Polícia admite agressão a torcedor morto; vídeo mostra vítima caída

Adriano Wilkson e Enrico Bruno

Do UOL, em São Paulo e Belo Horizonte

Após um exame de necropsia, a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou os múltiplos traumas no corpo do torcedor do Cruzeiro Eros Dátilo Belizardo, que morreu na última quarta-feira (26) no Mineirão. Segundo uma amiga que estava com ele no estádio, Eros foi agredido com socos, choques e um mata-leão por seguranças terceirizados e depois passou mal.

De acordo com a polícia, as lesões não são suficientes para explicar a morte do torcedor. A corporação não confirmou em que momento Eros foi agredido e disse que novos exames são necessários para se chegar à causa da morte – eles devem ficar prontos em 30 dias. A primeira informação era a de que Eros havia sido vítima de um infarto.
 
"A equipe coordenada pelo delegado Luis Otávio Mattozinhos, responsável pelo inquérito policial, já iniciou as investigações e irá ouvir testemunhas nos próximos dias", diz a nota da polícia. "O corpo de Eros foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exame. Segundo a diretora do IML, a médica legista Lena Lapertosa, o corpo apresentou sinais externos de trauma, no entanto, essas lesões não justificam o óbito. Por essa razão, serão necessários a realização dos exames anatomopatológico e toxicológico, que já estão em curso. O prazo para conclusão dos exames é de 30 dias."
 
Uma amiga Eros, a também cruzeirense Alexsandra Luciano de Abreu, de 34 anos, estava com ele no momento em que ele passava mal. Ela diz que o amigo desmaiou por conta de socos, choques e um mata-leão desferidos por dois seguranças da Prosegur, empresa terceirizada que fornece funcionários ao Mineirão.
 
"Perguntamos duas vezes se podíamos mudar de setor, e os seguranças disseram que não porque tinham câmeras", conta ela. "Quando o Eros foi insistir a terceira vez dois já chegaram gritando 'Eles vão invadir!' e deram um mata-leão nele. O que deu um mata-leão também asfixiava ele com a outra mão. Outro dava socos e choques."
 
"O Eros tentava sair do mata-leão mas foi apagando aos poucos", disse ela. Levado a uma sala por alguns segundos, ele logo foi colocado no chão de um corredor do estádio, onde outro torcedor fez imagens do momento em que é atendido. Nas imagens, um dos seguranças presta atendimento a Eros, enquanto outro torcedor o abana com uma camisa.
 
No vídeo, Alexsandra aparece acusando um dos seguranças de ser responsável pelas agressões.

Torcedor organizava festa de aniversário de organizada

Eros foi levado ao hospital, mas já chegou morto. Ele tinha 37 anos e era diretor da Pavilhão Independente, uma das organizadas do Cruzeiro. Antes do jogo, ele estava organizando o aniversário de 19 anos da torcida e convidando outros membros para a festa. "Agora, em vez de festa, vamos fazer o enterro dele", lamentou Leandro Ribeiro, outro diretor da torcida.
 
O Cruzeiro lamentou a morte do torcedor e arcará com os custos do enterro, de acordo com a organizada. Eros treinava jiu-jitsu e muai thay e deixa uma filha.

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