Discussões e trabalhos curtos. Os sete anos de Espinosa longe dos holofotes

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • RODRIGO RODRIGUES/GREMIO FBPA

    Valdir Espinosa assumiu posto como coordenador técnico do Grêmio

    Valdir Espinosa assumiu posto como coordenador técnico do Grêmio

Valdir Espinosa foi anunciado como novo coordenador técnico do Grêmio e apresentado na última segunda-feira (19) junto a Renato Gaúcho. Um dos motivos oficiais para o seu retorno foi porque ele "se mantém absolutamente atualizado, por ensinar estratégias e táticas de futebol, basta acompanhar as redes sociais dele", segundo palavras do vice de futebol, Adalberto Preis (veja mais abaixo).

A função não é novidade para o técnico campeão do mundo no Tricolor e que já teve a alcunha de "poderoso chefão", por conta de sua semelhança com o ator Marlon Brando. Como coordenador, trabalhou no Esportivo-RS. Longe dos clubes grandes desde a passagem pelo Fluminense, em 2009, o treinador coleciona trabalhos curtos e alguns problemas. 

A reportagem do UOL Esporte foi atrás de detalhes do que ocorreu nas equipes pelas quais Espinosa passou. Foram: Duque de Caxias (RJ), Metropolitano e Las Vegas City (EUA), como treinador, e Esportivo, como coordenador técnico. Através de relatos de profissionais que trabalharam com ele, elogios vieram sempre sobre a conduta e o comportamento dele. Mas sobre o trabalho, os comentários foram outros, com exceção do time americano. 
 
Sem completar 10 jogos em nenhum clube como técnico, o período mais longo foi na posição de dirigente, em um projeto idêntico ao que ele abre no Grêmio, mas cujo resultado acabou sendo desastroso. Confira os sete anos profissionais de Espinosa até o regresso. 
 

Duque de Caxias-RJ (2011) 5 Jogos, 0 vitória, 1 empate, 4 derrotas

No Duque de Caxias, Espinosa foi definido como 'vítima da situação'. O elenco era fraco e ele foi contratado em meio à disputa da Série B do Brasileiro. O time estava em último, com apenas três pontos conquistados em oito jogos. Em sua apresentação, disse que a meta era subir para a Série A. Mas o que ocorreu foi exatamente o contrário. Ao ver que não conseguiria tirar mais do grupo, pediu demissão depois da quinta partida. Ao fim daquela competição, o Duque teve apenas 15% de aproveitamento e foi rebaixado. 
 

Esportivo-RS (2014) Coordenador técnico por seis meses

A palavra usada por quem trabalhou com Espinosa no Esportivo para definir a época é 'decepção'. Com esforço além do possível do clube, os seis meses com ele na única oportunidade em que ocupou posto de coordenador técnico (mesmo cargo que ocupa no Grêmio) foram de tumulto, discussão e confusões. 
 

Divulgação/Esportivo

O quadro relatado à reportagem do UOL Esporte monta um cenário semelhante ao Grêmio. O Esportivo apostou na história. Ao contratar Espinosa, acreditou que dava um passo importante para o fortalecimento estadual e depois nacional. Entregou a ele os cuidados de toda a formação de jogadores, desde a escolinha até o profissional. Exatamente como fez o Tricolor. 
 
Só que muitos problemas aconteceram. Comissão técnica, jogadores, direção, todos tiveram, segundo relatos, problemas com ele. Tanto que ao ser demitido, uma festa foi montada pelos que permaneceram. 
 
Entre as decisões que geraram discórdia, os métodos implantados, o tom 'fora da realidade do clube' e ainda avaliação equivocada de jogadores. Heliardo, por exemplo, goleador do último Gauchão, estava na lista de dispensas de Espinosa. Hoje ele atua no Joinville. "O Grêmio nem nos procurou para perguntar nada", relatou ao UOL Esporte uma pessoa da gestão da época. 
 

Metropolitano-SC (2015) - 7 Jogos, 2 vitórias, 2 empates, 3 derrotas

Contratado para treinar o Metropolitano, Valdir Espinosa não conseguiu os resultados esperados. E muito por problemas de relacionamento. A reportagem do UOL Esporte apurou que enquanto esteve por lá, colecionou problemas por conta de sua metodologia de trabalho. Brigou com sua comissão técnica e com a direção do clube. Queria impor sua maneira de trabalhar, considerada internamente ultrapassada.
 

Sidnei Batista/Divulgação/Metropolitano

"Chegou ao ponto que os jogadores não queriam fazer o que ele pedia, e os resultados passaram a não acontecer", disse uma pessoa que trabalhou neste período no clube, mas pediu sigilo. Percebendo a dificuldade de relacionamento com colegas de comissão técnica, direção do clube e elenco, acabou demitido. 
 
Fora de campo, porém, todas as fontes consultadas pelo UOL foram elogiosas ao atual coordenador de futebol gremista. "É uma pessoa amável, educada e carinhosa. Sua função é mesmo ser coordenador, porque no campo é impossível", relatou outro nome ligado ao clube. 
 

Las Vegas - (2016) 7 Jogos, 6 vitórias, 1 empate, 0 derrotas

Espinosa firmou um contrato de três meses com o Las Vegas City. O projeto do clube americano era ambicioso, chegar à Major League Soccer, mas acabou tendo fim pouco depois da saída dele. Com o bom rendimento, pediu um aumento salarial para renovar o vínculo, não foi concedido e os investidores deixaram a equipe que hoje é amadora. 
 
Henrique Souza, que trabalha no Miami FC e auxiliou o Las Vegas City na época do amistoso contra o Miami, sublinha o bom rendimento de Espinosa por lá. O duelo marcou o encontro de Ronaldinho Gaúcho - contratado para uma partida no Vegas - e Adriano Imperador - do Miami. 
 

Henrique Souza/Arquivo Pessoal

"Falar do Espinosa é elencar elogios. Um cara que entende muito de futebol, está atualizado, dá ótimos treinos. O pessoal gostava muito dele aqui. Até surpreendeu ele aceitar o trabalho por um curto período. Mas fez o time jogar muito bem, sabe muito de futebol, é um cara educado, solícito, um exemplo", disse ao UOL Esporte. 
 

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