Pintado diz que viu torcedor armado no CT e quase teve boné roubado

Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

Auxiliar técnico do São Paulo, o ex-jogador Pintado presenciou de perto a invasão de torcedores organizados ao CT da Barra Funda neste sábado (27), que resultou em cobranças ao elenco e agressões físicas a alguns atletas. Em contato com o UOL Esporte, ele condenou o ato e disse que havia pelo menos uma pessoa armada entre os invasores.

"O São Paulo vai dar a volta por cima, vai atrás de bons resultados, mas não com esse tipo de atitude, um cara armado dentro de campo. O cara estava armado, eu vi a arma. Isso deixa qualquer um muito preocupado", disse Pintado, negando que o episódio possa causar a saída dele ou de algum atleta do clube.

"Para mim, particularmente, seria muita covardia abandonar o São Paulo neste momento, e eu nunca fui covarde na minha vida. Aqui é o clube em que eu conquistei tantos títulos, e eu jamais faria isso [sair], porque eu tenho certeza de que isso será revertido", afirmou.

O ex-volante também contou que quase teve um boné, que faz parte do uniforme da comissão técnica, roubado por um dos torcedores. O homem chegou a retirar o boné de sua cabeça, mas outros membros da torcida fizeram com que ele devolvesse o acessório.

"Pediram o boné para mim, e como eu estava trabalhando no treinamento e o boné é o meu material de trabalho, eu não podia dar. Então um cara puxou da minha cabeça, e veio um torcedor que era um dos líderes da torcida e falou: 'não, não, devolve para o Pintado, não tem nada a ver isso aí, nada de confusão, não queremos agressão'. O cara devolveu o boné para mim e outro cara deu um tapa na cabeça do torcedor que tinha puxado o boné da minha cabeça. Entre eles mesmo, acabaram discutindo, foi muito triste", contou.

Se o boné de Pintado acabou não sendo levado, o mesmo não se pode dizer de outros objetos do clube. No total, dez uniformes de treino, 14 bolas e um galão de água foram roubados durante a invasão.

Para o auxiliar, o time vai buscar a reviravolta já neste domingo (28), quando o São Paulo enfrenta o Coritiba no Morumbi. Mas caso a reação venha, segundo ele, não será por causa do protesto deste sábado.

"Eu e outros guerreiros que tem lá dentro, nós não vamos nos encolher. Não é por isso que a gente vai reagir, já vinha sendo cobrado o time. A diretoria já teve uma pressão muito forte, uma reunião muito pesada junto com a gente lá, todo mundo entendeu, todo mundo sabe que precisa melhorar. Não é porque a torcida invadiu que as coisas vão mudar, muito pelo contrário. Isso pode prejudicar muito a gente, e com um cara armado, você sempre pensa no pior".

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