"Nosso legislativo é uma baderna", diz zagueiro do Grêmio sobre impeachment

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Divulgação/Grêmio

    Wallace Reis concede entrevista coletiva no CT do Grêmio

    Wallace Reis concede entrevista coletiva no CT do Grêmio

O impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) confirmado pelo Senado Federal nesta quarta-feira (31) foi assunto na entrevista coletiva do zagueiro Walace Reis, do Grêmio. Sempre politizado e com opiniões fortes, o defensor disse que o parlamento 'é uma baderna'.

"Eu vi o legislativo sendo contraditório e controverso. Ela (Dilma) sofre o impeachment e segue sendo elegível. Mas é normal no nosso país. Nós somos contraditórios. Não dá para ter muito argumento. Nosso legislativo é esta baderna mesmo", disse Reis. 
 
A presidente Dilma Rousseff, afastada do cargo desde maio, foi condenada nesta quarta-feira pelo Senado no processo de impeachment por ter cometido crimes de responsabilidade na condução financeira do governo. O impeachment foi aprovado por 61 votos a favor e 20 contra. Não houve abstenções.
 
Porém, Dilma conseguiu manter os direitos políticos. Em votação separada, não foram alcançados os 54 votos necessários para que ela perdesse o direito a ocupar cargos públicos: foram 42 votos a favor da perda; 36 contrários e 3 abstenções. Desta forma ela segue elegível em próximos pleitos. 
 

Opiniões de Walace vão além

 
A coletiva do ex-flamenguista tomou um tom além das quatro linhas. Mais do que o jogo contra o Botafogo no próximo domingo, ele também opinou sobre o Bom Senso FC  e a classe dos jogadores de futebol. 
 
"O Bom Senso entrou em outras coisas, mudou de foco. Os jogadores começaram a tomar muita paulada, e os outros não compravam a ideia. No ano passado eu coloquei no vestiário do Flamengo informações sobre a MPV-671 (Medida Provisória do Profut) e de um grupo de 27, só dois me procuraram para ver o que era. Vamos ficando desacreditados, desmotivados. O jogador tem que ser alienado e acéfalo, mesmo. É mais cômodo. O cara não quer benefício, não tem noção do que é, não pensa nisso, pensa em outras coisas. Vai deixando a chace de ter um futebol melhor passar porque não está interessado", disse. "Lamentamos e ficamos desgastados. Comprei brigas desnecessárias no Rio de Janeiro. Acabei me desgastando. Cansei", completou. 
 
A classe dos jogadores também foi alvo de críticas mais fortes do zagueiro. Segundo ele, o atleta tem culpa no quadro atual da profissão. 
 
"A categoria é omissa. Mas é um problema cultural e educacional. Todos estão acostumados a ver o jogador sem ponto de vista. Às vezes quem tem se retrai. E quando tenta se defender, toma paulada de todo o canto. Não quero ficar defendendo minha causa, mas passei um momento que me criticavam por eu ler livros. Isso é um absurdo. Não consigo aceitar que um formador de opinião fale algo assim. É de doer o coração. Hoje sei lidar melhor com essas coisas. Quero é crescer como pessoa, evoluir. Quero ser exemplo porque tenho dois filhos e os direitos que luto são para eles também. Mas acho que o futebol vai ficar estagnado por muitos anos. Somos muito otimistas em achar que vai melhorar. E tem muito culpa do atleta nisso, que não tem interesse em um futebol melhor", finalizou.
 
Walace sempre foi conhecido por suas posturas fora de campo. No Grêmio, rapidamente se consolidou como liderança do elenco, além e ser titular do time atualmente. 
 

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