Avaí doa arrecadação de jogo a atleta que se recupera de um tumor cerebral

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

  • Jamira Furlani /AVAÍ F.C

    Renanzinho, jogador do Avaí afastados dos gramados por causa de um tumor no cérebro

    Renanzinho, jogador do Avaí afastados dos gramados por causa de um tumor no cérebro

Primeira partida depois do acesso para Série A, o Avaí espera casa cheia no sábado, mas o clube não vai embolsar um centavo. A arrecadação irá para o volante Renanzinho, 19 anos, diagnosticado com um tumor no cérebro.

O caso foi mantido em sigilo até esta semana, quando foi anunciado que o atleta passou por duas cirurgias e retirou 70% do tumor. A segunda operação causou sequelas e o jogador está com a movimentação comprometida no lado direito do corpo. Ele recebeu uma cadeira de rodas do clube para se locomover explica o médico do time, Luis Fernando Funchal.

Renanzinho era um promissor juvenil. Nascido Ariquemes (RO), chegou a Florianópolis há cinco anos e fez sucesso nas categorias de base. A trajetória de sucesso projetada pela diretoria do Avaí foi interrompida no começo do ano, quando problemas de visão foram relatados.

O médico conta que mesmo usando óculos o volante continuou a se sentir estranho. Funchal fez uma ressonância magnética da cabeça e percebeu algo estranho. "Quando vi o exame, havia uma massa crescendo na cabeça". Especialista em ortopedia, ele preferiu não cravar o diagnóstico. Uma biopsia confirmou a má notícia.

A revelação foi um baque para Renanzinho. O volante tem a típica história do jogador brasileiro. Garoto pobre, mudou de estado para morar no alojamento do clube por ver na bola uma forma de vencer na vida e ajudar a família. Funchal conta que o atleta sentiu bastante por saber que estava com um câncer no cérebro. Abatido, apresentou um quadro de depressão.

Os entendidos dizem que o tumor fica no tronco cerebral invadindo o terceiro e quarto ventrículo. Traduzindo, está perto da área que controla a respiração e os movimentos. Funchal diz que a primeira cirurgia, ocorrida há três meses, foi menos radical para tentar evitar sequelas.

Mas o procedimento não resolveu e nova operação foi realizada mês passado. Retirar 70% do tumor resultou em Renanzinho perder a força no braço e perna direita. Funchal declara que no momento o tratamento é feito com radioterapia. Outras alternativas como quimioterapia podem ser aplicadas dependendo da evolução da doença. "Se não jogar mais, que pelo menos sobreviva. É um garoto com menos de 20 anos".

Renda para comprar uma casa

Jamira Furlani /AVAÍ F.C

Renanzinho chegou a voltar aos treinamentos em agosto. Acima do peso, foi recebido com festa pelos companheiros que não tiveram a companhia dele por muito tempo. A saúde não colaborou. Hoje, ele vive com a família em Florianópolis numa casa alugada pelo Avaí.

A diretoria do time informa que a renda do jogo deste sábado será entregue aos familiares na esperança que seja suficiente para compra de uma casa. O time vai descontar apenas os valores das taxas.

O jogo tem caráter especial para o time porque é a primeira partida depois do acesso na Série A, conquistado no último final de semana. Funchal conta que a torcida está comprando a ideia. Uma partida festiva e com este apelo tem previsão de casa cheia.

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