes...Agora em junho falei que iria embora. Então a coisa não foi assim...Fiquei. Acabei ficando e estou jogando. Então nunca se sabe o que vai acontecer com a gente, então eu quero só viver este momento, desfrutar e ficar feliz por estar em um time grande como titular. Hoje minha vontade é ficar.

O que você pensa em relação à seleção paraguaia? Tem expectativa de ser convocado com frequência para as eliminatórias? Ou até, quem sabe, jogar a Copa do Mundo em 2018?

Minha ideia é essa, voltar para a seleção. E se você joga em um time como o Corinthians, não tem como não ser convocado.  A diferença é que no ano passado, eu não estava jogando e agora estou jogando e tenho mais possibilidade de voltar para a seleção. Tenho um sonho de voltar e jogar com meu irmão na seleção. É um sonho que tem a família, que temos nós também de jogar pela seleção do Paraguai juntos. Então vou trabalhar aqui, tranquilo, fazendo grandes jogos e acho que não tem como você ficar fora se fizer gols e estiver jogando aqui em time grande.

Você é tietado ou cobrado quando sai pelas ruas de São Paulo?

Sempre que vou a um restaurante ou shopping, os torcedores sempre pedem foto para mim e falam coisas boas para mim, para que eu tenha sucesso aqui no Corinthians, que possa fazer mais gols. Então fico feliz porque a torcida está gostando do meu trabalho e agora está valorizando meu trabalho.

Quando você não está treinando e nem jogando, o que você gosta de fazer aqui em São Paulo?

Trato de ficar com a família que aqui é só a minha noiva (Gabriela, 24 anos). Vou ao cinema, shopping, restaurante. Agora que veio um parceiro para mim, que é o Balbuena, a gente sai também para ir a restaurante, shopping...para pescaria também...ele gosta muito.  Eu não gosto.  Só acompanho.

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