Flu ou Botafogo? Carlos Alberto Torres escondia time até de filhos e netos

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

A morte do Capita: Craque por onde passou e autor de gol antológico

Após um dia inteiro de dor e silêncio, o ex-zagueiro Alexandre Torres só encarou microfones e perguntas para falar sobre a morte de seu pai já na madrugada desta quarta-feira (26). Tímido e com a já conhecida voz baixa, ele não escondia a emoção durante o velório na sede da CBF. A tristeza também deixava os olhos marejados. O leve sorriso só apareceu quando questionado sobre o time de coração de Carlos Alberto Torres.

Na primeira tentativa da reportagem, ele apenas riu. Na segunda, deixou o silêncio de lado. "Tá aí algo que nunca vou saber", se esquivou. Perguntado se o Capita torcia para Fluminense ou Botafogo, brincou. "Ele falava lá em casa que torcida para o Cosmos [time de Nova Iorque que defendeu no final da carreira]".

O mistério passava por gerações na família Torres. "Meu filho perguntava e ele não falava, os netos nunca sabiam. Era uma dúvida geral. Ele deixava esse assunto quieto. Não sei mesmo. Mas agora deixa para lá", comentou Alexandre Torres.

No velório, a família também evitou qualquer ligação com clubes. Filhos, esposa e netos solicitaram que nenhum símbolo de time fosse colocado sobre o caixão, que ficou coberto apenas com uma bandeira do Brasil.

Pedro Ivo Almeida/UOL
Corpo de Carlos Alberto Torres foi velado no auditório da CBF

Apesar do mistério, o velório do Capita revelava a ligação especial com o Botafogo, clube onde atuou como jogador e treinador. Dirigentes de várias épocas do alvinegro marcaram presença no auditório da CBF. Na porta, alguns torcedores da Estrela Solitária também tentavam prestar uma homenagem.

O Flamengo, onde Carlos Alberto venceu o Campeonato Brasileiro de 1983 como técnico, também se fez presente. O diretor executivo de futebol Rodrigo Caetano e o técnico Zé Ricardo foram até a CBF, além do CEO do Rubro-negro, Fred Luz.

O presidente do Vasco, Eurico Miranda, também passou rapidamente no local, chegando às 23h45 e deixando a Confederação às 23h55. Deu um abraço apertado em Alexandre Torres, tricampeão carioca, campeão brasileiro e da Mercosul pelo Cruzmaltino.

"A história dele está espalhada por todo mundo, vários clubes. Ficamos felizes com esse carinho. Isso realmente conforta. A trajetória do jogador foi eternizada. O que fica agora é a saudade do chefe de família, do pai, do avô. É um momento de dor, mas vamos superar. Ficamos mais confortáveis com todas as homenagens e agradecemos muito", finalizou Alexandre Torres.

Encerrado pouco depois da 00h, o velório foi reaberto às 6h desta quarta e continuará até 9h, quando o corpo do Capita seguirá em carro dos Bombeiros para o cemitério de Irajá. O sepultamento está marcado para 11h.

Aos 72 anos, Carlos Alberto Torres morreu no final da manhã de terça após um infarto fulminante enquanto estava em casa.

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