Campeão pelo Flu, ex-lateral Ronald vira taxista: "Tricolores ficam loucos"

Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/ArquivoPessoal

    Ronald foi campeão brasileiro pelo Fluminense em 1995

    Ronald foi campeão brasileiro pelo Fluminense em 1995

Campeão carioca pelo Fluminense em 1995, o ex-lateral direito Ronald hoje é taxista no Rio de Janeiro. Mais de duas décadas após o título, porém, ele sonha em retornar ao clube das Laranjeiras para fazer o que sabe de melhor: dar aula de futebol.

Enquanto o sonho não se realizada, Ronald completa sua renda como taxista desde junho. Mas é difícil passar despercebido pelas ruas e avenidas cariocas. "Quando entra tricolor no táxi, os caras ficam loucos", conta ele à reportagem estacionado com seu táxi amarelo na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, na zona sul do Rio.

"Os caras tiram fotos, ficam batendo papo a corrida toda. Nas ruas as pessoas me reconhecem direto, foi muito marcante aquele gol do Renato Gaúcho de barriga [que deu o título carioca ao Fluminense em 1995]. Os torcedores do Fluminense reconhecem na hora, entram, ficam olhando e depois falam", explica Ronald.

Embora seja taxista há pouco mais de três meses, Ronald já conhece os dilemas da profissão. Perguntado se o novo ofício dá conta de sustentar as despesas, ele reclama da concorrência, mas admite que é o suficiente.

"O Uber está acabando com o taxista. O valor deles é muito baixo. Mas aqui na zona sul o pessoal ainda pega taxi, se você estiver na rua rodando direitinho, você consegue faturar, sim. É meu ganha-pão."

"Esse táxi é de um amigo que jogou a chave no meu peito e falou: 'é teu agora'. O carro é como se fosse meu, eu fico com ele direto e trabalho os 7 dias da semana. Deve dar quase uns 4 mil reais por mês, mas tem que tirar a diária 120 reais que vai para o dono do táxi. Eu faço a diária e o que entrar depois o valor é meu", diz.

Apesar da novidade de ser taxista, Ronald não abandonou a velha paixão. Há 17 anos, o ex-lateral tem uma escolinha de futebol que carrega seu nome e cujo gramado está passando por reforma – motivo, aliás, da nova vida como taxista. Como não queria ficar parado, ele aceitou o desafio da nova profissão.

Nesse período, Ronald trabalhou tanto nas categorias de base como no profissional de diversos clubes tradicionais do Rio de Janeiro, a exemplo de Olaria, Bonsucesso, São Cristóvão e América. Agora, ele quer realizar o sonho de voltar ao Fluminense.

 "Ser treinador aqui no Rio está muito difícil, clube pequeno você trabalha, mas às vezes não recebe. Eu estou numa expectativa muito grande da nova eleição que haverá no Fluminense, em novembro. Tem um candidato, o Mário Bittencourt, falou que sendo eleito, ele vai olhar com bons olhos para ex jogadores, o clube sempre busca capacitados e me vejo assim por ter trabalhado em vários clubes. É o meu sonho trabalhar no Fluminense", revelou ao com bons UOL Esporte

As lembranças do Fluminense

Agência Estado
Ronald marcou um dos gols do Fluminense na goleada por 4 a 1 sobre o Santos em 1995

À espera do resultado das eleições no clube de coração, Ronald ainda lembra com detalhes como chegou nas Laranjeiras aos 27 anos, vindo do Americano, onde era capitão do time. Ele recorda como ganhou a confiança do técnico Joel Santana e a titularidade na lateral direita da equipe que faria história em 1995.

"Eu fui para o Fluminense e aí chegou o Joel Santana como treinador no início do ano. No meu primeiro coletivo, o Joel pediu para eu assinar contrato, gostou. Você imagina eu jogando a minha vida toda em times pequenos, com uma certa idade, e me aparece o Fluminense? A motivação foi a mil e eu conquistei a titularidade", conta Ronald, hoje aos 50 anos. 

"Na primeira oportunidade que tive no time titular, eu não saí mais, eu fui titular da campanha de 95, Campeonato Estadual, Brasileiro e Copa do Brasil. Fui titular o ano todo e joguei os dois jogos contra o Santos pelo Brasileiro. Eu fiz até o gol de pênalti no 4 a 1 aqui [o Fluminense abrira vantagem no jogo de ida por 5 a 2]", relembra.

Perguntado pela reportagem sobre um caso marcante, uma história daquele ano vitorioso, o ex-lateral alimenta a eterna rivalidade com o Flamengo.  

"A gente estava concentrado, no sábado, antes da final [do Carioca] contra o Flamengo. Os torcedores do Flamengo programaram de soltar fogos a noite toda para a gente não dormir. O hotel era no Leme. Um torcedor do Fluminense ligou para o nosso supervisor e alertou. O supervisor acreditou e trocou a gente de hotel na noite de sábado, saímos pela porta dos fundos e fomos para outro hotel em São Conrado. Dormimos lá e realmente teve os fogos a noite toda no Leme, ninguém dormiu no hotel, mas o tempo todo o grupo estava dormindo em São Conrado. Dormimos tranquilos, voltamos de manhã para almoçar no Leme e realmente ficamos sabendo que aconteceu isso, a gente estava 1 a 0 na frente deles já", resgata Ronald, aos risos.

"Foi um momento especial, aquele ano o Fluminense estava há 8 anos sem ganhar um título estadual. Foi o ano que o Flamengo completou 100 anos e eles perderam o título."

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