Zagueiro da Chapecoense chora ao lembrar ex-companheiros e pede homenagens

Do UOL, em São Paulo

  • SporTV/Reprodução

    Ao SporTV, zagueiro justificou ausência em voo e chorou ao relembrou vítimas

    Ao SporTV, zagueiro justificou ausência em voo e chorou ao relembrou vítimas

O zagueiro Demerson ficou de fora da delegação da Chapecoense que sofreu um acidente aeronáutico na madrugada desta terça-feira, nos arredores de Medellín. Em Chapecó, escapou da tragédia que registrou 71 mortos – entre eles, 19 jogadores.

Demerson foi preterido pelo técnico Caio Júnior da viagem no final de semana para São Paulo, onde o time enfrentou o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. De lá, o grupo viajou para a Colômbia, onde enfrentaria o Atlético Nacional na quarta-feira pelas finais da Copa Sul-Americana.

Sobrevivente, Demerson retornou no fim da tarde desta terça-feira à Arena Condá, onde a torcida se reuniu para homenagear a delegação. Emocionado, chorou ao se lembrar dos ex-companheiros.

"Não tem um ano que estou aqui, mas é um clube que eu aprendi a gostar, é um clube que me recebeu de portas abertas. Eu queria agradecer de antemão a oportunidade de ter trabalhado com cada um, desde presidente, treinador, massagista… Todos, todos. Eu me sinto lisonjeado de ter feito parte desse grupo", disse, em entrevista ao canal de TV por assinatura SporTV.

O jogador ainda relembrou a alegria do elenco com os objetivos conquistados no final da temporada e pediu por mais homenagens quando os corpos retornarem ao Brasil. A previsão é que cheguem entre os dias 1 e 2 de dezembro.

"Durante o dia, quando a gente começa a ver o que aconteceu, começo a lembrar de cada momento no vestiário, brincadeiras... Cada lembrança são lágrimas no rosto. São momentos que nunca mais vão voltar. É de cortar o coração, é difícil falar, me desculpem pelas lágrimas, mas não tem como segurar. Agora é aguardar e despedir deles de forma honrosa", completou em entrevista à FOX Sports.

Confira os principais momentos da entrevista de Demerson ao SporTV:

Por que não viajou?
"Opção do Caio (Júnior). O Thiego estava suspenso para a partida, consequentemente ele teria que levar um para essa partida. Havia três para cobrir essa ausência do Thiego – o Marcelo, eu e o Rafael Lima. Ele optou pelo Marcelo. Não sei qual foi o critério, mas ele acabou optando pelo Marcelo; consequentemente, depois do jogo contra o Palmeiras, já foi toda a delegação para o jogo em Medellín. Infelizmente, acabou acontecendo essa tragédia."

Como recebeu a notícia?
"É muito difícil, porque a gente nunca está preparado para isso. Quatro ou cinco dias atrás, estavamos todos aqui no estádio treinando, sorrindo, comemorando as grandes conquistas, comemorando o grande momento, comemorando que faltava pouco para acabar a temporada, que tínhamos alcançado os objetivos. Quatro dias depois dessa alegria toda, passarmos por uma situação dessas… Não tem como receber bem essa notícia. É muita tristeza. Era um grupo realmente de amigos. Com o passar do tempo, do ano, foi se unindo mais. O resultado é que conquistou o que conquistou. É difícil falar neste momento. Nada do que eu fale ou faça vai fazer nenhum dos meus amigos, dos pais de família que se foram, voltarem. O que nos resta é orar, fazer o máximo para que o sofrimento dos familiares seja o menor possível, se é que isso tem algum jeito de fazer. E orar. Pedir a todos que orem também, porque se todos nós oramos juntos, o Brasil e o mundo, confortar todos aqueles que tinham ligações a todos os que estavam presentes no voo, imprensa… Todos merecem, entes queridos, merecem uma oração."

Voltar à Arena Condá nesta terça-feira
"É difícil, porque até uns dias atrás aqui era o palco de grandes conquistas. Era o palco onde a Chapecoense estava fazendo bonito. Chegar aqui, como eu cheguei às 5h30, e me deparar com o que estava acontecendo, as pessoas chorando, as pessoas torcendo para que a tragédia fosse o mínimo possível, o número de pessoas falecidas fosse o mínimo possível… Com o passar do dia, as coisas foram tomando outro rumo. Agora o que nos resta é lamentar, chorar e ficar de luto. Está sendo muito díficil."

A reconstrução do clube
"Não vai ser fácil. A gente agradece o apoio de todos, esse apoio é importante. Acho que, nesse momento de dificuldade, todo mundo junto em prol de um objetivo que é tentar diminuir o máximo o sofrimento… Vai ser dificil. A Chapecoense perdeu pessoas importantes do clube. Mas eu tenho certeza de que, por tudo que a Chapecoense passou, por sua história, não vai ser fácil, mas a Chapecoense vai se reerguer. Tenho certeza de que as pessoas vão ajudar, a Chapecoense vai se reerguer e vai voltar a fazer histórria. Não tem um ano que estou aqui, mas é um clube que eu aprendi a gostar, é um clube que me recebeu de portas abertas. Eu queria agradecer de antemão a oportunidade de ter trabalhado com cada um, desde presidente, treinador, massagista… Todos, todos. Eu me sinto lisonjeado de ter feito parte desse grupo. Eu queria prestar essa homenagem a eles, porque eles são merecedores. Amanhã, quando estiverem aqui os corpos, que seja feito uma homenagem, porque eles merecem. São pais de famílias, que deixaram famílias, filhos. Gostaria de deixar essa homenagem a cada um deles."

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