Argentina na madrugada e pressão em médicos. A rotina silenciosa de Messi

João Henrique Marques

Colaboração ao UOL, de Barcelona

  • AFP PHOTO / JOSEP LAGO

    Messi está fora dos campos desde o dia 21 de setembro

    Messi está fora dos campos desde o dia 21 de setembro

Às 4h15 da madrugada de sexta-feira em Barcelona (23h15 de Brasília) e Lionel Messi estará sofrendo diante da televisão. O craque argentino não encara o Peru, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, por conta da lesão no músculo adutor da coxa direita e desde então está calado, pouco sai de casa e tenta acelerar o retorno já iniciando treinamento com bola essa semana. No duro período de recuperação, o atacante se apegou aos filhos e bombardeou médicos do clube de mensagens sobre o tratamento.

A lesão de Messi aconteceu no dia 21 de setembro no empate por a 1 a 1 contra o Atlético de Madrid - Barça vencia o jogo por 1 a 0 na ocasião -. Quem o rodeia relata o sofrimento no vestiário com a notícia de desfalque para a Argentina.

"É mais que companheiro. É meu amigo e sinto sua dor. Não tive muito o que falar com ele sobre a Argentina no momento do sofrimento. O conforto dele será nossa vitória em campo", destacou o companheiro de clube e seleção, Javier Mascherano.

"Ele manda mensagem aos jogadores, sofre muito com a seleção. Quem conhece o Messi sabe que ele não é de ver muito futebol na televisão. Só que a seleção da argentina é uma obsessão. Me chateia que nem mesmo por lá imaginem isso", comentou o jornalista argentino, Juan Irygoen, que trabalha no caderno esportivo do diário espanhol "El País" .

Em Barcelona, Messi passou por mais de 8 horas diárias de tratamento nos dez primeiros dias de recuperação. A obsessão agora é para cumprir a programação de retorno ao campo em alguns minutos contra o Deportivo La Coruña, pelo Campeonato Espanhol, no sábado dia 15 de outubro, e titularidade diante do Manchester City, pela Liga dos Campeões, no dia 18.

"Ele liga para o médico todo o dia. Chegou a tirar o chefe médico do Barcelona de um congresso na cidade ao pedir uma consulta de emergência. Todos sabem do excesso de vontade do Messi e respeitam muito isso", comentou Toni Padilla, editor do jornal esportivo catalão "Ara".

"Ele frequenta o vestiário mesmo lesionado. É incrível ver um cara com a história dele ser tão amigo de todos. Nos enche de satisfação e alegria saber que ele está aqui para nos apoiar", comentou o lateral/meia Sergi Roberto.

O apego

Quem rodeia Messi em Barcelona conta que o apego em momentos complicados estão nos filhos Thiago, de 3 anos e Mateus, de 1 ano. Morando em Casteldefells, uma cidade de praia ao lado de Barcelona, o argentino quase nunca é flagrado fora de casa.

Na cidade, o atacante Luis Suárez é vizinho de Messi. Ele também é o parceiro nas poucas vezes que vão aos restaurantes da região - às vezes acompanhados de Mascherano. O que ainda pesa a favor no relacionamento é o fato das esposas dos jogadores - Antonella (de Messi) e Sofía (de Suárez) - seguirem a mesma linha. Agora são inseparáveis. Com a ausência do uruguaio por conta das Eliminatórias, os filhos do argentino são ainda mais importantes para superar o momento ruim de tratamento. 

"Messi já era um cara calmo, reservado. Com o nascimento dos filhos se fechou ainda mais no mundo dele. A impressão que ele passa é de que nada tira sua paz. Mas quem o conhece sabe que não jogar pela Argentina o deixa intranquilo. Agora (contra o Peru) ele vai sofrer na TV", comentou Juan Irygoen.

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