Psicólogo que atuou em pacificação do Alemão atende famílias em Chapecó

Bruno Freitas, Danilo Lavieri, Felipe Vita e Luiza Oliveira

Do UOL, em Chapecó (SC)

  • Bruno Freitas/UOL

Um time de psicólogos trabalha no atendimento de familiares de jogadores, comissão técnica e diretores da Chapecoense mortos em acidente aéreo na Colômbia, na última segunda-feira. Na linha de frente está André Pedrosa, que traz à tragédia em Santa Catarina a experiência de ter atuado com a comunidade do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, durante o processo de pacificação da região.

Funcionário da Prefeitura de Chapecó e professor universitário na cidade, André Pedrosa compõe a equipe voluntárias de psicólogos. Uma parte do time tem ficado de plantão na Arena Condá, e outra procura atender familiares das vítimas em suas residências.

"Os familiares que estão aqui, e que gostariam de ser atendidos, estão sendo atendidos. Tem vários psicólogos aqui, profissionais de saúde, médicos da própria Chapecoense, psiquiatras. É bastante gente", declarou o psicólogo de Belo Horizonte, radicado em Chapecó.

Pedrosa afirma que o gigantismo da tragédia lembra o seu trabalho no Complexo do Alemão, mas ressalta a diferença de natureza entre as duas situações.

"Gostaria de dizer que é a primeira experiência (trabalho em situações delicadas), mas estive em 2011 no Complexo do Alemão, recém-pacificada. Muitas pessoas faleceram ali, de uma forma diferente, claro. E agora estamos aqui", relatou o psicólogo.

"No Complexo do Alemão, tinha uma série de problemas de tráfico, de ordem de políticas públicas, questões sociais. Aqui foi uma coisa repentina, que ninguém esperava. No Alemão, mais cedo ou mais tarde iria acontecer", acrescentou.

Uma particularidade na atuação dos psicólogos que atuam junto a famílias das vítimas do acidente aéreo na Colômbia é o contato com crianças que perderam pais. Segundo Pedrosa, este é um dos pontos mais delicados do trabalho das últimas horas em Chapecó.

"Atendimento de criança é extremamente delicado, complexo e necessário", comentou o psicólogo.

"Estou muito preocupado com isso. Luto é uma coisa que dói, mas é necessário. Evitar o luto traz problemas psíquicos no futuro. Então é uma cidade que vai ter que elaborar o luto. Eu encontrei um pai que me perguntou: 'como vou explicar para o meu filho que o (goleiro) Danilo morreu? Ele tinha tudo do Danilo em casa'", relatou.

A delegação da Chapecoense sofreu um acidente aéreo no final da noite de segunda (horário colombiano), quando chegava a Medellín, palco do jogo de ida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional. Segundo as autoridades locais, 71 pessoas morreram na tragédia, entre jogadores, comissão técnica, diretoria e jornalistas.

A cidade de Chapecó está mobilizada desde o acidente, à espera de notícias e também do velório coletivo, que acontecerá no gramado da Arena Condá, a casa do Chapecoense – em data a ser confirmada. 

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