Só dois de 39 campos reformados para receber seleções da Copa estão prontos

Aiuri Rebello

Do UOL, em São Paulo

  • Governo do Distrito Federal

    Estádio Antônio Otoni Filho (Cave), no Guará (DF): em obras para a Copa até hoje

    Estádio Antônio Otoni Filho (Cave), no Guará (DF): em obras para a Copa até hoje

A Copa do Mundo no Brasil acabou há dois anos e três meses, mas as obras em dezenas de CTs (Centros de Treinamento) e campos país afora para receber as seleções, não. De 39 estádios e campos de Norte a Sul que começaram a ser reformados para atender às necessidades das seleções da Fifa para a competição, apenas dois estão prontos até agora.

É o que revela relatório de auditoria da CGU (Controladoria Geral da União) nas contas do Ministério do Esporte concluída no final de julho e obtido pelo UOL Esporte. Foram 44 contratos assinados pelo Ministério do Esporte com Estados e municípios em 2012 e 2013, em um valor total de R$ 139 milhões, para realizar melhorias nas 39 instalações esportivas e assim elas terem condições de receber as seleções participantes do mundial de futebol.

As obras continuam em 29 campos

Além de até hoje apenas duas reformas programadas terem sido levadas a cabo -- a do Estádio Novelli Júnior, em Itú (SP), a um custo de R$ 3,5 milhões; e a do Centro de Treinamento de Seleções da Praia do Forte, que saiu por R$ 2,1 milhões -- nenhum destes projetos foi terminado antes do início do mundial da Fifa, revela a CGU. Três deles nunca foram iniciados, apesar da liberação da verba, e dez foram oficialmente cancelados. Nos outros 29 contratos, as obras continuam.

É o caso do Estádio Castelão, em São Luís do Maranhão. A liberação dos R$ 5 milhões para a reforma aconteceu em 2013 para que o local pudesse receber seleções da Copa. O estádio não foi aproveitado na competição e em junho deste ano, apenas 30% dos trabalhos estavam concluídos. Em Guará (DF), a reforma para a Copa do Estádio Antônio Otoni Filho também não ficou pronta nem a tempo da Olimpíada. A obra, iniciada em 2012, triplicou de preço e está estimada em R$ 8,8 milhões, conforme mostrou o UOL Esporte no final do ano passado. Até agora, apenas 3,4% do projeto foi feito.

Alguns dos CTs e campos oficiais de treino receberam seleções durante a Copa mesmo sem passar pelas reformas planejadas ou em meio às obras. É o caso do Centro de Treinamento do Corpo de Bombeiros, em Brasília, um dos campos de treino oficiais para as seleções que jogavam no Estádio Mané Garrincha. Foi lá que treinou a seleção brasileira nas duas passagens pela capital federal durante a competição. Pequenas reformas foram feitas pouco antes da Copa no local pelo próprio Corpo de Bombeiros do DF, dono do local. Do projeto de reforma de R$ 7,7 milhões aprovado pelo Ministério do Esporte, apenas 0,10% estava pronto em junho de 2016.

O estádio Rei Pelé, em Maceió, teve R$ 5,5 milhões liberados para sua reforma pelo governo em janeiro de 2013. Isso, porém, não impediu que o local recebesse a seleção de Gana, que usou o local como base de treinos, em meio às obras, conforme aponta a CGU. Hoje, mais de três anos e meio após o início do projeto, apenas 27,79% está acabado.

O órgão de controle conclui em sua análise que o governo falhou no cumprimento do objetivo destes projetos, já que a maioria destas intervenções não pôde ser aproveitada a tempo da Copa do Mundo. Perdidos os prazos e passada a competição, a CGU aponta ainda que não houve qualquer análise ou controle do Ministério do Esporte sobre estas obras e verbas, que ficaram jogadas por aí.

O Ministério do Esporte diz que sua missão de fomento à prática esportiva inclui melhorar estas infraestruturas por todo o país. "Como parte do plano de nacionalização do legado esportivo da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, um conjunto de estruturas públicas foi e está sendo qualificado para atender as diversas regiões do País", diz a nota enviada pela assessoria de imprensa. A pasta diz que já comunicou à CGU um plano de ação para acompanhar mais de perto estes empreendimentos e analisar caso a caso. 

Ao todo, 83 CTs de todo o Brasil constavam no catálogo da Fifa oferecido às seleções da Copa. Destes, 32 foram utilizados pelos times e 51 ficaram ociosos mesmo depois de receberem verbas para serem adequados para o Mundial. Em janeiro de 2014, cinco meses antes da Copa, o UOL Esporte revelou que o governo federal gastava R$ 149 milhões nestes campos que não seriam usados.

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