Rebaixado Água Santa se orgulha de goleada no Palmeiras: "está carimbado"

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

Encaixado nas mãos de Cuca, o Palmeiras voltou a comemorar o título brasileiro depois de 22 anos no último domingo e termina 2016 em alta. A temporada, porém, não começou muito bem e contou com alguns tropeços marcantes, como a derrota por 4 a 1 para o Água Santa, no Paulistão. Em entrevista ao UOL Esporte, jogadores do time rebaixado no Estadual recordam como foi bater o agora campeão brasileiro e brincam com o título alviverde: "está carimbado".

"Carimbamos o campeão brasileiro, tem um símbolo lá, um símbolo novo na faixa do Palmeiras: Água Santa, vai estar manchado lá [risos]", brinca Bruninho, autor de um dos gols da goleada, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. Atacante de 26 anos, ele admite que a expectativa do Água Santa era, no máximo, conseguir um empate diante do time palmeirense.

"A gente esperava pelo menos conseguir um ponto. Lógico que a gente acredita no grupo, mas não num placar elástico, né? Mas como dentro de campo são 11 contra 11 tudo é possível, e eu ainda fiz um gol. Eu tenho dois amigos no grupo do Palmeiras, o Vitor Hugo e o Thiago Santos... O Vitor Hugo não jogou, mas o Thiago Santos jogou, e aparentou um pouco triste. Ele estava meio cabisbaixo, mas eu falei pra ele: 'É para levantar a cabeça', não tinha nada perdido, ele estava começando, eu senti isso. Agora, para gente foi uma alegria imensa e a semana foi boa para gente, deu para trabalhar melhor, concentrar melhor, a alegria voltou um pouco, mas o bicho foi o mesmo [risos], já estava estipulado o valor", conta Bruninho.

JOSé LUIS SILVA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
A goleada do Água Santa sobre o Palmeiras veio na 12ª rodada do Campeonato Paulista, dia 27 de março, apenas duas semanas após Cuca assumir a equipe, ainda em formação. O time saiu atrás, chegou a empatar de pênalti com Robinho (hoje no Cruzeiro), mas levou um gol logo em seguida e ainda viu o time do Grande ABC marcar outros dois, fechando a conta em 4 a 1.

Dheimison, goleiro de 27 anos que ainda faz parte do elenco do Água Santa, segue a mesma linha de Bruninho e recorda que o Palmeiras não vinha vivendo uma grande fase – a goleada significou a terceira derrota consecutiva do time comandado por Cuca no Paulistão.

"Eles também não vinham de resultados bons. A gente via que dentro de campo eles tentavam, tentavam, mas nada dava certo e dava certo para gente, então era uma fase que eles não estavam muito bem, e aí, numa tarde bem inspirada nossa, deu tudo certo para gente. Não foi desleixo deles, eles estavam tentando algo, mas não estava dando certo, eles conseguiram empatar de pênalti e 45 segundos depois tomaram outro gol, então não foi uma tarde inspirada deles, nada deu certo pra eles. Naquele dia ninguém esperava que ia acontecer aquilo, aquele placar...  um empate já era bom para gente por se tratar de Palmeiras", diz o goleiro, que revelou ainda a conversa de vestiário entre os jogadores depois da vitória.

"Em conversa interna a gente falou: 'Nossa, o que está acontecendo com o Palmeiras? O que aconteceu que nada estava dando certo'? Depois você para você mesmo e fala: '4 a 1 é uma coisa que vai passar 50 anos e alguém vai lembrar disso'", comemora o goleiro de família 'totalmente palmeirense' - segundo palavras do próprio.

"Eu fui numa festa de família um tempo atrás e falei: 'A gente fez uma coisa que vai ficar para sempre na história, a gente ganhou do campeão brasileiro'. Eu disse isso há 10 rodadas, lá trás eu falei: 'Não tem como tirar o título do Palmeiras porque, do jeito que vinha jogando, realmente estava com espirito de campeão, mas vencemos eles por 4 a 1 [risos], mas depois de duas rodadas tomamos de 7 a 2 da Ponte Preta [risos]", acrescenta Dheimison.

Apesar da histórica goleada sobre o Palmeiras, o Água Santa acabou na 15ª posição na classificação geral e, desta forma, acabou rebaixado para a A-2 do Paulista. Ao menos, ficou o resultado que entrou para a história do clube localizado na cidade de Diadema (SP).

Reprodução/Facebook/Água Santa
"O Palmeiras teve até um pouco mais de volume de jogo antes de a gente ter feito o primeiro gol, e na sequência, quando a gente fez 2 e 3 a 1, a gente administrou e ainda conseguimos fazer mais um gol. Foi um jogo bastante especial para gente, mas depois não surtiu efeito porque a gente acabou sendo rebaixado. O Palmeiras deve ter se surpreendido por jogar contra uma equipe menor e ficou nervoso por isso, teve que correr atrás o jogo inteiro. Foi um período de transição, o Cuca estava chegando, mas foi mais a gente ter sido eficiente nas oportunidades que a gente teve", analisa Gustavo Lazzaretti, zagueiro de 32 anos responsável por abrir o placar em Presidente Prudente.

"A gente conseguiu fazer uma vitória um pouco elástica contra este Palmeiras campeão brasileiro. Se isso aí fizesse a gente conquistar mais dois pontos no Paulistão a gente não tinha caído [risos]", brinca o defensor, que hoje atua no futebol da Índia.

O volante Russo, que disputou a Série D pelo Maringá e hoje negocia com alguns clubes paulistas para o próximo Estadual, recorda ainda que o placar poderia ter sido ainda mais elástico, já que o Água Santa chegou a mandar duas bolas na trave durante a partida.

"Foi surpreendente, ninguém imaginava. O mais otimista dos torcedores nunca imaginaria que a gente venceria e por este placar elástico, mas naquele dia a gente estava iluminado. Todas as jogadas que tentamos concluir em gol foi gol, né? O que ficou foi a surpresa, porque ninguém imaginava e ainda tivemos duas bolas na trave, poderiam ter entrado até mais bolas. Ficamos felizes e acreditamos que poderíamos chegar mais longe no campeonato. O Palmeiras não vinha bem no campeonato e acusaram o golpe quando nós fizemos o segundo gol, o terceiro gol... Eu vi certo abatimento no rosto deles, eles acusaram o golpe, foi isso que deu para perceber em campo. E eles não mostraram reação nenhuma", completa o volante de 32 anos.

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