Bruno Octávio admite chateação com narração "eu se consagro" que virou meme

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

Muitos riram e se divertiram com a narração de Milton Leite na qual ele solta um 'agora eu se consagro' depois de Bruno Octávio, então jogador do Corinthians, isolar uma bola num chute de fora da área em um clássico contra o Palmeiras, em 2007. Mas o ex-corintiano não. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte quase dez anos depois do ocorrido, ele classifica a frase do narrador como 'desnecessária' e diz que ele levou o lance 'para o lado de torcedor'.

Arquivo/Folhapress
O jogo em questão era válido pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2007, ano, inclusive, em que o Corinthians acabou rebaixado pela primeira vez em sua história. O time alvinegro perdia para o rival por 1 a 0. Foi quando, aos 39min do segundo tempo, Bruno Octávio matou uma bola no peito e, quase da intermediária, arriscou para o gol; o chute, porém, saiu torto e foi bem longe do gol, rendendo uma épica narração de Milton Leite: "Ô Bruno Octávio! Que beleza o Bruno Octávio, hein? Ele nunca fez um gol, na vida, de fora da área. Aí num Palmeiras e Corinthians, aos 39min do segundo tempo, ele pensou: 'agora eu se consagro', e pegou de tornozelo na bola e a bola saiu aqui perto da bandeirinha de escanteio em mais um momento patético de Bruno Octávio".

A derrota colocou o Corinthians na zona de rebaixamento. Já o vídeo virou meme, divertiu vários internautas e torcedores, mas Bruno Octávio não gostou e acredita que Milton Leite 'deixou escapar a emoção' na hora da narração.

"Eu me lembro disso, são coisas que fazemos e acabam marcando, infelizmente. Mas simplesmente eu achei desnecessário, parece que ele levou para o lado de torcedor dele, não de profissional. Ele também depois deu declaração que de jeito nenhum quis criticar, mas eu achei um comentário desnecessário, ponto, nada mais, não. Você vê um Corinthians e Palmeiras, ele deixou escapar a emoção. É que é engraçado... Ninguém elogia, é mais fácil, na crítica, fazer uma polêmica toda do que um elogio. Eu estava ali, meti no peito e chutei, e infelizmente a bola saiu do Morumbi. Se vai no gol também tem outro fim, né?", recorda.

Os anos de Corinthians

Antonio Gaudério/Folha Imagem/Arquivo
Criado nas categorias de base do Corinthians, o tradicional 'terrão', Bruno Octávio teve um início até promissor e colecionou bons momentos com a camisa alvinegra: foi bicampeão da Copa São Paulo (2004 e 2005), campeão brasileiro (2005 e depois em 2011), campeão paulista (2009) e chegou a acumular uma sequência como titular. Em contrapartida, caiu para a Série B, foi aos poucos perdendo espaço e, após ser emprestado para Figueirense e Bahia, seguiu sendo pouco aproveitado e foi liberado pelo Corinthians em 2012, com o fim do contrato.

"Eu vivi de tudo lá dentro do Corinthians. Eu comecei bicampeão de uma Taça São Paulo, campeão brasileiro em dois anos, disputei uma Libertadores no segundo ano profissional, rebaixamento no terceiro ano, subida para a Série A no quarto ano... Então eu vivi de tudo. Eu peguei a época de Marcelinho Carioca e Vampeta a Ronaldo Fenômeno. Eu brinco com os meninos de Jundiaí que a história de vida que eu passei no Corinthians poderia ter sido melhor, eu acho que você tem que ir lá embaixo, no fundo do poço, e ir no céu para ter histórias pra contar, e nisso acho que eu fui bem sucedido. Em 2009 eu saí e fui emprestado para o Figueirense, aí acabei me machucando e voltei em 2010. Fui para o Bahia e a gente subiu depois de 10 anos para a Série A. Aí me machuquei de novo e voltei para o Corinthians; em 2011 fui campeão brasileiro no Corinthians do Tite e em 2012 eu saí, acabou o meu contrato em definitivo", relembra o ex-volante do Corinthians.

O fim da carreira

Bruno Octávio pendurou as chuteiras cedo se comparado com a maioria dos jogadores: aos 29 anos. Seu último clube foi o Marcílio Dias, de Santa Catarina. Mas uma série de lesões e o baixo retorno financeiro fizeram o ex-volante encerrar a carreira antes do esperado.

Jayme Brandão/EC Bahia
"O meu caso foi uma combinação de fatores. Tive quatro lesões, duas em cada joelho, o púbis... Aí você sai de um clube grande e começa a ir para os pequenos e não tem mais salários. Eu fiquei dois anos jogando com três salários, e você começa a ter dor de cabeça que acaba não compensando, um baita de um trabalho de treinar com o joelho, e o corpo já não é mais o mesmo. E aí a gente não tinha nenhum retorno de objetivo, e nem financeiro, e aí já não valia mais a pena para mim. Então eu parei em 2014, no Marcílio Dias, foi a minha última passagem. Não tenho mais o que receber de clubes: o que ficou, ficou, pagou, pagou, não fui atrás. Eu parei realmente porque, para você ficar treinando em alto nível em time pequeno ou médio, é muito mais complicado. Precisaria estar intensamente ali vivendo no clube, e realmente já não estava valendo mais pra mim", conta o ex-volante, que hoje mora em Jundiaí e trabalha em uma empresa de intercâmbio esportivo - na área educacional  - para os EUA.

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