Sem camisas para homenagem, clubes só devem usar escudo da Chapecoense

Dassler Marques, Jeremias Wernek e Vinicius Castro

Do UOL, em São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro

  • Reprodução/Instagram

    Jogadores do São Paulo, João Schmidt e Rodrigo Caio prestam homenagem à Chapecoense

    Jogadores do São Paulo, João Schmidt e Rodrigo Caio prestam homenagem à Chapecoense

Desde a manhã de terça-feira, executivos de marketing dos clubes da Série A e do Bahia planejam homenagens e maneiras de auxílio para a Chapecoense. A troca de ideias ainda é incipiente, mas dois encaminhamentos foram realizados. À parte deles, as equipes devem tratar de forma individualizada sobre outros tipos de tributos a serem prestados à Chape. 

É bastante provável que todos os clubes utilizem o escudo da Chapecoense na última rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 11 de dezembro. 

A ideia original, na verdade, era ainda mais ampla. Na discussão entre executivos, se defendeu que as 20 equipes que fossem a campo utilizassem uniformes, número 1 (verde) e número 2 (branco), da Chapecoense. O apelo nacional e internacional por camisas do clube catarinense, porém, dificultou que isso fosse levado adiante. 

Fornecedora de material esportivo da Chape, a Umbro encontra dificuldades nas últimas horas para atender demandas. A conclusão dos executivos é de que não haveria aproximadamente 400 camisas disponíveis para a realização da homenagem. O Palmeiras confirma que deve jogar com a camisa da equipe. 

"Nós ligamos para a Umbro e pedimos que o marketing nos mandasse camisas da Chapecoense", conta Jorge Avancini, responsável pelo marketing do Bahia, também patrocinado pela empresa. "Vamos disputar a final do Sub-20 e entraríamos com camisa da Chape, mas o fornecedor disse que não tem material para atender todo mundo. É fim de ano, então os estoques se esgotam", explicou Avancini.

Jogos comemorativos, doações de renda, campanhas para sócios e leilão beneficente 

Além de homenagens, pelo menos quatro formas de arrecadações foram discutidas entre os executivos. A conclusão é que o grupo só poderá avançar na medida em que a própria Chapecoense se reorganize do ponto de vista diretivo, tenha um raio-x de suas principais demandas e possa se estruturar para receber doações. 

Duas ideias despontam como mais viáveis: cada clube realizar leilões de seus uniformes especiais e reverter recursos para a Chapecoense. O entendimento é que serão peças históricas com grande apelo. Além disso, as equipes pensam em unir forças para realizar uma grande campanha para a Chape receber milhares de novos sócios e, por consequência, recursos financeiros. Para viabilizar tudo isso, porém, será necessário que a direção catarinense se prepare para uma demanda à qual não está habituada. Hoje, o clube tem só 9 mil associados. 

Por outro lado, doar renda é algo difícil de ser feito. Primeiro, porque a receita da última rodada do Brasileirão só sairia, em tese, de metade dos clubes, no caso os mandantes. Em segundo lugar, nem todas as equipes são donas da própria renda de partidas, casos por exemplo de Grêmio e Corinthians. 

O grupo de executivos dos clubes brasileiros também fala sobre a realização de jogos comemorativos para levantar renda. Entretanto, foi identificado como muito provável que uma série dessas partidas serão feitas, o que diminuiria o potencial de qualquer festa a ser realizada pelas equipes. 

A reportagem entrou em contato com a Umbro, que não se manifestou até a publicação da reportagem. 

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