Presidente do Corinthians diz que investiga desvios no orçamento da Arena

Do UOL, em São Paulo

  • Bruno Cantini/Atlético

    A Arena Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo

    A Arena Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo

O presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, divulgou nota oficial nesta quinta-feira (10) afirmando que desvios no orçamento da Arena Corinthians, denunciados em reportagem do site "Globoesporte.com", já estão sendo investigados por uma auditoria geral da obra coordenada pelo escritório de advocacia Molina & Reis.

Segundo a denúncia, valores que por contrato deveriam ter sido realocados para pagar despesas da obra do estádio acabaram nas contas da construtora Odebrecht e das empresas Temon, de instalações hidráulicas e elétricas, e Heating & Cooling, de ar-condicionado.

O problema é que a cláusula no contrato entre a Odebrecht e as empresas que determina a divisão entre elas de eventuais valores que sobrassem no orçamento da Arena contraria diretamente o contrato principal entre Corinthians e Odebrecht. Segundo esse documento, assinado em 2011 pelo então presidente Andrés Sanchez, o dinheiro economizado voltaria para a obra em vez de ficar com as empresas.

"Qualquer procedimento diferente [do estipulado no contrato de 2011] não faria o menor sentido, e atenta diretamente contra a boa-fé e o equilíbrio do contrato", disse Andrade.

Confira a nota de Roberto de Andrade:

"Eu, como presidente do SCCP, torno público, em relação à matéria jornalística publicada hoje (10/11/2016), no Globo.com/Globo Esporte, onde se descreve fatos que envolvem contratos com "percentuais de verbas orçamentárias divididos entre a Odebrecht e fornecedores desta na construção da Arena Corinthians", que tais fatos já fazem parte da Auditoria Geral da Obra da Arena Corinthians, em curso e coordenada pelo escritório Molina & Reis Advogados.

Naturalmente, os fatos são muito graves e apenas a formalização em documentos desta divisão já nos causa muito pesar, até por estar claro no Primeiro Aditivo do Contrato de Construção do Estádio (EPC), assinado pelo então presidente Andres Sanchez, que tais verbas orçadas pela construtora deveriam ser tratadas como uma conta corrente, ou seja, quando se economizasse em um item específico, o Clube teria o retorno dos recursos não utilizados. Por outro lado, em itens em que os valores finais para execução fossem maiores, teria-se que diminuir do montante de outros itens de verbas orçamentárias ou reduzir o escopo daquele item que superasse o valor contratualmente previsto.

Qualquer procedimento diferente não faria o menor sentido, e atenta diretamente contra a boa fé e o equilíbrio do contrato.

As consequências civis ou criminais de fatos comprovados em detrimento ao Clube e de sua imagem estão e serão devidamente levados adiante, certamente, nas instâncias que forem adequadas e necessárias.

Roberto de Andrade"

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