Negócio da China? Entenda o imbróglio que separa Wagner do Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Paulo Sérgio/Photocamera

Em conversas avançadas com o meia Wagner, ex-Fluminense, para a temporada 2017, o Corinthians precisa da liberação do meia de 31 anos para efetivar a contratação. A situação juridicamente é complexa e envolve o último clube do atleta, o Tianjin Teda-CHN. A princípio, é necessário um acordo entre as partes. 

Representante do jogador, o empresário mineiro João Sérgio afirma que ele está liberado para assinar com qualquer equipe. Wagner e o agente se sustentam com parecer jurídico do advogado Breno Tannuri, especialista em questões que envolvem a Fifa. Mas, nesse momento, Breno admite que não há 100% de convicção sobre a liberação do jogador por parte do Tianjin Teda.

O contrato que havia sido firmado entre atleta e a equipe chinesa se encerra no fim do primeiro semestre de 2017. 

A origem do imbróglio

Na última janela de transferências da China, no meio do ano, o clube de Wagner inscreveu novos atletas estrangeiros e, como havia ultrapassado o limite permitido, removeu o nome dele, que assim deixou de fazer parte do elenco. 

Há cerca de três meses, insatisfeitos pela situação, Wagner e seus advogados optaram pela rescisão unilateral de contrato com o Tianjin. "Ele rescindiu por justa causa, por ter sido retirado da lista de registrados sem razão", justifica Breno. De acordo com o advogado, a equipe foi notificada, mas não deu qualquer resposta e, aparentemente, consentiu a rescisão. 

"É um problema do clube. Antes de tomar essa decisão, o Wagner fez tudo o que tinha de possível, porque tal atitude implicaria nas legislações da Fifa", acrescenta, ainda, Breno a respeito da rescisão unilateral. 

Os próximos passos

Com essa rescisão, Wagner agora procura uma nova equipe para jogar. Entretanto, para ser novamente registrado na Fifa, ele precisará da liberação do Tianjin Teda no momento em que uma inscrição seja feita para 2017. O sistema em que essas transações são feitas é chamado de TMS (Transfer Matching System).

"Nesse momento, o ex-clube do Wagner terá três possibilidades. Liberar a transferência, não liberar ou não responder. Se não responder em 15 dias, a CBF pode autorizar o jogador a atuar pelo novo clube com o qual ele firmar um contrato", explica Breno Tannuri.

Em caso de não haver liberação, a equipe interessada em Wagner poderá solicitar uma inscrição provisória enquanto o processo seja discutido dentro da Fifa entre o jogador e o Tianjin. 

Casos parecidos

Pelo menos três jogadores enfrentaram situações semelhantes recentes com clubes chineses. Em dois deles, Breno atuou para obter a liberação, casos entre o volante Renê Júnior (então no Guangzhou, hoje na Ponte Preta) e o centroavante Jô (então no Jiangsu Suning, hoje justamente no Corinthians). 

Quem também atravessa momento parecido é Diego Tardelli. Na última janela de transferências, o Shandong Luneng adquiriu dois novos atacantes estrangeiros e optou por abrir mão dele na Liga Chinesa. Tardelli foi relegado ao elenco reserva, mas após trocas de farpas públicas resolveu permanecer sob contrato com o Shandong. É possível que, nesta janela, ele seja negociado ou reintegrado ao Shandong. 

Especialista endossa posição

Especialista em direito desportivo, o advogado Louis Dolabela lembra que o regulamento de transferência de jogadores da Fifa, em especial o intitulado "terminando um contrato com justa causa esportiva", afirma em seu artigo 15 que um atleta tem o direito de encerrar de forma unilateral seu vinculo com um clube caso tenha participado de menos de 10% das partidas daquela equipe na ultima temporada.

Qual a posição do Corinthians?

O clube ainda não comenta a respeito do interesse em Wagner para 2017, mas acredita ser o favorito para acertar com o jogador nos próximos dias. Ele se encaixa no perfil de reforços para o próximo ano, com experiência, qualidade anteriormente comprovada e livre para assinar. 

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