Luis Fabiano diz que ainda torce para o SP: "Fico chateado quando perde"

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Luis Fabiano atua no futebol chinês desde o começo do ano

    Luis Fabiano atua no futebol chinês desde o começo do ano

Luis Fabiano deixou o São Paulo há nove meses para defender Tianjin Quanjian. Na China, o jogador mantém, mesmo que sutilmente, uma ligação com o clube paulista. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, ele admitiu que ainda torce para o time e fica chateado como qualquer torcedor.

O atleta de 36 anos esquivou-se de comentários sobre a crise política no clube e admitiu que um retorno ao time paulista é improvável. Em contrapartida, ele tem planos de encerrar a carreira na Ponte Preta, time que o revelou em 1999.

Por muito tempo referência mundial entre os centroavantes - não à toa o atleta defendeu a seleção brasileira como titular na Copa do Mundo 2010 e ultrapassou a marca de 200 gols com a camisa do São Paulo, Luis Fabiano ainda fez críticas ao atual momento do futebol brasileiro.

O jogador disse que a geração de centroavantes é fraca e creditou a má fase às escolhas dos clubes por jogadores rápidos que atuam fora da área.  Segundo ele, dessa forma, uma equipe perde alternativas de modificar uma partida.

UOL Esporte: Você sente mágoa do São Paulo depois de o clube não renovar seu contrato no fim do ano passado?
 
Luis Fabiano: Não, nenhuma mágoa. Todo ciclo chega ao fim, é uma coisa natural. Do São Paulo eu só guardo boas lembranças. Todos sabem do carinho que tenho pelo clube e sempre vou ter.
 
O que acha da gestão Carlos Miguel Aidar? E da gestão Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco?
 
Sinceramente, acho que não sou a pessoa mais adequada para avaliar as administrações dos presidentes do São Paulo. Para fazer isso você precisa viver a política do clube, ter conhecimento de tudo o que está sendo feito e eu não tenho.
 
Por que o São Paulo não consegue se estabilizar politicamente?
 
Não sei dizer.
 
Jogador acaba prejudicado por essa instabilidade? A pressão da torcida são-paulina atrapalha o jogador? Como lidar com ela?
 
Quando o ambiente de um clube não está legal, isso normalmente acaba chegando até os jogadores, mas como não estou mais vivendo o dia a dia do São Paulo, não sei dizer se nesse momento isso está atrapalhando ou não, até porque o São Paulo quase chegou a uma final de Libertadores recentemente e aí ninguém falava de instabilidade. Pressão da torcida é normal, desde que seja a cobrança da arquibancada e não haja agressão. Se for dessa forma o jogador tem que estar preparado e saber lidar com isso.
 
O São Paulo sempre teve fama de clube organizado. Não é mais?
 
Na minha opinião o São Paulo tem uma ótima estrutura e é organizado.
 
Qual a maior diferença entre o São Paulo atual e o São Paulo do seu tempo?
 
Acredito que não há muita diferença, afinal faz menos de um ano que eu saí.
 
Julia Chequer/Folhapress
Luis Fabiano soma 210 gols pelo São Paulo
 
Você assiste aos jogos do São Paulo?
 
Normalmente não consigo assistir por causa do fuso horário. Mas estou sempre acompanhando os resultados e as notícias, até porque tenho muitos amigos no clube.
 
Sofre como torcedor, fica bravo, comenta com amigos em grupo?
 
Torço muito pelo sucesso do São Paulo e claro que quando o time perde fico chateado, como qualquer torcedor.
 
O São Paulo enfrentou sérias dificuldades financeiras o ano passado. Foi difícil passar por isso como jogador do clube?
 
Sinceramente eu tentei pensar sempre nas dificuldades que teríamos dentro de campo e deixar a parte burocrática em segundo plano, até porque sempre confiei que o clube honraria seus compromissos.
 
Você terá 37 anos ao fim do contrato com o Tianjin Quanjian. Já tem planos para 2018?
 
Ainda não. No futebol é melhor esperar, deixar acontecer. As coisas mudam muito rápido.
 
E aquela sua ideia de encerrar a carreira na Ponte Preta existe ainda? Se um dia o clube se interessar, você ainda quer?
 
Tenho essa ideia, mas não depende só de mim. Vamos ver o que vai acontecer.
 
Você gostaria de voltar a defender o São Paulo? Acha que existiria alguma possibilidade?
 
Acho difícil, improvável.
 
Chegaram a falar que o Palmeiras se interessou por você quando estava em momento ruim no São Paulo.  É verdade?
 
Houve somente uma sondagem, como muitas outras, mas não passou disso.
 
Você já sabe o que pretende fazer após sua carreira como jogador de futebol? Será treinador? Quer deixar o futebol de lado?
 
Treinador nem pensar! Acredito que vou continuar no futebol, mas em uma outra função, um cargo mais administrativo.
 
Você é mais respeitado no Sevilla, São Paulo ou Ponte Preta?
 
Difícil dizer. É claro que na Europa a forma que os torcedores tratam o jogador é diferente, não há agressão. No Sevilla havia aqueles que me idolatravam e os que não idolatram me respeitavam. Sempre foi assim. No Brasil, normalmente ou te amam ou te odeiam. Mas eu sei que no São Paulo o percentual dos que gostam de mim é infinitamente maior do que o dos que odeiam. Na Ponte já faz muito tempo que saí, mas me sinto querido no clube.
 
Divulgação
Atacante em ação pelo Tianjin Quanjian, da China
 
Dunga errou ao não levar Ganso ou Neymar para a Copa 2010? Faltou alguém para mudar aquele jogo contra a Holanda?
 
Acredito que não. Não acho que faltou alguém para mudar o jogo. Faltou uma atenção maior de todos nós para não deixar a Holanda virar o jogo no segundo tempo, já que no primeiro tempo fomos muito superiores. 
 
Há escassez de centroavantes hoje no futebol brasileiro?
 
Sem dúvida. Hoje os clubes estão mais preocupados em formar atacantes que jogam abertos, pelas pontas, e se esqueceram do finalizador. Acho lamentável, pois por mais que um time decida jogar apenas com atacantes mais rápidos, é sempre importante ter a opção de um centroavante para mudar a maneira do time jogar em alguns momentos.
 
Jogar na China é muito bom financeiramente. E tecnicamente? É um retrocesso nesse sentido?
 
O nível técnico ainda está abaixo do futebol brasileiro, mas está cada vez melhor. A China é um mercado que está investindo muito, trazendo grandes jogadores e treinadores não só do Brasil, mas também da Europa. A organização dos campeonatos também é boa e isso é importante.
 
E como é viver na China? Sente falta de alguma coisa do Brasil? Comida, amigos? Tem algumas histórias curiosas? E sua família, está adaptada?
 
Estamos muito bem adaptados, a qualidade de vida aqui é muito boa. A cidade tem muitas opções de lazer, restaurantes internacionais e fica próxima de Pequim que tem muitas outras opções. Aqui eu consigo fazer coisas que seriam impossíveis no Brasil, como levar minha filha caçula para escola em uma espécie de uma motoca.
 
Você já falou que uma briga durante um Sevilla x Zaragoza te mudou muito porque sua filha viu. Como essa briga te fez um cara mais calmo?
 
Não acho que isso me fez ser um cara mais calmo, mas é claro que me faz pensar duas vezes quando acontece uma situação parecida dentro de campo. Saber que minha filha me viu brigando foi triste para mim e me fez refletir.
 
Quais as maiores dificuldades que o jogador passa na China?
 
No começo há a dificuldade de comunicação, mas rapidamente você vai pegando o básico para se comunicar dentro de campo e isso acaba. Fora isso, sinceramente não há muitas dificuldades, principalmente no meu caso que já morei muito tempo fora do Brasil e estou acostumado com as diferenças culturais dentro e fora do trabalho.
 
Por que Vanderlei Luxemburgo saiu do clube?
 
O que nos foi passado é que houve uma divergência entre a comissão técnica do Vanderlei e a direção do clube, uma diferença de pensamentos. Naquele momento estávamos em uma sequência de resultados ruins e todos tinham uma parcela de responsabilidade, por isso não esperávamos a saída dele. Ficamos chateados, é claro, mas logo os dirigentes do clube nos procuraram para dizer que contavam conosco e que os projetos ambiciosos do clube continuariam normalmente. Isso se comprovou com a chegada do Cannavaro, que é um cara consagrado no futebol e está mostrando ser um grande treinador também. Então nós jogadores ficamos tranquilos.
 
Os chineses mandaram Mano e Luxa embora rapidamente. Como é o trato chinês? Alguém te cobrou já?
 
Os chineses sempre me trataram muito bem, tanto os dirigentes do clube, quanto torcedores. Cobrança no futebol é uma coisa natural em qualquer lugar do mundo desde que seja de forma respeitosa, profissional.

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