Como Yago driblou doping e memes provocados em lance com Ricardo Oliveira

Vinícius Bacelar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Ricardo Nogueira/Folhapress

    O zagueiro Yago, do Corinthians, disputa bola com Gilberto, do São Paulo

    O zagueiro Yago, do Corinthians, disputa bola com Gilberto, do São Paulo

O zagueiro Yago, de 23 anos, sofre com altos e baixos na atual temporada. De doping a alvo de memes, o corintiano diz, em entrevista exclusiva, que soube driblar os obstáculos.

Yago virou titular no início de 2016, com a venda de Gil para o Shandong Luneng, da China, o atleta fez gol contra o São Paulo no Campeonato Paulista, mas também cometeu um pênalti diante do mesmo rival no último domingo, em jogo válido pelo Brasileiro.

Tite e Cristóvão são bem tranquilos, que prezam pelo lado pessoal do atleta, não só pelo profissional"

Ele ainda ficou suspenso por um mês depois de testar positivo para a substância betametasona após a derrota por 2 a 0 contra o Santos, na Vila Belmiro, no dia 6 de março. No mesmo clássico, o zagueiro ficou marcado por escorregar em uma disputa de bola com o atacante Ricardo Oliveira, que, na sequência, marcou o segundo gol santista. Depois da partida, o corintiano virou alvo de memes (inclusive do Santos), mas disse que levou "tudo na esportiva".

Reprodução/Facebook oficial do Santos
Santos provoca o Corinthians com o lance de Ricardo Oliveira sobre Yago

O jogador ainda comentou a chegada de Cristóvão Borges, a saída de Tite, as chances do Corinthians no Campeonato Brasileiro e as diferenças de atuar ao lado de Felipe ou Balbuena. Confira a íntegra da entrevista:

Torcedor sempre quer ver o lado do time do coração e tira uma onda do rival. Essa é a graça do futebol."

Agora que já cumpriu suspensão pelo doping, o que você tem a dizer sobre o caso? Como ficou a sua cabeça com toda esta situação?

Foi um momento complicado. Ainda mais que não tive culpa nenhuma. Achei muito injusto ficar um mês fora porque muita coisa pode acontecer no período. Você pode sair do time titular e se tornar a quarta ou a quinta opção, já que todos esperam a oportunidade para mostrar trabalho e jogar bem, como aconteceu com o Pedro (Henrique).  Foi muito difícil, mas passou. Graças a Deus.

Algum momento você chegou a ficar chateado com o Corinthians, não só pelo erro que o próprio departamento médico admitiu, mas também pela forma como foi o anúncio, depois de uma eliminação?

Em nenhum momento. Eles foram transparentes e achei melhor fazer o anúncio após a semifinal do Paulista, porque pude me manter focado no jogo. Eles já sabiam alguns dias antes, mas resolveram não me avisar para não atrapalhar a preparação psicológica para o jogo.

Todo mundo me ajudou (para superar a punição por doping). As pessoas sabiam que eu não era culpado de nada"

Ricardo Nogueira-6.mar.2016/Folhapress
Yago em lance contra santista

Quem foi mais que te ajudou neste momento de suspensão? Não só na família, como no clube?

Todo mundo me ajudou.  As pessoas sabiam que eu não era culpado de nada. Mas não tinha como os atletas falarem muito comigo porque os jogos não pararam e todos estavam na correria de treinos e viagens.  Passou um pouco despercebido, mas tive o apoio necessário.

(Na época do doping) Nem as partidas do Corinthians eu via direito, via mais os resultados"

E na família?

Na família, o que me segurou foi o nascimento da minha filha (Maria Yanca, atualmente com dois meses). Foi um misto de sensações. Deus em primeiro lugar e depois vem a família. Confesso que esqueci um pouco o futebol. Sabia que não poderia estar à disposição. Então me dediquei à família e foi bom para mim. Pude passear com a minha mulher e com o bebê.  Acompanhei as etapas iniciais do nascimento, assisti ao parto... Se tivesse jogando, não teria desfrutado destes momentos.

Eu vinha treinar, mas sabia que não podia jogar. Chegava ao CT, já pensava em voltar para casa e aproveitar estes momentos com a minha filha. Deixei de acompanhar e de ver jogos de futebol um pouco. Nem as partidas do Corinthians eu via direito, via mais os resultados.  Foquei mais na família mesmo.

Você deixou de ver futebol por causa do nascimento da sua filha ou pela chateação de não poder atuar?

Pelos dois. É automático. Você meio que desliga um pouco. Uma coisa é treinar sabendo que está à disposição. Outra coisa é você treinar sabendo que não vai para o jogo. É uma situação diferente, foquei na família e esqueci o futebol.

No mesmo clássico contra o Santos em que foi pego no doping, você também caiu durante uma arrancada do Ricardo Oliveira e virou alvo de memes. Quando acontece este tipo de lance, como é a sua reação? Desliga também ou acompanha numa boa?

Na época acompanhei bastante. Vi as brincadeiras na internet e levei na esportiva. Fiquei chateado porque tomei o drible por ter escorregado. Mas torcedor é assim mesmo. Sempre quer ver o lado do time do coração e tira uma onda do rival. Essa é a graça do futebol. Às vezes, o futebol fica um pouco chato. Quem entende, sabe que foi um escorregão e é isso que importa.

Chegou a temer a perder a vaga de titular para o Pedro Henrique? Ele falhou contra o Atlético-MG, até chorou, mas depois foi bem e passou a ser elogiado...

Para ser sincero, não. Fiquei feliz por ele, pela volta por cima e por mostrar personalidade. É um atleta trabalhador. Só pensava em me recuperar bem porque já estava jogando com um pouco de dor antes.

Daqui um mês, ele deve ter condições de jogo novamente. Como será esta disputa?

Fica difícil responder. Em um mês tem quatro ou cinco jogos no mínimo. Tudo pode acontecer. Espero jogar bem nestas partidas que terei oportunidade e não sentir mais dor para o Cristóvão não ter dúvidas e me manter no time titular.

Qual é a principal diferença de jogar com o Felipe e com o Balbuena?

São estilos diferentes. O Felipe é mais rápido e o Balbuena gosta mais da disputa e usa mais a força. Mas como a gente joga bem posicionado, não dá para sentir muita diferença.

Já deu para sentir uma diferença entre o estilo do Tite e do Cristóvão?

É injusto apontar uma diferença entre os dois porque trabalhei pouco com o Cristóvão. Estou voltando de contusão agora. Mais fácil falar da semelhança. São dois caras bem tranquilos, que prezam pelo lado pessoal do atleta, não só pelo profissional.

Até onde o Corinthians pode chegar depois de tantas mudanças, não só na comissão técnica, mas também no elenco?

Nossa equipe tem jogado cada vez melhor. Está com uma sequência boa de invencibilidade.  Espero que a gente continue nesta fase para chegar bem no último terço do campeonato e o time se sagrar campeão brasileiro.

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