Auxiliar estudou com L. Enrique e tem carta branca com Cuca no Palmeiras

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo

  • Cesar Greco/Ag Palmeiras

    Alberto Valentim sonha em ser treinador, mas quer prosseguir a parceria com o técnico Cuca

    Alberto Valentim sonha em ser treinador, mas quer prosseguir a parceria com o técnico Cuca

Ele distribui coletes, delimita o gramado e participa das atividades. Dá instrução, provoca (e é provocado) e se coloca como uma peça ativa no dia a dia do Palmeiras. Este texto não fala de Cuca, o treinador do líder do Campeonato Brasileiro, mas sim de Alberto Valentim, componente importante para a boa campanha da equipe alviverde.

Desde 2014 como auxiliar técnico fixo na Academia de Futebol, Alberto tornou-se importante para o trabalho de Cuca. Os treinos técnicos, por exemplo, contam com o toque do assistente, que utiliza seus próprios métodos (devidamente aprovados por Cuca) para preparar o Palmeiras.

Em conversa exclusiva com o UOL Esporte, Alberto Valentim contou sobre o desejo de ser treinador no futuro, mas sem querer 'dar um passo mais longo'. Mesmo a sugestão de Paulo Vinícius Coelho de ele assumir o Palmeiras no ano que vem, caso Cuca não renove o compromisso firmado até dezembro, é tratada com cautela.

"A gente não sabe qual será o futuro, está muito cedo ainda. O Cuca nem falou com a certeza que não vai ficar. Vamos deixar as coisas acontecerem normalmente, minha vida sempre foi assim. O ano que vem está longe ainda, então vamos só pensar no Brasileirão (risos)", disse o calmo auxiliar, que, um dia, quer assumir de vez a função de treinador.

"Sempre deixei muito claro que é a minha ideia, quando comecei a estudar, ser treinador. No tempo certo, sem roubar lugar de ninguém. No momento em que eu achar que é para sair como treinador, isso vai acontecer normalmente", acrescentou Alberto.

A experiência acumulada da carreira como lateral direito e dos anos no futebol italiano rapidamente tornaram Valentim em um profissional respeitado dentro do Palmeiras. Cuca, por exemplo, dá toda a liberdade para o auxiliar impor a sua filosofia de trabalho no dia a dia.

"O Cuca tem me dado a liberdade para, fora os treinos táticos dele, implantar tudo dentro daquilo que ele pede. Conversamos antes de tudo, o que obedece ao futebol e ao que ele pede. Vou montando umas regrinhas nos trabalhos, mas sempre procurando chegar aonde ele quer", relatou.

Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Cuca deu carta branca ao auxiliar no dia a dia do Palmeiras

Trabalho de Valentim: acúmulo de conceitos e 'pegada de jogo'

Para quem acompanha o dia a dia do Palmeiras, Alberto Valentim destaca-se pela intensidade e pró-atividade. Nos trabalhos em campo reduzido, por exemplo, o auxiliar acompanha o movimento da bola e corre para instruir os jogadores bem próximos da ação. Nenhum detalhe passa despercebido.

"Procuro colocar o máximo de conceitos em todas as atividades, uns três quatro no mínimo que a gente faz: é compactação, é posse, é o jogador treinar com impedimento...", contou, antes de detalhar ainda mais os conceitos do qual procurou falar durante a conversa com a reportagem.

"O impedimento é uma regra importantíssima: os atacantes trabalham para não entrar em impedimento, e os zagueiros automaticamente treinam a deixá-los em impedimento. Com jogadas pelas beiradas, marcação forte, colocamos regras para diminuir o máximo do espaço dos atacantes para finalizar, enfim, fazendo tudo isso aí para enriquecer", esmiuçou.

A intensidade de Valentim se reflete no trabalho dos jogadores. Não há espaços para aliviar; caso alguém alivie, a bronca surge como algo natural. Ele, Cuca e companhia querem, ao máximo, imitar o ritmo de uma partida em todos os dias de trabalho na Academia de Futebol.

"Nossa ideia é se aproximar o máximo possível da realidade o jogo. Todos os nossos treinos, sejam eles reduzidos ou não, trabalhamos com impedimento, linha de compactação. Mesmo sete jogadores, nove ou oito contra dez, nós procuramos colocar o desenho tático para que esses jogadores obedeçam cada função para se aproximar do que se encontra no jogo", explicou.

"São treinos intensos, com tempo curto, com muita intensidade e dinâmica para o treinamento, repito, do que a gente quer no jogo. Tudo controlado pela fisiologia para não exceder a parte física dos atletas", ponderou.

Até a pausa para a água é trabalho

A velocidade de trabalho atinge até mesmo os momentos (teoricamente) de relaxamento. A pausa para a reidratação é devidamente calculada para o elenco não se perder, não se distrair. Valentim é um dos profissionais que fica em cima dos jogadores contra a dispersão.

"Hoje não se fica mais de duas horas no campo. O que passamos distante é o que chamamos 'tempo morto'. Na pausa entre uma atividade e outra, a gente procura deixar um intervalo mais curto, para que o jogador não se disperse, fique concentrado para a gente conseguir o melhor treinamento", explicou.

"Procuramos minimizar o máximo este 'tempo morto', o tempo da água, da troca de atividade, ou de uma troca de time que a gente vai fazendo, para deixar o treino concentrado e dentro da duração que a gente quer", acrescentou o auxiliar técnico do Palmeiras.

Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Estágio com Luís Enrique e competição com prêmios

Para alcançar o estágio de hoje em dia – um profissional sugerido para assumir um dos grandes clubes do país, caso Cuca não permaneça para o ano que vem -, Alberto Valentim estudou no Brasil e na Itália, onde trabalhou com dois dos principais treinadores do futebol mundial.

"Estive na Itália e fiz estágio com o Luis Enrique [atual técnico do Barcelona], quando ele ainda dirigia a Roma. Também trabalhei com o Antonio Conte, hoje técnico do Chelsea [Conte dirigiu a Juventus-ITA, clube no qual Valentim estagiou], e com o Francesco Guidolin na Udinese", relembrou.

Da passagem pela Itália, Valentim herdou, entre outras coisas, o gosto pela competitividade. Todas as atividades no Palmeiras valem alguma coisa; funcionários do clube comemoram, já que são beneficiados por muitas das 'pagas' de quem sai derrotado no trabalho.

"Todos os nossos treinos são em forma de competição. Seja ele no reduzido, nas finalizações e cruzamentos; tudo está valendo alguma coisa. A gente tem arrecadado cestas básicas para os funcionários, e o Cuca comprou essa ideia", afirmou.

"Tudo vale alguma coisa. É uma outra forma de se aproximar da realidade do jogo, o jogador mentaliza essa competitividade", garantiu o auxiliar, satisfeito pelo nível de competição demonstrado pelo líder do Campeonato Brasileiro até aqui.

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