Especialista diz que posição de impacto é fundamental para reduzir riscos

Vinicius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • REUTERS/Chaiwat Subprasom

Em sua primeira declaração após acidente com o avião Avro RJ-85 que transportava o time da Chapecoense, o comissário de bordo Erwin Tumiri afirmou que só sobreviveu porque seguiu todos os procedimentos de segurança.

O principal ponto foi ter se mantido calmo e adotado a posição de impacto – sentado com o corpo curvado para frente e com a cabeça próxima ao joelho. A orientação de como se posicionar corretamente em caso de queda consta em todos os cartões de segurança a bordo de todos os aviões.

A presidente do conselho da SBMA (Sociedade Brasileira de Medicina Aeronáutica), Vânia Elizabeth Ramos Melhado, diz que não é possível afirmar categoricamente que se todos os passageiros tivessem seguido as instruções haveria mais sobrevivente na queda do avião. "Acredito que se todos tivessem adotado a posição recomendada diminuiria o risco de morte. Isso é o que já foi provado em vários estudos", afirma.

Segundo ela, a recomendação para adotar a posição de impacto foi feita pelos órgãos internacionais de aviação civil após diversos estudos de qual seria a melhor forma de proteger o corpo humano.

"A posição diminui a área de impacto do corpo e protege os órgãos vitais de perfurações que possam ocorrer", afirma.

Localização dentro do avião

Logo após o acidente, alguns especialistas chegaram a cogitar que os sobreviventes, provavelmente, estavam sentados na parte traseira do avião. No entanto, a presidente da SBMA afirma que não há como precisar qual seria o melhor local para sentar dentro do avião.

"O que influencia é onde o avião sofreu o impacto e onde os sobreviventes estavam sentados. Não há como precisar um assento mais seguro para todos os casos. É preciso avaliar a forma como o avião teve o impacto. São muitas variáveis", afirma.

Exemplos reais

Na história da aviação há diversos exemplos nos quais a adoção da posição de impacto pelos passageiros contribuiu para salvar vidas. Um dos exemplos mais notáveis aconteceu em janeiro de 2009, quando um Airbus A320 da US Airways pousou no rio Hudson, em Nova York. Todos as 155 pessoas a bordo sobreviveram.

Em seu site, a autoridade de aviação civil australiana cita outro caso de acidente no qual a posição de impacto pode ter salvo uma vida após. O caso ocorreu após a queda de um avião bimotor com 16 passageiros a bordo. A maioria estava dormindo no momento, com exceção de um, que acordou, adotou a posição de impacto e foi o único sobrevivente.

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