Diego Alves revela táticas para pegar pênaltis de craques como Messi e CR7

Bruno Freitas

Do UOL, em São Paulo

Quando Messi partiu para a cobrança de pênalti no último sábado, aos 49 minutos do segundo tempo na dramática vitória do Barcelona sobre o Valencia, todas as atenções se voltaram para Diego Alves. Afinal, diante do melhor jogador de sua geração estava o recordista de defesas em disparos desta natureza no futebol espanhol. Foram poucos centímetros, mas desta vez o goleiro não conseguiu parar o argentino, como já fizera em um jogo de 2012. Mesmo assim, o folclore em torno de sua performance no tiro de 11 metros saiu fortalecido. Principalmente pelo flagrante de uma de suas artimanhas mais eficientes: a intimidação.

Em dez anos, Diego Alves parou 19 pênaltis de 42 batidos contra sua meta no Campeonato Espanhol (outros dois foram para fora e 21 resultaram em gol). Ao todo, o currículo do brasileiro em todas as competições na Espanha é de 22 defesas em 45 cobranças. A reputação do goleiro foi construída através de números impressionantes, mas, sobretudo, em razão da lista de craques frustrados. Messi, Cristiano Ronaldo, Mandzukic, Rakitic, Diego Costa e Griezmann estão na relação de jogadores que ficaram nas mãos do camisa 1 do Valencia.

Tecnicamente, Diego Alves tem como hábito acompanhar visualmente o batedor durante a corrida, eventualmente dar um passo ao lado e esperar até o último momento para definir o momento certo de saltar. Ou seja, o brasileiro nunca escolhe o canto. Já no "xadrez psicológico" do pênalti, o goleiro procura identificar alguma fragilidade emocional do rival nos instantes que antecedem o chute.   

Contra Messi no último sábado, Diego Alves conseguiu pela primeira vez furar a concentração quase impenetrável do argentino para usar sua tática de provocação. A leitura labial flagrada por uma TV espanhola mostrou o brasileiro falando junto ao ouvido do rival: "Eu já parei você antes, lembra?". Em entrevista ao UOL Esporte na semana passada, antes da partida, o goleiro afirmou que a intimidação verbal é parte importante do repertório que desenvolveu para defender pênaltis.

"Eu acho que é bom você ter esse contato com a pessoa que vai chutar. Até mesmo para saber se ela está nervosa, se ela está pensando. É importante esse primeiro contato para você sentir se a pessoa está pressionada", afirmou Diego Alves. "Tem o contato verbal, você vê a cara da pessoa como é que está. Você conversar com a pessoa é importante nesse momento. Apesar de que muitos não conversam, porque estão pensando onde têm que chutar. Mas sempre que eu posso me aproximar para tentar desestabilizar ajuda para você defender o pênalti", acrescentou.

AFP PHOTO/ DANI POZO

Placar de 2 a 1 no "mano a mano" com Cristiano Ronaldo

Se Diego Alves perde no duelo direto com Messi por 3 a 1, o placar contra Cristiano Ronaldo é favorável: duas defesas e só um gol sofrido. Diferentemente da interação com o argentino, o goleiro já conseguiu fazer sua tática de provocação abalar a concentração do astro do Real Madrid.

"Com o Cristiano, eu lembro que conversei com ele. Da primeira vez, não. Na segunda eu tive tempo de conversar. E o Messi, aquela tranquilidade que ele demonstra jogando é a mesma. Você não consegue ter uma definição do que ele pode fazer", relata.

Em setembro passado Diego Alves se tornou o recordista de defesas de pênaltis no Campeonato Espanhol ao ultrapassar uma marca antiga de Andoni Zubizarreta, ídolo do passado de Barcelona e seleção local. No entanto, o brasileiro apresenta 45% de aproveitamento no fundamento, contra apenas 15% do ex-goleiro (Zubizarreta se aposentou com 16 defesas em 103 penalidades).

"Voltar à seleção passa pelo trabalho no Valencia"

Lucas Figueiredo / MoWA Press

A última aparição de Diego Alves na seleção brasileira aconteceu sob o comando de Dunga, na edição deste ano da Copa América. No entanto, o jogador do Valencia não saiu do banco de reservas naquela oportunidade. Hoje, meses depois, o recordista de pênaltis ainda não apareceu na nova fase da equipe nacional, agora dirigida por Tite. Na convocação mais recente, o treinador privilegiou Alisson (Roma), Weverton (Atlético-PR) e Alex Muralha (Flamengo).

Diego Alves foi treinado por Tite no Atlético-MG e conhece Taffarel de compromissos com a seleção. Mesmo assim, o jogador do Valencia afirma que ainda não foi procurado pela nova comissão técnica da seleção, não recebeu nenhum tipo de sondagem a respeito de seu momento técnico (o preparador de goleiros disse recentemente ao Sportv que o atleta está na lista de nomes a serem considerados).

"O trabalho vem sendo feito. Acho que um jogador que já fez parte da seleção e ainda quer voltar tem como prioridade sempre defender a seleção, representar o seu país. E isso depende do seu trabalho. A partir do momento que seu trabalho tem sido bem feito, sendo reconhecido, você cria essa ilusão de querer voltar à seleção brasileira. Com a mesma humildade de sempre, de outras convocações. Sigo fazendo meu trabalho e esperando uma oportunidade", comentou.

"Não tive contato com o Tite ainda. O Tite tem vários nomes que podem ser convocados, ele faz análises. A questão mesmo é de opinião do treinador, juntamente com o Taffarel. Como eles mesmos falaram que estão acompanhando os jogadores que podem servir a seleção, eu tenho que fazer o meu trabalho, da mesma maneira, que com certeza essa oportunidade pode chegar", acrescentou o goleiro.

Reconhecimento no Brasil é menor do que na Espanha

REUTERS/Stoyan Nenov

A série de defesa nas últimas semanas ratificou o status de reverência a Diego Alves na Europa e colou a seu nome o título de "maior pegador de pênaltis da história do futebol espanhol". No entanto, a notoriedade do brasileiro do Valencia em seu próprio país ainda segue desproporcional. Mas o goleiro assegura que a isso não abala sua concentração na vida competitiva.

"Eu tento fazer o meu trabalho da mesma maneira. O reconhecimento no Brasil é complicado, às vezes porque eu não jogo no Brasil. Eu tenho uma identificação em outro país. Se disser que eu me importo com isso... eu não me importo. Eu venho sendo reconhecido aqui pelo meu trabalho. As pessoas que me conhecem sabem do meu potencial e do nível que eu venho apresentando esses anos. Não é uma obsessão esse reconhecimento no Brasil", comentou Diego Alves.

"Com certeza (o tratamento é diferente nos dois países). Eu saí do Brasil com 21 para 22 anos. Hoje eu tenho 31 anos. É muito tempo. Em Belo Horizonte eu sou reconhecido. Às vezes as pessoas me olham e falam: 'você foi goleiro do Galo'. Tem alguns que não esquecem, mas já faz muito tempo. Eu participei de um momento importante da história do Atlético [a conquista da Série B]. Então isso faz as pessoas me reconhecerem bastante quando estou em Belo Horizonte", ressaltou.

Além do sucesso nos pênaltis e dos anos em alto nível de competição, Alves ainda carrega o recorde de permanecer sete partidas sem sofrer gols, conquistado logo em seu primeiro ano de Espanha, ainda com a camisa do Alavés. O brasileiro acumula dez anos no país, sendo seis deles com a camisa do Valencia.  

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