Acerto ou erro? Blogueiros divergem sobre chegada de Ceni ao São Paulo

Do UOL, em São Paulo

  • Douglas Pingituro/Brazil Photo Press/Folhapress

    Será que Rogério Ceni terá sucesso como treinador no São Paulo?

    Será que Rogério Ceni terá sucesso como treinador no São Paulo?

Um dia. Foi esse o intervalo entre a demissão de Ricardo Gomes e o acerto com Rogério Ceni, anunciado nesta quinta-feira (24) como treinador do São Paulo pelos próximos dois anos. Apesar de ser considerado de forma unânime como um dos maiores ídolos do clube do Morumbi, sua contratação ainda divide opiniões.

Para alguns blogueiros do UOL Esporte, a decisão da diretoria foi acertada, ainda mais se olharmos pelo "conjunto" da obra. Ceni vem com uma mentalidade nova, sem vícios de antigos treinadores, se preparou para isso, tem respaldo da diretoria e confiança da torcida. Para outros, no entanto, a escolha pode sair como um tiro no pé, já que, historicamente, o futebol brasileiro não possui paciência com técnicos, mesmo com aqueles que são ídolos em seus clubes.

Confira  o que disseram os blogueiros:

Julio Gomes

"É uma decisão desesperada de um clube que há tempos parece sem rumo.

Na posição de Ceni, é difícil não aceitar. Não creio que ele 'se queime'. Ele precisaria de vários fracassos, entreveros com torcida, etc, para 'apagar' os feitos do passado. Mas seria melhor assumir o posto após passar por outras experiências em clubes menores, outras situações, dentro ou fora do país.

O São Paulo erra, pois não traça um plano, um projeto. Apela para o extintor de incêndio. O Real Madrid fez o mesmo um ano atrás com Zidane e acabou sendo campeão da Europa (mas Zidane tinha mais bagagem que Ceni em sua precoce carreira de treinador).

O erro pode virar acerto? Pode. No futebol, tudo pode acontecer. Mas acredito que seria melhor para todas as partes se esse momento acontecesse dentro de alguns anos."

Eduardo Ohata

"Acho que este é um risco calculado, com um ótimo timing.

Ele assumirá um time que acabou de vivenciar uma situação ruim no Brasileiro e no Paulista terá só 3 rivais grandes, que em tese são os mais perigosos, ao contrário do que ocorre no Brasileiro. Mais: Pelo menos dois deles, Palmeiras e Santos, estarão com as atenções voltadas à Libertadores. Fora que, com um jogo por semana, Ceni terá mais tempo que os rivais para preparar sua equipe. Sua chegada deve imprimir gás novo ao time, como costuma acontecer quando um técnico novo chega, quanto mais um ídolo.

Quanto às críticas de que começará por cima, ele tem o diferencial de ter feito um curso de especialização fora, o que a maioria dos treinadores no país não fez. Além disso, ele pode repetir outros técnicos começaram "de cima" e que foram bem-sucedidos, como Renato Gaúcho, Roger Machado etc.

Não pode ser pior do que o Flamengo, que colocou no banco um radialista, o Apolinho. O próprio Dunga não começou como técnico da seleção?"

Menon

"Acertou. O São Paulo só tem perdido e agora passa a ser dirigido por alguém que tem obsessão pela vitória. E Ceni tem se preparado para a nova profissão. Tem tudo para ser um bom técnico e não apenas um animador de elenco."

Juca Kfouri

"Zico sempre diz que jamais será técnico do Flamengo porque não suportaria ouvir a Nação chamá-lo de burro.

Rogério Ceni aceitou correr tal risco.

E sem estágios, sem passar pelas categorias de base, como seria mais aconselhável.

Vai pro pau direto, sem escalas.

Ceni tem mais de duas décadas de visão privilegiada do jogo na posição de goleiro.

Indiscutível capacidade de liderança, principalmente quando usa o "nós" em vez do "vocês".

Passou um bom tempo na Europa observando, conversando com gente grande e estudando.

Se der certo, acaba na presidência do São Paulo, como Franz Beckenbauer fez no Bayern Munique.

Entre o Galinho e o Kaiser, que o Mito seja feliz."

André Rocha

"Na lógica dos dirigentes no futebol brasileiro acertou e muito! Quer escudo melhor e cabo eleitoral mais forte? O risco maior é para o próprio Ceni: maior ídolo da história do clube que já criaria uma enorme expectativa. Ainda tira fotos na Europa, com Sampaoli. No provincianismo daqui isso costuma gerar duas reações: antipatia dos mais "nacionalistas", cobrança por um desempenho espetacular e imediato. Mas como o nível aqui é baixo e o melhor, disparado, está na CBF e não é concorrente, pode dar certo."

Alexandre Praetzel

"Acho que a chegada do Rogério Ceni é uma decisão política. A diretoria está fragilizada e terá eleição à presidência, em abril. Sua vinda determina um certo entendimento com o pensamento do torcedor. Rogério Ceni é um profissional sem meias palavras e certamente estará preparado para o desafio, mas vejo também como um risco.

Sua idolatria pode ajudar ou atrapalhar. Caso os resultados imediatos não sejam os esperados, como será a reação geral? Já vi outros ídolos serem torrados em grandes clubes. A cultura 'resultadista' vencerá sempre qualquer história bonita no futebol brasileiro. E gostaria de saber também as opiniões dos jogadores. Agora, a relação será de cobrança e comprometimento como técnico e não mais como um companheiro de profissão. A sorte está lançada."

Perrone

"Acertou por que é melhor apostar nele do que nos treinadores à disposição no mercado. Melhor um iniciante cheio de aspirações do que um veterano acomodado. Melhor um profundo conhecedor do clube do que alguém que precisaria se adaptar. Melhor um cara que passou os últimos anos se preparando para ser técnico do que alguém que venha adiando a aposentadoria."

Marcel Rizzo

"Acertou! O São Paulo acertou porque é um ídolo, que terá apoio da torcida, do elenco e da parte diretiva e de Conselho, importante já que 2017 é ano de eleição."

Rafael Reis

"Decisões desesperadas tendem a ser decisões equivocadas. Rogério Ceni é um líder nato, tem bom trânsito com a diretoria e a confiança da torcida. Mas esses são apenas alguns dos fatores que podem levar um treinador ao sucesso. Falta ao maior ídolo da história recente do São Paulo vivência no trabalho tático. Vivência que ele deveria adquirir em cursos, trabalhando como auxiliar ou dirigindo times de base e equipes menores. Uma coisa é comandar uma defesa de dentro da meta. Outra é comandar um time inteiro sentado (ou em pé) no banco de reservas.

É claro que Ceni pode dar certo como técnico do São Paulo. Afinal, o futebol adora nos surpreender. Mas, o mais provável é que saia queimado deste trabalho. E Ceni não precisava disto. Poderia ter esperado mais e se preparado melhor para sua nova carreira."

Tales Torraga (Patadas Y Gambetas)

"Errou. Me fez lembrar Daniel Passarella, capitão, campeão, técnico e depois presidente do River Plate, seu semelhante nas multifacetas de poder.

Passarella foi detonado quando assumiu o River em 1989, meses depois de parar de jogar. "Contrataram um técnico que não é técnico", era a acidez geral, e o mesmo aplico a Rogério pela inexperiência na função.

Não se pode dizer que Passarella tenha dado errado. Foi logo campeão argentino e comandante da Seleção na Copa de 1998. Mas imensa parte do trabalho era feita pelos assistentes Alejandro Sabella e Tolo Gallego, executores de fato enquanto Passarella ocupava os holofotes.

É este respaldo que Rogério precisa ter. Faz sentido imaginar que seria este o cargo que deveria ocupar, até para checar sua aptidão como treinador. O mundo atual é extremamente sofisticado e hostil a aventuras empíricas como a que o São Paulo e o próprio Rogério estão embarcando. Os psicólogos agradecem. Vem aí um novo e grande 'case' do comportamento humano contemporâneo."

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