Ex-promessa do Grêmio se aposenta aos 25 anos: "quero voltar como médico"

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Bruno Colombo/Aguante Comunicação

    Gabriel Spessatto foi formado na base do Grêmio e decidiu deixar o futebol

    Gabriel Spessatto foi formado na base do Grêmio e decidiu deixar o futebol

O título do Campeonato Brasileiro sub-20 de 2009 deixou ao Grêmio boas impressões sobre as categorias de base. E um dos principais nomes daquela equipe era o capitão Gabriel Spessatto. Lateral direito formado no clube desde a escolinha, ele despontava na briga por oportunidades, que nunca chegaram a acontecer. Sete anos depois, ele desistiu do futebol sem mágoas. Quer mudar de vida, estudar e se tornar médico. 

Com 25 anos, eu acho complicado 'pagar para ver' até ter 30 ou 35 anos. Sou novo, e tenho tempo de fazer outra coisa"

"O futebol nunca foi fácil. Fui criado no Grêmio, fiz minha carreira para jogar em alto nível, quem sabe Série A ou até fora do país, uma carreira, digamos, de jogador 'grande'. Me preparei para isso. Entrei no Grêmio com 10 anos e fiz toda carreira visando isso. De certa forma me considero com êxito, pois permanecer 13 anos em um clube como o Grêmio é difícil. Mas alguns fatores atrapalham", afirmou.
 
"Tive duas cirurgias complicadas na porta de ter mais chances no profissional. Acho que isso me atrapalhou um pouco. São coisas do futebol. O motivo foi que me preparei para ser um grande jogador, mas as coisas andaram de forma diferente. Com 25 anos, eu acho complicado 'pagar para ver' até ter 30 ou 35 anos. Sou novo, e tenho tempo de fazer outra coisa", completou em entrevista ao UOL Esporte. 
 
E ao contrário de muitos ex-atletas, o objetivo não é ser empresário, preparador físico ou mesmo treinador. Spessatto quer estudar medicina para posteriormente voltar ao mundo da bola. 
 
Me sinto realizado por ter sido jogador profissional do clube que sou torcedor"
 
"Recebi convites com coisas ligadas ao futebol, mas não é o que eu quero agora. Pretendo me preparar e voltar mais na frente com medicina esportiva. Quero fazer faculdade de medicina, me focar na área de traumatologia e entrar no meio esportivo novamente", explicou. 

Marinho Saldanha/UOL Esporte
Spessatto, na direita, quando era aposta das categorias de base do Grêmio

Os 90 minutos de futebol são lindos. Mas o entorno dele é muito feio e você só conhece quando está dentro"

 

Carreira de expectativa

Destaque nas categorias inferiores, ele subiu ao profissional do Grêmio em 2011, com Julinho Camargo no comando. Mas quando esperava ser aproveitado, acabou sofrendo duas lesões. De fora, fez sua recuperação e permaneceu no time de cima com Celso Roth. Chegou a ser testado entre os titulares algumas vezes, mas não teve oportunidade em jogos oficiais. No ano seguinte, Caio Júnior chegou e informou que ele não seria aproveitado. 
 
"Eu acho que de alguma forma eu poderia ter sido melhor aproveitado. Vinha muito bem na base, principalmente. Fomos campeões brasileiros, tínhamos sido vice na Taça BH, eu era o capitão do time. E logo que eu subi tive uma lesão, e em seguida outra. Mas no retorno eu acabei perdendo espaço... Subi com o Julinho [Camargo] , permaneci com o Celso [Roth], e depois veio o Caio Jr, e segundo a direção ele não me conhecia e não tinha interesse em aproveitar muitos jovens. Optaram por começar a me emprestar. Depois que começa a ser emprestado é complicado para voltar para o clube", contou. "Não tenho mágoa dele [Caio Júnior]. Ele vinha de fora, fazia o papel dele, não tinha que conhecer um menino da base, que tinha feito muito por lá, mas voltava de cirurgia. Caberia mais à direção indicar, apostar, falar que valia a pena", disse. 
 
E não foram poucos clubes em seguida. Cerâmica, Barueri, Juventude, Aversa Normana (da terceira divisão da Itália), Novo Hamburgo, São José, São Paulo-RS e Brasil de Farroupilha. Em 2014, ele ainda teve nova chance no Grêmio, na equipe B - que disputou o começo do Gauchão. E ao lado de Luan, Everton e companhia, fez suas últimas participações vestindo azul, branco e preto. E uma trajetória que terminou sem mágoas. 
 
"Os clubes pelos quais passei sempre abraçaram o jogador. A torcida, a direção... Mas é uma realidade completamente diferente. Jogar domingo para poder pagar dia 10. São coisas que não acontecem em clube grande. Não tinha noção disso. A decepção foi mais minha, porque me preparei para atuar em clubes grandes. E não vinha mais acontecendo", disse.
 
"Me sinto realizado por ter sido jogador profissional do clube que sou torcedor. Me criei, fui torcedor do Grêmio, e agradeço ao futebol ter conhecido mais de 10 países. Fiz amizades, convivi com pessoas que não conviveria. Tive a oportunidade de conhecer um vestiário de futebol, poucos tem esta chance. O futebol me proporcionou momentos ímpares, que um garoto não teria estudando. Aconselho os meninos a tentarem a carreira. Mas tem que ver até onde vale a pena. No meu caso, vi que não valia mais. E vá sabendo uma coisa: os 90 minutos de futebol são lindos. Mas o entorno dele é muito feio e você só conhece quando está dentro", finalizou.

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