Renato Gaúcho chora e dá coletiva com camisa da Chapecoense: "Heróis"

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

    Renato Gaúcho usa camisa da Chapecoense em entrevista coletiva

    Renato Gaúcho usa camisa da Chapecoense em entrevista coletiva

O azul do Grêmio deu lugar ao verde da Chapecoense na camisa de Renato Gaúcho. O treinador usou a camisa do clube de Santa Catarina ao dar uma entrevista coletiva emocionado, nesta quarta-feira (30), no CT Luiz Carvalho. 

"É muito difícil falar, peço desculpas porque muitos me procuraram ontem. Hoje mesmo sigo abatido. Aqui no Grêmio talvez eu seja a pessoa que mais tinha trabalhado com as pessoas que estavam com a Chapecoense. Joguei com Mário Sérgio e Caio Júnior, trabalhei com Ananias no Bahia, Cleber Santana no Atlético-PR. Além do Dener, do Biteco, do Serginho fisioterapeuta e do Paixão o preparador físico. Foi muito triste. Meus sentimentos às famílias que perderam estas pessoas nos voos. É uma maneira de homenagear o clube, a torcida e todas as pessoas de alguma forma", disse visivelmente abalado. "São heróis", completou. 

Renato Gaúcho ainda se colocou à disposição para realização de um jogo amistoso beneficente para as famílias das vítimas do acidente da Chapecoense. 

"Hoje ainda estou nas cordas, é normal. Mas temos que levantar a cabeça e seguir trabalhando. Estou buscando forças porque temos uma final. Tenho que levantar meu grupo de novo e a cada dia que passa tudo irá melhorar para estarmos 100%. A vida continua e temos esta responsabilidade na próxima quarta. Milhões de pessoas no mundo estão tristes por causa da tragédia. Não podemos dar mais uma tristeza para nossa torcida, temos que dar alegria na próxima quarta", acrescentou. 

O voo que levava a delegação da Chape para a Colômbia, onde seria realizada a final da Sul-Americana caiu na noite de segunda-feira e vitimou 71 pessoas entre atletas, jornalistas, membros de comissão técnica, diretores e tripulação. 

"É muito triste. Não temos o que falar, o que pensar. Tento não ficar pensando nisso. É muito triste. Temos que buscar forças para superar isso. Amigos, família, conversei com minha filha que me botou para cima. É o que eu falei é que sou o espelho do meu grupo e quando olham para o comandante querem ver ele de cabeça erguida. Hoje continuo triste, mas a partir de amanhã vou levantar de outra forma, vou erguer meu grupo porque temos um objetivo muito forte", completou. 

Renato parou a coletiva já em seu final. Chorou bastante, pediu desculpas e deu sua última resposta. 

"Perdi meu pai em 79, em 2010 perdi minha mãe, há dois anos perdi duas irmãs. Por isso que eu falo que nessa hora é difícil de falar, de tentar colocar algo para estas famílias. Eu sei a dor que elas estão passando porque eu passei por isso. Sentimentos a elas. Não adianta falar. O melhor é ficar em silêncio porque é difícil... É difícil você dar força ou colocar palavras, por isso que de uma forma ou de outra eu quero homenagear essas pessoas que fazem parte deste clube colocando a camisa deles. Hoje não tem cor, camisa, clube, o mundo todo é Chapecoense. Me orgulhei muito de ter jogado com Mário, com Caio, e ter trabalhado com comandante de alguns jogadores que estavam no voo. Foi um orgulho muito grande. Sempre serão lembrados como heróis. Há um mês enfrentamos a Chapecoense na Arena e pude falar com alguns deles, com Caio, a tristeza e a dor é muito grande. Deixo um beijo no coração das famílias porque realmente não é fácil. Vocês me desculpem, mas vou encerrar", disse antes de deixar a sala de conferências do CT do Grêmio. 

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