José Serra chora em discurso e comove colombianos

Felipe Pereira

Do UOL, em Medellín (Colômbia)

O discurso emocional e o choro do ministro de Relações Exteriores José Serra comoveram os colombianos que estavam no estádio Atanásio Giradort, nesta quarta-feira, durante a homenagem que o Atlético Nacional fez à Chapecoense.

A rádio Caracol, uma das maiores do país, disse que foi o discurso foi "impressionante, comovente e tocante". O locutor da rádio também disse que a fala de Serra foi o momento mais emocionante da noite. Representando o governo brasileiro, o ministro falou em espanhol e repetiu palavras que ele já havia dito em entrevista coletiva mais cedo, logo que chegou ao país.

"De coração, muito obrigado. Os brasileiros não esqueceremos a forma como os colombianos sentiram como seu o terrível desastre que interrompeu o sonho da equipe da Chapecoense, uma espécie de conto de fadas com final de tragédia", afirmou o chanceler.

Ele foi aplaudido algumas vezes durante a fala de pouco mais de seis minutos. Em contato com o UOL Esporte, o chanceler, que assumiu o cargo em maio depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, disse que nunca havia se emocionado tanto ao falar em público.

"Comoveu muito a gente", afirmou Jonathan lopera, torcedor do Independiente que, mesmo assim, estava no estádio dos rivais. "As palavras, o momento que cortou a voz e quase começou a chorar. Gerou uma proximidade entre Brasil e Colômbia pelo agradecimento que falou. As pessoas começaram a chorar."

Leia o discurso de José Serra:

Muito obrigado, Colômbia.

De coração, muitíssimo obrigado. Nesse momento de muita tristeza para famílias e para nós todos, as expressões de solidariedade que aqui encontramos, como a solidariedade que traz cada um de vocês colombianos e torcedores do Atlético Nacional aqui no Atanásio Girardot, nos oferecem um grau de consolo imenso, uma luz na escuridão quando todos estamos tentando compreender o incompreensível.

Os brasileiros não esqueceremos jamais a forma como os colombianos sentiram como seu o terrível desastre que interrompeu o sonho da equipe da Chapecoense, uma espécie de conto de fadas com final de tragédia, assim como não esqueceremos a atitude do Atlético Nacional e de todos seus torcedores que pediram para que se conceda o título da Copa Sul-americana a Chapecoense, um gesto que honra o esporte, de toda parte e o colombiano, e essa querida cidade de Medellín e é um grande gesto dos verdolagas.

Depois do ocorrido nessa fatídica noite de 28, o Brasil acordou perplexo para a dura realidade de uma festa que não houve, para uma expectativa frustrada de uma partida histórica para Chapecó que já não poderá ser realizada, para a dor imensa de uma perda. Talvez não seja uma coincidência que as cores em comum do Atlético e da Chapecoense sejam verde e branco, esperança e paz. Além da tragédia que vitimou também jornalistas e membros da delegação, as inúmeras manifestações de carinho à Chape no Brasil, na Colômbia e no mundo todo são testemunha da importância e da nobreza do esporte como catalisador dos melhores sentimentos humanos, como arma para combater a intolerância e instrumento para construir um mundo melhor.

Muito obrigado Colômbia, muito obrigado Atlético de Medelllín, muito obrigado a todos os que estão aqui.

[Agradece autoridades presentes]

Queria dar meu abraço pessoal a cada um, muito apertado. E dizer da emoção de aqui escutar o hino que vocês compuseram essa noite em homenagem a esses brasileiros. É uma emoção muito grande! Em toda minha vida não tive uma emoção tão grande. Muito obrigado, Colômbia.

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