Íbis revive dias de pior do mundo e abraça tapetão pra se salvar de fiasco

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação/Íbis

    Mauro Shampoo se junta a torcedores do Íbis, que não viram seu time ganhar em 2016

    Mauro Shampoo se junta a torcedores do Íbis, que não viram seu time ganhar em 2016

Depois de uma década apresentando um futebol de nível razoável, o Íbis enfim fez uma campanha à altura de suas tradições e conseguiu míseros dois pontos em oito jogos – dois empates e seis derrotas – na segunda divisão do Campeonato Pernambucano.

A trajetória rendeu ao popular pior time do mundo a última posição entre os nove participantes do torneio. Os oito primeiros se classificavam ao mata-mata decisivo. Apenas o lanterna seria rebaixado, e esse seria o destino do Íbis não fosse um fatídico personagem do futebol brasileiro: o tapetão.

"Deixaram a gente voltar, agora é bronca", disse por telefone, pontuando a frase com uma risadinha, o presidente Ozir Urubu, apelidado assim porque o mascote do Íbis é um pássaro negro. "Eu falei hoje pros meus jogadores: 'Fui eu que ganhei essa classificação, não foram vocês, não!'"

O cartola, que tira dinheiro do bolso para pagar a "ajuda de custo" dos atletas (ele não se atreve a chamar de salário), tinha ido na véspera ao Tribunal de Justiça Desportiva pleitear que três de seus adversários deveriam perder pontos pela escalação irregular de jogadores. O tribunal acatou o pedido: Ferroviário, Centro Limeirense e Barreiros perderam seis pontos.

Ainda cabe recurso, mas por enquanto o Íbis já se considera dono de uma das vagas no mata-mata.

"Com certeza era melhor ganhar em campo", disse o presidente Urubu, um pouco menos eufórico. "Mas quem viu os jogos percebeu que perdemos muitos por azar mesmo. Alguns jogamos melhor, só não conseguimos transformar em vitória. Nosso time não é o pior do campeonato."

Pior campanha devolve o título de pior do mundo

Depois de entrar no livro dos recortes como a equipe com a maior sequência sem vitórias do futebol mundial – marca conquistada nos já longínquos anos 80, com 23 jogos sem vencer – o Íbis experimentou um período de razoável sucesso na alvorada do terceiro milênio.

Em 1999 conseguiu um inédito acesso à primeira divisão estadual e de 2005 até hoje tem feito campanhas pobres, porém limpinhas, na segundinha. No ano passado, chocou o mundo do futebol alternativo ao golear o Timbaúba por 8 a 2 fora de casa, em um estádio cujo placar nem dispunha do número 8 para exibição.

Os jogadores ainda se perguntam o que deu errado em 2016. O goleiro Rodrigo tem 25 anos e há quatro defende a camisa rubro-negra do Íbis. "Essa foi a pior campanha que aconteceu desde que estou aqui. Nos outros anos a gente brigou sempre com foco de subir. Oito jogos sem vencer é a pior campanha do Íbis que já presenciei."

"Faltou competência, perdemos no detalhe, faltou aquele caprichozinho final", listou o goleiro, que agora espera aproveitar a segunda chance que o tapetão lhe deu de ainda brigar pelo acesso.

O presidente Urubu, satisfeito com o departamento jurídico de seu clube (no caso, capitaneado por ele mesmo), acredita que o Íbis é um exemplo de organização na segundinha pernambucana, embora lhe faltem os recursos financeiros para voar mais alto. "Não temos dinheiro, mas a nossa camisa ainda pesa", garantiu Urubu.

"Toda semana o Íbis está na Globo, na local e na nacional. Que outro clube tem isso?", se pergunta ele e dá outra risadinha.

O cartola espera subir à elite, mas nega que isso possa colocar em risco o título de pior do mundo que o Íbis carrega há três décadas. "Sempre aparece alguém para nos desafiar, mas o verdadeiro pior time do mundo somos nós, não adianta."

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