Relatório paralelo de CPI pede indiciamento de Marin, Del Nero e Teixeira

Daniel Brito

Do UOL, em Brasília

  • Daniel Marenco

A sessão da CPI do Futebol realizada na manhã desta quarta-feira (23), no Senado, em Brasília, contou com o pedido de indiciamento de dirigentes e ex-dirigentes da CBF. O presidente Marco Polo del Nero e seus antecessores, Ricardo Teixeira e José Maria Marin, estão entre os citados pelo relatório alternativo da comissão, apresentado pelos senadores Romário (PSB-RJ) e Randolfe Rodrigues  (Rede-AP). 

O trio de cartolas foi indiciado por "estelionato; crime contra a ordem tributária; crime contra o Sistema Financeiro Nacional; lavagem de dinheiro; e organização criminosa."

Cada um dos dirigentes teve suas particularidades. Del Nero por crime eleitoral, pelo seu envolvimento nas infrações penais listadas nos capítulos do relatório referentes à compra da sede da CBF; ao caso FIFA; e ao financiamento não declarado de campanhas eleitorais pela CBF (caixa 2). Teixeira tem caso semelhante: "crime eleitoral, pelo envolvimento nas infrações penais listadas nos capítulos referentes ao caso FIFA; e ao financiamento não declarado de campanhas eleitorais pela CBF (caixa 2)."

Já Marin foi indiciado também por "falsidade ideológica, considerando o seu envolvimento nas infrações penais listadas nos capítulos referentes à compra da sede da CBF; ao caso FIFA; e ao acordo fraudulento juntado no Superior Tribunal de Justiça – STJ."

Além deles, foram citados Gustavo Dantas Feijó, prefeito de Boca da Mata (AL), Antonio Osório Ribeiro Lopes da Costa, ex-diretor financeiro da CBF, o deputado federal e vice da CBF Marcus Vicente (PP-ES), José Hawilla, empresário preso nos EUA, Kleber Leite, empresário, e Carlos Eugênio Lopes, advogado da CBF. Na terça-feira (22), o Blog do Brito informou que a CPI indiciaria um deputado, que veio a ser Marcus Vicente.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da comissão, iniciou a sessão - que deveria ser a última da CPI - expondo o relatório apresentado por ele em abril, o qual chamou atenção por ser chapa-branca, tendo apenas 380 páginas e sendo majoritariamente propositivo. Nele, Jucá exime a comissão de apurar denúncias em alguns pontos, além de citar brevemente os cartolas envolvidos em escândalo de corrupção investigados pelo FBI.

"Para nós não resolve só prender José Maria Marin, mas corrigir os erros cometidos no passado, para não ser repetidos", disse Jucá.

Daniel Brito/UOL

Temário Mota (PDT-RO) pediu vistas do relatório de Jucá. Em seguida, o senador Randolfe Rodrigues leu o voto em separado, que é o nome regimental para "relatório alternativo" ao do relator, o qual foi chamado de "genérico, chapa-branca e indolor, sem qualquer sugestão de indiciamento."

O relatório apresentado por Randolfe e Romário, ao contrário do de Jucá, apresentou texto de 1.000 páginas com novas informações obtidas pela equipe de investigadores da CPI com o FBI, responsável pela prisão domiciliar de José Maria Marin, ex-presidente da CBF e de investigação de corrupção dentro da Fifa. O material não conta com a assinatura do relator.

O plenário estava repleto de parlamentares que, durante o transcurso da CPI, se posicionaram a favor de medidas pró-CBF, como João Alberto (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP-PI) e Omar Aziz (PSD-AM).

Walter Feldman, secretário-geral da CBF, também marcou presença no senado nesta quarta-feira, assim como Vandembergue Machado, diretor de assuntos legislativos da CBF, e Vicente Cândido, deputado federal do PT-SP, diretor de assuntos internacionais da CBF.

Com o andamento desta quarta, a votação pela aprovação ou não dos relatórios foi adiada e deve ser realizada somente na próxima semana.

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