Depoimento dos PMs dificulta tese de inocência de corintianos presos

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

Convicta de que a grande maioria dos 31 presos no Maracanã não aparece nas imagens agredindo os policiais militares, a defesa dos corintianos tem reunido uma série de provas e aposta também na falta de individualização dos casos para conseguir soltá-los em breve do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu (RJ).

Pesa contra a tática, porém, o depoimento dos próprios policiais envolvidos no tumulto. De acordo a juíza Marcela Caram, da central de custódia do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), eles detalharam o delito que, supostamente, cada um praticou no dia confusão (23).

"Nesse tipo de ação, onde há uma briga quase generalizada, é difícil dizer que fulano deu soco na vítima tal. A sustentação dos advogados de defesa é a da falta de individualização das condutas, só que as vítimas e testemunhas do estado policial narraram e apontaram para cada um dos custodiados dizendo as agressões que eles tinham praticado, até de dano ao patrimônio público. É óbvio que de um modo mais superficial, porque estamos tratando de um inquérito policial", disse a juíza.

Recentemente, o polêmico julgamento dos policiais envolvidos na chacina do presídio do Carandiru (SP), por exemplo, foi anulado justamente com o argumento judicial da falta de individualização dos casos.

Até o momento, o Tribunal de Justiça já negou dois habeas corpus coletivos aos corintianos e um ao preso André Tavares.

Atualmente, mais dois documentos deste tipo foram impetrados e estão sob análise da desembargadora Suimei Meira Cavalieri na 3ª Câmara Criminal.

Policiais podem ser indiciados

Na contramão da situação dos corintianos estão os policiais militares. Após os presos que alegaram terem sofrido agressões passarem por exames de corpo de delito no IML, o Ministério Público avaliará se os oficiais serão indiciados ou não.

No dia da audiência de custódia, a grande maioria dos 31 detidos alegou ter sido agredida, mas somente um afirmou conseguir lembrar da fisionomia de dois policiais caso eles sejam apresentados.

"Isso tudo vai ser em um futuro processo a ser aberto pelo Ministério Público se ele entender que houve abuso de poder ou lesão corporal. Aí o MP que tem que decidir qual medida vai solicitar em juízo", declarou Caram.

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