Ralf curte vida na China com patinete, carne estranha e encaminha renovação

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

    Ralf em Beijing: ida aos treinamentos é com patinete motorizado

    Ralf em Beijing: ida aos treinamentos é com patinete motorizado

A transferência do Corinthians para a China foi inesperada, mas o balanço após a primeira temporada no Beijing Guoan é dos melhores. Além do aspecto financeiro, Ralf descreve situações sobre a vida na capital chinesa que indicam satisfação. Ir aos treinamentos da equipe ao lado do colega Renato Augusto montado em um patinete que chega a 50 quilômetros por hora, por exemplo, é uma delas. "No Brasil seria impossível", conta ao UOL Esporte.

Dentro de campo, as coisas também vão bem. Entre os cinco melhores estrangeiros da temporada, Ralf agradou os chineses a ponto de já ter alinhavado a renovação de seu contrato. Antes com permanência assegurada até 2017, ele tende a estender seu vínculo até 2019. Ao lado de Renato Augusto, forma o coração da equipe que começou o ano em crise sob o comando do italiano Alberto Zaccheroni e deslanchou com um auxiliar à frente do time.

Mesmo assim, a quinta posição do Campeonato Chinês que terminou no último fim de semana não agrada para aquele que é o clube de maior média de público do país e agora passa a planejar 2017. Ralf espera fazer parte dos planos e não se importa com os obstáculos: comer uma carne estranha, só jantar macarrão em hotel, se comunicar com mímicas...a experiência na China está boa e ele quer continuar. 

Abaixo, veja as principais declarações de Ralf em entrevista ao UOL Esporte:

ACIMA DAS EXPECTATIVAS
Estou muito feliz. Foi muito mais do que eu esperava para um primeiro ano. O primeiro ano fora costuma ser difícil. Em seis meses eu me adaptei melhor, há alguns jogadores que falam inglês e espanhol e isso ajudou muito. Ter o Renato aqui também me ajudou. Quando cheguei, também tinha o Kleber (centroavante ex-Palmeiras e Atlético-MG), que foi embora. Estou contente com o trabalho, e eles estão contentes com o meu trabalho .

RENOVAÇÃO ENCAMINHADA
Meu empresário (Alisson Garcia) conversou com o pessoal. Eles têm interesse e vamos conversar ao término da competição. Os chineses são mais precavidos, esperam o momento oportuno de fazer as coisas. Eu ainda tenho um ano de contrato.

ENTRE OS MELHORES ESTRANGEIROS
Não tem muita diferença do que eu fazia no Corinthians. Executo o mesmo papel, mas é claro que são jogadores de outra qualidade, de outro nível. É uma adaptação a uma realidade nova, um futebol diferente onde eles param muito os jogos. Venho com a equipe, venho crescendo. Tivemos um início muito ruim, e agora ficamos em quinto.

Reprodução
Ralf em capa de revista do Beijing Guoan

NA BRONCA COM OS ÁRBITROS
A arbitragem que estávamos acostumados é totalmente diferente, aqui não tem muito contato. Os árbitros chineses evitam (deixar correr o jogo). A gente às vezes vê que não foi falta e eles acabam dando. O jogo para muito por isso. Os jogadores estrangeiros estão adaptados e não caem, mas os chineses fazem cera. Aqui, são quatro cartões amarelos para suspender. Fora isso, não muda muita coisa. Os campos são bons em sua grande maioria, e no nosso estádio a torcida comparece em massa. É um time de torcida grande.

DUNGA A CAMINHO?
Nos noticiários tem saído o nome do Dunga, que ele é o mais forte. Pelas informações que tenho, não tem nada certo e não acertaram com ninguém ainda, mas as conversas, pode ser, estão adiantadas. Para mim seria ótimo por ser um treinador brasileiro, ficaria mais fácil. É um cara que trabalhou na seleção, no Internacional, então o cara entende.

RENATO AUGUSTO EM DESTAQUE
O Renato teve experiência de jogar na Alemanha, de jogar fora, eu não tive essa experiência, então ele me ajudou muito. O Renato vem me ajudando no dia a dia, falamos a mesma língua e jogávamos no mesmo clube. Tínhamos esse entrosamento juntos. Aqui ele dá dinâmica ao jogo, vem trabalhando desse jeito e hoje em dia há jogos que o treinador opta por ele segundo como segundo volante ao meu lado ou em outros jogos mais aberto.

CARNE DE CACHORRO?
Com a culinária você vai se adequando. Não é como no Brasil. Eu não vou mentir, aqui não como muito, e não comia muito no Brasil. Mas no Brasil nós temos arroz e feijão ainda, aqui nós temos uma churrascaria latina. Como não pode ir todo dia, a gente vai duas ou três vezes por semana. Mas temos restaurantes italianos, temos espanhol, mexicanos, dá para se alimentar bem. Antes de vir, você pensa que vai comer carne cachorro...e tem as comidas exóticas como escorpião, bicho de seda, cobra, mas também tem restaurantes bons, renomados, chiques. É uma capital, é cidade grande.

ALIMENTAÇÃO NO CLUBE
Os jogadores chineses não comem tanta salada, já a gente gosta. Então tem a opção da comida deles. Uma hora ou outra tem um frango diferente, um ovo, tem peixe que eles são acostumados e comem também. Eu não passo necessidade. Em alguns hotéis que vamos não tem muita variedade e acaba sendo macarrão. Todo hotel tem macarrão (risos). 

CARNE ESTRANHA
Eu não tive muita experiência diferente de comida, assim. Não que eu seja fresco, mas...fomos com o treinador em um restaurante local e era uma comida diferente. Comi uma carne mole, estranha, que não sei o que era, não tinha intérprete. Você jogava a carne na água quente e você mesmo cozinhava na água quente. Isso ia na mesa rodando, rodando e tinha várias comidas, como caranguejo vivo. Eu peguei uma carne, coloquei na boca e não aprovei (risos).

Divulgação/Beijing Guoan
Ralf comemora no Beijing Guoan: clube acabou na quinta posição

MÍMICA COM CHINESES
Só tem um ou outro chinês que fala inglês. Três ou quatro que jogaram fora do país aqui que falam um portunhol e ajuda um pouco. Em campo, você tem que antever a jogada porque não sabe de que lado está vindo o jogador, você não sabe a diferença de direita e esquerda. Temos nosso intérprete que fala espanhol e outro que fala em inglês com dois jogadores que jogaram no Uzbequistão. Com os chineses, é mais na mimica.

CARRO? NÃO, OBRIGADO
A gente anda de 'motinha' elétrica ou patinete. Aqui, andamos todos juntos. A faixa de pedestre com ciclovia é tudo junto, tem bicicleta, moto e pedestres. Só os carros é que são separados. O Renato e eu vamos de motinha, e temos também nosso patinete. Nós preferimos os patinetes porque não nos abandonam. A motinha acaba a bateria, o pneu fura. Eles não passam de 50 km/h e não precisa de capacete, habilitação, nada. 

RITMO DIFERENTE NA CHINA
São coisas que, no Brasil, não tem condição de se movimentar assim. No Brasil não teria como andar com isso, pelo perigo que é, então é surreal ir ao treinamento com patinete. 

PAULINHO CAMPEÃO E DESTAQUE
Sim, a gente joga contra. Às vezes, quando vamos jogar na mesma cidade nos vemos. Ficamos conversando pelo celular. Às vezes pergunto como ele está por lá, e está bem também. Tive a oportunidade de jogar com ele desde que cheguei ao Corinthians e consegui formar uma dupla vitoriosa. Por méritos, ele foi campeão e agora foi campeão chinês também. O Paulinho fez muito por merecer o retorno para a seleção, fico feliz que ele se reencontrou comigo aqui.

 

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