Novos estádios futuristas da Europa valem mais que arenas de 2014

Do UOL, em São Paulo

Vem aí uma nova leva de estádios que renovará a cara do futebol da Europa, na fronteira do que há de mais moderno em termos de conceitos arquitetônicos e de tecnologia. Puxado por projetos de clubes tradicionais do continente, boa parte desta safra de arenas sairá do papel por mais dinheiro do que as obras mais caras da Copa do Mundo do Brasil, realizada há dois anos.

Segundo balanço final do Ministério do Esporte, três estádios de 2014 custaram mais do que R$ 1 bilhão: Maracanã (R$ 1,050 bilhão), Arena Corinthians (R$ 1,080 bilhão) e Mané Garrincha (R$ 1,403 bilhão). Por sua vez, neste momento na Europa, Barcelona, Chelsea, Zenit, Tottenham, Real Madrid e Roma terão novas arenas ou reformarão suas antigas casas com projetos que igualam ou superam esse patamar. Conheça abaixo desenhos dos projetos e confira as curiosidades destes palcos esportivos do século 21:

Zenit terá um dos estádios mais caros da história do futebol

REUTERS/Pawel Kopczynski

Em preparação para a Copa de 2018, a Rússia também colabora para renovar os palcos do futebol europeu – assim como França, Polônia e Ucrânia fizeram recentemente, graças às últimas edições da Euro, e a Alemanha, com o Mundial 2006. Neste pacote, o novo estádio do Zenit em São Petersburgo chega como a principal atração, a despeito de todos os problemas que envolvem a sua execução.

Chamado de "A Espaçonave", o estádio terá teto retrátil e gramado que poderá deslizar para a área externa. No entanto, a arena que abrigará 68 mil torcedores teve o custo aumentado em mais de seis vezes desde que o projeto foi apresentado, em 2006. De acordo com autoridades de São Petersburgo, a inflação se deve principalmente à adequação a padrões de segurança da Fifa (a realização da Copa veio depois do início do projeto). 

Atualmente a arena tem custo calculado em R$ 1,8 bilhão, mas a imprensa europeia tem noticiado o temor da Fifa de que São Petersburgo se aproxime do valor final de Wembley, o estádio de futebol mais caro da história (R$ 4 bilhões). Frequentes paralisações de trabalhadores por falta de pagamento podem contribuir para essa conta aumentar. Atualmente o status de conclusão é de 85%, e a cidade promete cumprir o cronograma para ser sede da Copa das Confederações de 2017.

Londres ganha novas obras e vira super capital das arenas

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Os projetos em andamento de Chelsea e Tottenham devem confirmar Londres como a capital mundial das arenas de futebol. Com as duas novas obras, a cidade inglesa passará a ter cinco estádios modernos dentro de seus limites. Isso, contando já com palcos erguidos neste século, como o Olímpico (casa do West Ham), além de Wembley e Emirates (casa do Arsenal) – os últimos dois, inclusive, estão entre as dez arenas mais caras do esporte, junto com oito complexos esportivos dos EUA.

Com parte do projeto bancada pelo seu proprietário, o russo Roman Abramovich, o Chelsea verá a capacidade do Stamford Bridge saltar de 41.600 para 60 mil espectadores. O clube planeja rebaixar o nível do estádio para atender os parâmetros do projeto, que persegue a feição externa de uma catedral. A nova arena custará cerca de R$ 1,9 bilhão e deve ficar pronta para a temporada 2020-2021.

Já a obra do Tottenham parece mais engenhosa, pois o time não precisará abandonar o velho White Hart Lane durante a construção da nova arena. O estádio será construído em terreno bem ao lado da casa antiga. Com capacidade prevista de 61 mil torcedores e custo de R$ 1,5 bilhão, o palco deverá ser adaptável para partidas oficiais da NFL (futebol americano).

Barça voltará a receber mais de 100 mil com ícone verde 

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A partir de maio do próximo ano o Barcelona colocará em prática um ambicioso projeto que deseja tornar o Camp Nou referência para o futebol mundial, seguindo a reputação esportiva de seu time, o mais badalado deste século. Inaugurado em 1957, o velho estádio catalão ficará pronto após a reforma em fevereiro de 2021, sem que a equipe precise atuar em outro local durante a obra.  

Com a construção de um terceiro anel de arquibancada, o Camp Nou voltará a receber mais de 100 mil torcedores (105 mil, exatamente). Hoje a capacidade oficial do estádio é de 99.354, mas a casa blaugrana já abrigou 120 mil em uma partida em 1986, por exemplo.

A arena também promete ser uma referência sustentável, reaproveitando água da chuva acumulada na cobertura, bem como usando energia solar. A fachada idealizada pelos arquitetos do escritório japonês Nikkei Sekkei será aberta e pretende que o estádio dialogue visualmente com o resto da cidade. Por fim, o projeto estimado em R$ 2,1 bilhões inclui a remodelação urbanística da região, com a reforma do ginásio Palau Blaugrana e do Mini Estadi, onde joga o Barcelona B.

Madri terá Bernabéu com telão gigante e caldeirão do Atlético

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Com custo estimado de R$ 1,4 bilhão, o novo Santiago Bernabéu enfim vai sair do papel, após anos de estudos e debates. A previsão é de que a reforma dure três anos, com início no verão europeu de 2017. A capacidade da casa "prateada" do Real Madrid será ampliada para 84 mil espectadores.

Uma das novidades da arena será o teto retrátil, que poderá ser fechado em dias de chuva. Mas a grande atração promete ser o imenso painel de LED localizado na área oeste da arena, junto à avenida Passeo da le Castellana. A intenção é que esse espaço sirva como ponto de transmissões e eventos especiais – "mostrando o interior do Santiago Bernabéu para o exterior", diz o clube.

Já a nova casa do Atlético de Madri entra em cena bem mais cedo, já na temporada 2017-18. La Peineta substituirá o Vicente Calderón e promete ser um "caldeirão", quem sabe um passo definitivo para a afirmação do clube como um dos grandes do continente. Com custo estimado em R$ 770 milhões, a arena terá capacidade de 67 mil espectadores e será 96% coberta. Desta forma, com escassez de sol, o gramado natural precisará passar por tratamentos com luzes especiais.

Casa própria da Roma: modernidade e agrado à organizada

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Depois de dividir por décadas com a rival Lazio o Olímpico, considerado um estádio obsoleto para padrões atuais, a Roma trabalha para ter sua casa própria. Com custo estimado em R$ 1 bilhão, o Stadio della Roma terá capacidade para 52 mil pessoas – com possível ampliação para 60 mil. A previsão de entrega da obra é agosto de 2019.

Desde o desenho o projeto contemplou espaço especial de 14 mil lugares para torcedores organizados do time, os membros da Curva Sud do antigo Olímpico.

Localizado na área que antigamente abrigava um hipódromo, o novo estádio pretende fazer tributo à história de Roma em suas linhas de arquitetura. Ao contrário do Olímpico, que conta com pista de atletismo, a arena também promete proximidade do torcedor com o gramado – 8,9 metros será a menor distância, enquanto que a maior será de 11,7 metros.

Pequenos de Espanha e Itália: projetos sob medida

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Não são somente os mais tradicionais times que colaboram para a renovação de paisagem do futebol europeu. Aos poucos, clubes pequenos e médios de Espanha e Itália também apresentam palcos com a cara do século 21, mesmo que as dimensões e as cifras não estejam nos padrões exagerados dos gigantes do continente.

Recentemente a Espanha já celebrou a renovação dos estádios de Athletic Bilbao (San Mamés) e Espanyol (Cornellà-El Prat). Agora o país acompanha as obras do Balaídos e do Anoeta. O primeiro, casa do Celta em Vigo, se converterá em uma arena coberta para 31 mil pessoas, com conclusão prevista para 2017 e custo de R$ 112 milhões [fachada, na imagem acima]. O segundo será a sede renovada da Real Sociedad, para 42.300 espectadores e valor de obra de R$ 175 milhões. 

O impasse na Espanha se dá com o Valencia, que começou em 2007 as obras do Nou Mestalla, interrompidas quatro anos depois. Em 2013, o clube arredondou o projeto para baixo (reduziu capacidade de 70 mil para 61,5 mil e custo de 160 milhões para 100 milhões de euros). Assim, a expectativa é ver a arena finalmente pronta somente em 2020.  

Depois de celebrar o novo estádio da Juventus e esperar pelo Stadio della Roma, o futebol italiano também contará com casas modernas de alguns clubes médios. O Cagliari constrói um charmoso estádio para apenas 21 mil torcedores, junto ao mar da Sardenha, previsto para 2019 e orçado em R$ 192 milhões. Já o Palermo conta com um projeto no papel e espera cumprir questões burocráticas para começar a construção.

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