Uma década de Coutinho: como novo xodó da seleção foi fisgado e moldado

Dassler Marques

Do UOL, em Natal (RN)

  • Arquivo Pessoal

    Coutinho com Neymar aos 15 anos na seleção: eles já faziam barulho juntos

    Coutinho com Neymar aos 15 anos na seleção: eles já faziam barulho juntos

Em janeiro de 2013, a direção do Liverpool-ING se baseava na indicação do olheiro-chefe Barry Hunter e de seu olheiro argentino Fernando Troiani sobre Philippe Coutinho para enviar uma proposta de empréstimo gratuito à Inter de Milão-ITA. Naquele momento, parecia algo ousado por uma promessa, mas os italianos fizeram um pedido ainda mais audacioso: 8,5 milhões de euros pelo garoto, o que foi prontamente aceito pelos ingleses.

Aos olhos de hoje, pode parecer uma pechincha. Coutinho se tornou o principal nome do Liverpool e, sob o comando de Tite, rapidamente desponta como jogador importante na seleção brasileira. Titular diante da frágil Bolívia, cumpriu o papel com gol, assistência e bom futebol para carimbar a decisão do treinador. Mas, naquele inverno europeu de 2013, não parecia racional investir cerca de R$ 30 milhões. Hoje, ele vale 35 milhões - mas de euros. 

Coutinho, vendido aos italianos ainda adolescente pelo presidente vascaíno Eurico Miranda, em meio ao rebaixamento à Série B em 2008, não havia se estabelecido na Europa. Ele chegou por lá assim que completou 18 anos, mas em duas temporadas e meia não alcançara nem 10 gols no Velho Continente. Mas, à direção do Liverpool, Hunter e Troiani apresentaram um plano de desenvolvimento para o jogador que conheciam desde os 14 anos.

Foi quando começou a se destacar nos infantis do Vasco, ainda como atacante, que Coutinho apareceu aos olhos da dupla de observadores. Naquele momento, os dois ainda trabalham a serviço de um rival do Liverpool, o Manchester City. Era o período em que Philippe se aproximou de Neymar na seleção sub-15 e despontou como principal nome quando o Brasil foi campeão do Sul-Americano da categoria. Os olheiros de vários clubes europeus se voltariam a ele, no que se concretizou tempos depois a venda à Inter de Milão. 

Mas, voltemos ao Liverpool. Mesmo com a afirmativa de que aceitava pagar 8,5 milhões de euros, o clube inglês precisou lutar por Coutinho, pois o Southampton-ING também apresentou oferta semelhante. Por trás do interesse estava Mauricio Pocchetino, treinador argentino que havia apostado em Philippe no Espanyol-ESP alguns meses antes e hoje brilha a serviço do Tottenham, com elogios públicos de gente como Pep Guardiola e Alex Ferguson. 

Reparou como Coutinho poderia estar no Manchester City, no Southampton ou, quem sabe, no Tottenham? Mas a opção pelo Liverpool se mostraria certeira, a ponto de ele crescer sem parar nos últimos três anos e meio. Os relatórios internos do clube inglês identificam uma ascensão com Brendan Rodgers e, mais recentemente, Jürgen Klopp. 

O primeiro dos treinadores fez um trabalho mental poderoso para dar confiança ao brasileiro. Faltava confiança para bater a gol, por exemplo, ou para ser mais vertical. Coutinho cresceu não apenas nesses aspectos, mas ganhou mais velocidade e também ficou mais competitivo para jogar sem a bola. Com Klopp, esse nível se elevou com treinamentos com uma intensidade bastante elevada, pouco vista nos dias de hoje, conforme relatos do clube inglês.

O resultado é que, três anos e meio depois, são 32 gols e 31 assistências pelo Liverpool, em que nem sempre ele joga assim tão perto do gol adversário. 

A seleção brasileira, antes com Dunga, agora com Tite, usufrui desse desenvolvimento. Campeão sul-americano aos 17 anos e mundial aos 20 pelo Brasil, Coutinho foi identificado pelo novo treinador como o jogador capaz de dar magia ao meio-campo da seleção. A ponto de repetir, para quem queira ouvir, o apelido de Mágico recebido por ele em Liverpool, exatamente uma década após os primeiros brilhos em nível internacional. 

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