Parreira consultor e estádio de R$ 500 mi: Bittencourt lança candidatura

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Armando Paiva/Divulgação

    Conhecido por defender Flu nos tribunais, Bittencourt disputará eleições para presidência do clube

    Conhecido por defender Flu nos tribunais, Bittencourt disputará eleições para presidência do clube

Conhecido por defender o Fluminense nos tribunais, Mário Bittencourt oficializou candidatura para a presidência do clube no próximo triênio. Ao lado do vice geral Ricardo Tenório, a chapa se chama "O Fluminense me domina". O lançamento ocorreu na noite da última terça-feira no Salão Nobre, nas Laranjeiras, que recebeu mais de 500 torcedores.

Entre as propostas, duas se destacaram: a chapa assinou uma carta de intenção com opção de compra de um terreno na Barra da Tijuca para a construção de um estádio, orçado em aproximadamente R$ 500 milhões. Além disso, Bittencourt anunciou que em caso de vitória nas urnas terá o técnico tetracampeão mundial, Carlos Alberto Parreira, como consultor técnico na gestão.

No projeto apresentado por Bittencourt, a estimativa inicial para o estádio próprio do Fluminense é de aproximadamente R$ 500 milhões – incluindo a compra do terreno, que pertence ao setor privado e estaria pronto para receber as obras a partir de janeiro. A capacidade de 26 mil pessoas com possibilidade de aumentar para mais de 38 mil, com uma 'geral', onde torcedores ficariam em pé.

Mário Bittencourt também revelou que terá um campeão mundial na diretoria: Carlos Alberto Parreira. Em caso de vitória, o tetracampeão ocupará o cargo de consultor técnico para ajudar a tomar as decisões importantes no futebol. O ex-treinador esteve presente no lançamento e deu algumas palavras de apoio a Mário.

A entrevista de Mário Bittencourt:

Vontade de ser presidente do Flu

Tenho uma história de amor pelo clube, sou sócio há mais de 20 anos e profissional há mais de 18. Conheço cada esquina, cada departamento. Fui vice-presidente, gerente de futebol em 2009... Eu entendi que adquiri uma maturidade, apesar de algumas pessoas falarem que tenho apenas 38 anos. Estou preparado, desde que tenha ao meu lado pessoas como o Ricardo (Tenório), como o Parreira, que acreditou no nosso projeto e no meu tempo de casa. Trabalhei com três presidentes diferentes em seis gestões. Conheço os problemas, as dívidas, as questões que envolvem um clube de futebol. Também conheço os anseios o pessoal dos esportes olímpicos e dos sócios. Sei do que o Fluminense precisa para seguir em frente ainda maior. Minha passagem na vice-presidência foi difícil, com a saída da Unimed, o maior patrocinador do futebol brasileiro, e da saída de 13 jogadores com rescisão de contrato. Todas as vezes que o clube esteve em dificuldade nós fomos chamados. Então, juntos seremos mais fortes, por isso montamos a candidatura. A gente acha que merece essa chance, e quem sabe com o Fluminense com uma vaga de Libertadores no ano que vem.

Acredita em alianças políticas até a eleição?

Analisamos o cenário, montamos um projeto sólido, ouvimos quase 600 pessoas...  Quando entendemos que tinha um projeto solidificado para lançar, resolvemos nos candidatar. Mas realmente o Fluminense, historicamente, nunca teve cinco candidatos consolidados, acho que no máximo três. Muita coisa ainda vai acontecer até lá. São muitas possibilidades. Mas posso dizer que a nossa ideia é de concorrer em novembro com quem quer que seja. Respeito todos eles. É difícil falar de composições. Queremos disputar a eleição, vencer, e contar com essas pessoas.

Projeto de estádio próprio na Barra

O Fluminense precisa buscar ter sua casa, mas precisa de um equilíbrio de entender que para conquistar isso, precisamos empreender com responsabilidade. São várias situações que precisam ser resolvidas, por isso que a apresentação do projeto precede o estudo de viabilidade. Senão eu estaria apenas entregando um sonho. O projeto que mostramos é real, no site teremos todos os detalhes. Não estamos fazendo apenas discurso político. Muitas pessoas perguntaram se era arena ou estádio, e isso passa pela viabilidade. O conceito de estádio dificilmente atrai os investidores, e a arena tem outros equipamentos. Não significa que seria um arena com todos sentados, existe a chance de moldar e tirar as cadeiras para fazer como em uma geral. Para viabilizar são pelo menos quatro anos. Pelo menos 80%, 85% dos jogos teríamos que mandar no nosso estádio. Precisamos ter um contrato com o Maracanã que preserve isso. Jogar apenas um jogos específicos no Maracanã. O projeto tem que ser muito bem feito, os investidores demoram de 20 a 30 anos para recuperarem o dinheiro. Mas tudo isso passa por termos um terreno, ele já tem que ser bem viável. Quero ter uma comissão para tomar as decisões. A chapa conseguiu uma carta de intenção com a opção de compra do terreno para o caso de eu ser o presidente do Fluminense. Valores já pré-definidos. O Fluminense não tem o dinheiro, precisaríamos do investidor. Se não formos nós os eleitos, esse documento vale para quem vencer e tiver um bom projeto de estádio também.

Situação está usando a máquina na campanha?

O Fluminense precisa criar uma comissão eleitoral. Já participei de três eleições no clube, e em todas elas houve essa discussão de entrega de lista, de judicialização da eleição, de suposta utilização da máquina. O Fluminense precisa ser transparente também no processo eleitoral, porque é a marca do clube. Quem está conduzindo o processo, precisa entender que o clube é o prejudicado. Lamento que talvez tenhamos que entrar em um caminho nesse sentido (judicialização). Não é nossa ideia, não tenho vontade de fazer campanha assim. Quero fazer propostas. Até o momento, as coisas poderiam ser feitas de um modo um pouco diferente. Eu não era candidato até hoje, a partir de agora me pronuncio como candidato e avalio os movimentos. Queremos proteger nossos direitos de participar do pleito em igualdade de condições. Não tenho dúvida de que o presidente Peter vai levar por essa caminho, porque sempre busco a transparência e equilíbrio nas eleições. E nós somos uma candidatura que nasce dentro da gestão. Somos de continuidade do que foi bem feito, mas que queremos implementar outras coisas.

Gestão recente no futebol é o seu calcanhar de Aquiles?

Tanto tem 2009 quanto em 2014 nós fomos convidados a estar ali como vice-presidentes e enfrentamos momentos difíceis. Me perguntavam se o Fluminense ia acabar com a saída da Unimed. O que mudou é que a gente amadurece depois da dificuldades. Entendemos que precisamos de uma cadeia de comando mais profissional no futebol, porque acabamos ficando expostos. Dei centenas de entrevistas coletivas para falar de assuntos técnicos e que não seria eu a falar, mas eu era a instituição. Falei de federação, CBF, arbitragem... eu era convocado a falar. E faria de novo. Mas algumas pessoas avaliam como uma passagem boa, outras como média e outras como ruim. Mas com 18 anos no clube, tivemos acertos e erros. Em 2009 foi um case de acertos. Em 2015 o resultado de campo não foi bom, isso é inegável. Mas felizmente nos deu uma base que agora está disputando nas cabeças o Brasileiro. O que tiramos de lição é o nosso amadurecimento para chegar até aqui.

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