Tite se decepcionou com ato de Guardiola e hoje só se inspira em Ancelotti

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Lucas Figueiredo / MoWA Press

Os três treinadores de maior expressão do futebol europeu na atualidade mudaram de banco de reservas. Mas, entre Pep Guardiola (Manchester City-ING), José Mourinho (Manchester United-ING) e Carlo Ancelotti (Bayern de Munique-ALE), Tite, que também está em novo emprego, só tem uma referência em praticamente todas as escalas do trabalho. 

O irmão Miro Bachi e o auxiliar Cléber Xavier relatam que para Tite, que trocou o Corinthians pela seleção brasileira no mês passado, Ancelotti é o principal exemplo entre as maiores estrelas da Europa. E um dos responsáveis por essa aproximação foi justamente um jogador que está cotado para voltar à seleção. 

À beira do gramado durante um treinamento do Real Madrid em 2014, Marcelo insistiu para que Tite se aproximasse mais do campo. Ele havia sido convidado para Carlo Ancelotti, cujo acompanhamento do trabalho encantou o treinador brasileiro. Seja pela discrição, pela forma de tratar os funcionários e unir todos na conquista da Liga dos Campeões, pelo conhecimento de sistemas como o 4-1-4-1, que implantou no Corinthians campeão nacional de 2015. Foi ele, Ancelotti, que virou referência para Tite. 

"Ele viu coisas que aproximam o treinador do jogador, o respeito, a igualdade com o atleta mesmo se está jogando ou não", explica o irmão Miro Bachi. "Em campo, é a posse de bola, a triangulação, ele se molda ao time que tem. No Real Madrid, tinha o contra-ataque muito rápido com Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema. Se adaptou aos jogadores", descreve Miro. "Para o conceito do Tite, o Ancelotti é mais equilibrado", resume o auxiliar Cléber Xavier. 

Uma decisão de Guardiola decepcionou Tite

Jose Jordan/AFP

Sem trabalhar em 2014, Tite foi visitar o Arsenal a convite de Dick Law, antigo homem forte da Hicks Muse no Corinthians. Ao lado do filho e auxiliar Matheus Bachi, viu Pep Guardiola de perto com o Bayern de Munique e se decepcionou com o comportamento do catalão. Um lance marcou o novo treinador da seleção e explica um pouco de sua abordagem com o elenco: jamais expor os comandados. 

Naquele jogo, válido pelas oitavas de final no Emirates Stadium, Boateng cometeu um pênalti. Das tribunas, Tite viu uma reação desproporcional de Guardiola com gestual que criticava o próprio atleta. Naquele momento, ainda fez uma aposta com Matheus: o zagueiro seria substituído, o que de fato ocorreu no intervalo da partida. O Bayern ganhou por 2 a 0 e seguiu até a semifinal europeia. Acabou eliminado pelo Real de Ancelotti. 

Mesmo assim, métodos de trabalho do novo comandante do Manchester City encantam Tite, que absorveu alguns. "Ele se ocupou de muitos treinamentos atuais do Guardiola", revela o irmão Miro. "Teve acesso a vídeos do Bayern e do Barça, promovendo pequenos jogos de três contra dois, de quatro contra três, de seis contra cinco. Ele adaptou esses treinamentos e viu respostas nos jogos (pelo Corinthians)", acrescenta. 

A ousadia de Guardiola, por outro lado, não agrada a ele. "O que ele não gosta muito, que não fecha com a ideia, é quanto à linha de quatro defensores. Ele (Pep) alterna muito isso, e o Tite acha que o time sente muito. Acha boas as modificações do meio pra frente, as alternâncias, as novidades, mas não abre mão da linha de quatro fixa atrás. Às vezes o Guardiola inova muito. Joga com um zagueiro, com nenhum, e meu irmão acha demais", diz Miro. 

Mourinho usa a imprensa para influenciar o vestiário

A exemplo de Guardiola, Tite vê o português José Mourinho como uma figura excessivamente midiática. Desde os tempos de Corinthians, o treinador tem consigo a preocupação de não aparecer mais que os atletas. Quando sente que isso pode ocorrer, evita entrevistas, leva auxiliares para as coletivas. Não à toa, Tite jamais topou participar ativamente da elaboração de uma biografia.

No fundo, ele não vê a mídia como parte integrante do processo de trabalho, o que acredita ser uma característica principalmente do português ex-Chelsea. Tite preza que assuntos com jogadores devem ser tratados exclusivamente no vestiário e frente a frente. Algo muito diferente, por exemplo, do que ocorreu com Mourinho no Real Madrid. Ainda assim, ele identificou no abraço marcante com Materazzi na Inter de Milão-ITA um gesto importante e no fato de ganhar títulos grandes por vários clubes um mérito difícil de alcançar. 

"Para ele, o Mourinho gosta de se expor muito, gosta de se expor no atrito", conta Cleber Xavier. "Por outro lado, tem um trabalho forte no aspecto defensivo, um trabalho muito reativo", resume sobre as quatro linhas. "Ele não compactua com essa relação dele com os jogadores, sim", concorda Miro Bachi. "Também não gosta de trabalhar nessa forma, em que a base do jogo é trancar o time e contra-ataque. Trocamos ideias e, na visão do Tite, ele não impõe jogo, ele é uma reação". 

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