Como o Grêmio minimiza lesões e chega 'inteiro' ao final do ano

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Marinho Saldanha/UOL

    Rogério Dias ocupa cargo de preparador físico do Grêmio desde maio do ano passado

    Rogério Dias ocupa cargo de preparador físico do Grêmio desde maio do ano passado

Faltando cinco jogos para o fim do Brasileiro, sete para o encerramento da temporada, o Grêmio tem praticamente todo elenco à disposição de Renato Gaúcho. Exceção ao goleiro Bruno Grassi, os demais jogadores estão com total condição atlética de representarem o clube. E o segredo para isso não é só preservar, mas buscar o equilíbrio nas atividades físicas.

Quem contou os detalhes da preparação foi exatamente quem a determina: o preparador físico Rogério Dias. Após o treinamento de sexta-feira, o profissional formado no clube elencou as razões para o desempenho em alto nível nas duas competições de fim de ano.

Rogerinho, como é conhecido, ainda detalhou o processo de preservação ou não dos atletas do Grêmio nesta reta final. Confira a exclusiva ao UOL Esporte:

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UOL Esporte: Número restrito de lesões no fim da temporada

Rogério Dias: A questão das lesões faz parte do trabalho multidisciplinar do clube. Todos os departamentos envolvidos no processo: fisiologia, fisioterapia, departamento médico e nutrição principalmente. O resultado que temos? Todos à disposição do corpo técnico. É um pouco de cada trabalho. Já é rotina fazer trabalhos com alguns jogadores chegando mais cedo para fazer trabalhos preventivos, alongamento, estabilização, acreditamos que isso tenha ajudado bastante para minimizar o risco das lesões já que são inevitáveis. Mas com certeza isso agregado à nutrição, fisioterapia e fisiologia nos ajuda bastante para chegar nesta condição nesta época do ano que é complicada em função do nosso calendário.

Como funciona a decisão de preservar atletas

Em cima das avaliações que rotineiramente o clube utiliza nos treinos e após os jogos, esperamos 24 ou 48 horas. E com base de marcadores bioquímicos e do feedback dos atletas sobre dor muscular, dor muscular tardia, fadigados ou não fadigados, em cima das queixas fizemos nosso relatório e repassamos ao corpo técnico, que toma uma decisão. É dar mais um dia de descanso a um ou outro atleta até que retoma os treinamentos.

Deixar de jogar também é perigoso por conta da perda de ritmo

Com certeza. Temos que procurar achar um ponto de equilíbrio. Os jogos em sequência com pouco tempo de recuperação vão trazer prejuízo e riscos, muito tempo sem jogar também acaba aumentando os riscos. Nosso desafio no gap (espaço) de 10 dias, na parada, é justamente fazer uma programação para termos tempo hábil para dar estímulo e prever o tempo de recuperação para cada estímulo. O desafio do treinamento é este. O estímulo adequado e programar o período de recuperação para este estímulo.

UOL Esporte: Preparação física com bola ou sem a bola

Rogério Dias: Normalmente procuramos trabalhar o mais integrado possível buscando a especificidade como se lê e fala tanto. Trabalhar com desenvolvimento físico integrado ao trabalho técnico e tático. Se nosso tempo é tão curto, não vejo como ter uma atividade isolada em um curto espaço de tempo. É claro que se faz trabalhos pré-treino que não é possível ver de fora, que os atletas chegam mais cedo, fazem trabalhos específicos em cima de déficit. Se trabalha lá dentro e depois se insere no processo técnico e tático.

Como foi possível trabalhar a parte física com jogos em seguida

Com muita conversa. Principalmente depois dos jogos mais desgastantes com exigência emocional e a tensão exige mais concentração. Muita conversa na concentração, isso é muito importante. Falamos durante o lanche, damos uma descontraída, tiramos um pouco a carga e a pressão do jogo. É o que tentaremos até o fim do ano para descarregar a pressão. Quando entra em campo o trabalho é duro. Mas precisamos também conversar outras coisas e relaxar um pouco.

UOL Esporte: Conhecimento do grupo como ajuda

Rogério Dias: O que ajuda muito é ganhar a confiança dos jogadores com teu trabalho. Isso é fundamental na preparação física. Confiarem e saberem que aquele esforço intenso, tem que ser chato, cobrar, mas eles sabem que isso é para se sentirem bem nos jogos. Temos 3 preparadores físicos aqui, todos formados na casa. O fundamental é terem a confiança na gente e vamos fazendo a programação progressiva de treinamento para eles atingirem os níveis ótimos para o futebol.

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