Gil: "Penso em voltar para a Europa e para o Brasil. Mas não agora"

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

  • Lucas Figueiredo/Mowa Press

Quando Gil deixou o Corinthians para jogar no futebol chinês, muitos fizeram previsões negativas. Ele iria sumir, deixar o sonho de jogar na seleção brasileira para trás, perder o vigor físico jogando contra rivais mais fracos. Ou pior: iria voltar rapidinho, não aguentando morar em um país tão diferente quanto a China.

Não aconteceu. Gil vai muito bem por lá e não pensa, ao menos por enquanto, em sair. "Ainda tenho mais três anos de contrato com o Shandong, mas no futebol nunca podemos fechar as portas para nada. Penso em voltar a jogar na Europa e também no Brasil, claro. Mas não é algo para pensar agora. Acabamos uma temporada que foi bem desgastante, com muitos jogos e também defendendo à Seleção Brasileira nas convocações. No momento só estou pensando em curtir minhas férias com a família e aproveitar este fim de ano", disse o jogador, em entrevista ao UOL Esporte.

Reprodução/Facebook
Gil e Bruno Maziotti, fisioterapeuta do Shandong e da seleção brasileira
O motivo para isso é a boa fase do futebol chinês como um todo. Gil é um dos três jogadores que atuam no país que fazem parte dos planos do técnico Tite na seleção brasileira – os outros são Renato Augusto e Paulinho. Ele segue um monstro sempre que entra em campo, graças ao trabalho com o fisioterapeuta Bruno Maziotti, ex-Corinthians e hoje na seleção. E, a cada semana, enfrenta jogadores como Hulk, Alex Teixeira ou Jackson Martinez, cobiçados, há poucos meses, pelos melhores clubes do mundo.

"O nível dos campeonatos na China é bom, com jogadores da seleção local, europeus e sul-americanos. É só ver que, na Seleção, hoje, somos três atuando na China", analisa. Confira a entrevista completa com o zagueiro:

O Tite disse que o nível técnico da China não é o ideal e que se preocupa com a falta de competitividade dos jogadores que estão lá. O que você acha do nível técnico do campeonato?

O nível dos campeonatos na China é bom, com jogadores da seleção local, europeus e sul-americanos. É só ver que, na Seleção, hoje, somos três atuando na China. Assim como em outras equipes também. Tem também as competições asiáticas, com nível ainda mais competitivo. Enfrentamos jogadores como Marcelo Moreno, Ricardo Goulart, Renato Augusto, Elkeson, e por aí vai. Todos com nível para jogar em qualquer time do Brasil. O futebol chinês tem evoluído, o investimento é grande e só vai crescer.

Você tem algum estafe especial para treinar na China, como fez o Renato Augusto, para garantir que no nível físico você não ficasse atrás?

Aqui no Shandong temos toda a estrutura de trabalho. Uma estrutura que se vê em poucos clubes do mundo. Tem profissionais capacitados. O Bruno Mazziotti, por exemplo, eu já conhecia do Corinthians, está aqui e também na seleção. Ele é quem mais está comigo no dia a dia. O nível físico é o que sempre tive, tanto aqui quanto no Brasil. Faço os trabalhos de complemento, sempre em dois períodos, e com acompanhamento dos profissionais.

Divulgação
Como é a relação com a comissão técnica da seleção atual?

A relação é muito boa. O Mazziotti é com quem tenho mais contato, pois está no Shandong também. Então, ele acaba me acompanhando diariamente e isso é muito bom e importante no meu desenvolvimento. O Tite nos dá total abertura, está sempre aberto aos diálogos, como era no Corinthians e agora na seleção não é diferente.

Quais diferenças você identificou na seleção com a troca do Dunga pelo Tite?

A relação com o Tite é muito boa a com certeza ajuda. O fato de ele já conhecer os jogadores, de ter trabalhado com a maioria em clubes, é sempre positivo. Pois ele sabe o que pode tirar de melhor de cada um e como cobrar. É complicado ficar fazendo comparações de um com o outro. Cada um tem seus méritos por terem chegado onde chegaram. O Dunga tentou fazer o melhor que podia e o Tite está tentando fazer agora. Os resultados estão acontecendo, a equipe está indo bem e agora isso é o mais importante. Espero que possamos continuar assim.?

Quando você foi para o Shandong, o técnico era o Mano. Agora, é o alemão Felix Magath. Essa troca foi complicada?

No início foi um pouco ruim, pois estávamos acostumados com a comissão técnica. Mas isso acontece em qualquer clube e é algo normal. Houve uma mudança, por decisão do clube, e tivemos que seguir o nosso caminho. É como acontece no Brasil sempre, com constantes mudanças de treinadores e cada um com sua filosofia de trabalho. O Felix é um bom treinador, com passagem por clubes grandes da Europa, e colocou o seu estilo. Assim como o Mano também vinha fazendo um bom trabalho, mas optaram pela troca.

AP Photo/Jorge Saenz
Gil sobe de cabeça na disputa de bola do jogo do Brasil contra o Paraguai
A cota de estrangeiros é uma questão importante na China, já que apenas três jogadores podem jogar ao mesmo tempo e o Shandong tem quatro, com você, o argentino Montillo, o senegalês Papis Demba Cissé e o italiano Graziano Pellé. Como você lidam com isso?

Em relação aos estrangeiros, no nosso time um sempre ficava no banco, mas é algo normal. Acontece em muitos clubes aqui, são muitos jogos, e acaba que todos têm oportunidade de atuar.

Na passagem anterior pelo exterior, na França, você teve problemas de adaptação e até de racismo. Como está sendo agora?

Na China não tive nenhum tipo de trabalho com racismo ou adaptação. Foi tudo bem tranquilo. A estrutura do clube é muito boa. Todas as condições que nos deram também. É claro que existe um tempo de adaptação, até porque é uma cultura totalmente diferente, mas com a ajuda dos outros brasileiros e todo o respaldo que nos deram, foi tranquilo e pude jogar normalmente.

O futebol brasileiro teve uma debandada de jogadores para a China em um período bem curto. Na sua opinião, vamos ter uma onda de retornos quando esses contratos forem acabando?

É complicado fazer este tipo de avaliação. Só agora no fim do ano é que vamos saber como vai ser. Chegaram também muitos europeus na China, e isso só ajudou a fortalecer o nível do futebol de lá. Tem muitos jogadores que já renovaram contrato ou ficaram em outros clubes da China. O Aloisio, por exemplo, estava no Shandong quando cheguei e agora está em outro clube. Tudo vai depender da avaliação de cada clube e dos interesses de cada jogador.

Eduardo Knapp/Folhapress
Gil domina a bola no campo de ataque do Corinthians

Quais são os seus planos para o futuro? Pretende voltar ao Brasil?

Ainda tenho mais três anos de contrato com o Shandong, mas no futebol nunca podemos fechar as portas para nada. Penso em voltar a jogar na Europa e também no Brasil, claro. Mas não é algo para pensar agora. Acabamos uma temporada que foi bem desgastante, com muitos jogos e também defendendo à Seleção Brasileira nas convocações. No momento só estou pensando em curtir minhas férias com a família e aproveitar este fim de ano.

Você ainda tem contato com torcedores dos times que defendeu no Brasil?

O contato é mais pelas redes sociais e quando estou no Brasil. O carinho de todos é muito grande, até mesmo na minha cidade, em Campos dos Goytacases. A passagem pelo Corinthians com certeza é a mais marcante. Pelo número de jogos, três anos e muita identificação. É de quem recebo a maioria das mensagens. Guardo tudo com muito carinho e algo que nunca vou esquecer. Além disso, foi o clube que me projetou para a seleção brasileira e só tenho a agradecer.

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