Branco perdoa argentino da água batizada de 1990 e diz que ajudaria algoz

Diego Salgado e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

Branco sentiu na pele os efeitos de uma armação colocada em prática em plena Copa do Mundo. Pouco mais de 26 anos depois, entretanto, o ex-lateral esquerdo da seleção brasileira diz que perdoa o massagista argentino responsável por entregar a "água batizada" nas oitavas de final do Mundial da Itália.

O ex-atleta ainda disse que se fosse contatado ajudaria Galíndez, que passa por problemas de saúde e financeiros depois de abandonar a carreira há dois anos. "Eu ajudaria com o maior prazer. Não sou um cara rancoroso. O futebol só me deu amigos", disse Branco em entrevista ao UOL Esporte.

Os dois, inclusive, voltaram a se encontrar nos anos seguintes à partida, durante outros duelos entre as duas seleções. Branco defendeu a equipe brasileira por mais cinco anos depois o episódio ocorrido em Turim, conquistando o tetra nos Estados Unidos, em 1994. 

Reprodução
Branco foi alvo de uma armação da comissão técnica da seleção argentina

"Encontrei o Galíndez porque eu joguei muitas vezes contra a Argentina. Eu gostaria de encontrá-lo para perdoá-lo. Na vida todo mundo erra, todo mundo é passível de erro, eu não guardo rancor, mágoa, eu não tenho nada contra ele. Isso não veio dele, veio de alguém de cima", explicou Branco, que hoje ocupa o cargo de assessor da presidência do Figueirense.

Nesta quarta-feira, o UOL Esporte mostrou que o ex-massagista enfrenta dificuldades na Argentina. Em 2014, por exemplo, Galíndez teve problemas respiratórios. Aos 69 anos, o argentino vive sozinho na Grande Buenos Aires. 

Medo do antidoping

Embora tenha perdoado o algoz, Branco admite que teve medo de ser pego em um eventual antidoping. Para o ex-lateral, a possibilidade poderia lhe trazer problemas no futuro da carreira.

GettyImages
Argentinos celebram vitória em 1990

"Foi um negócio que poderia ter me prejudicado. Se eu fosse para o antidoping, como é que eu faço para provar aquilo lá? Foi uma situação que poderia ter estragado a sequência da minha carreira. A minha sorte é que eu não fui sorteado. A experiência serviu para não beber água de adversários", frisou.

Branco bebeu a água com calmantes na reta final do primeiro tempo, quando o placar apontava 0 a 0. Pouco depois, o camisa 6 ainda certificou-se que as garrafas de água foram trocadas: os argentinos bebiam apenas as transparentes, enquanto ele usara o frasco verde.

"Nenhum ser humano que estava dentro do campo ia imaginar que ia ter uma trapaça dessa. Eu fiquei sabendo depois de três meses. O Ruggieri (zagueiro argentino naquele jogo)  me falou. Depois do jogo eu falei, todo mundo ironizou. O cara quando perde não tem razão, não é", disse Branco.
 
No segundo tempo, já recuperado, Branco viu Caniggia marcar o único gol do jogo. No dia seguinte à derrota, ainda falou, em entrevista concedida ainda em território italiano, que os argentinos "jogavam sujo". 

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