Clubes vão cobrar melhorias em viagens da Conmebol e contam apuros

Eduardo Ohata e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

O acidente com a delegação da Chapecoense, na Colômbia, fez com que os clubes brasileiros da Série A refletissem. Em contato com a reportagem do UOL Esporte, os responsáveis pelas logísticas das viagens das equipes contaram alguns apuros que já passaram e revelaram que começaram a se mobilizar para exigir mudanças.

A ideia é que quase todos os times do Brasileiro cobrem por melhorias nas condições oferecidas pela Conmebol (órgão responsável por gerenciar o futebol da América do Sul). As primeiras reinvidicações devem ser apresentadas para a entidade na reunião do dia 21 de dezembro, em Assunção, no Paraguai.

Hoje, não há qualquer amparo oficial da entidade para os times se deslocarem durante as competições. Os atletas inscritos nos campeonatos também não têm seguro de vida vinculado à Conmebol. No Brasileiro, por outro lado, a CBF oferece o serviço de agenciamento, passagens e hospedagens. Também de acordo com a Lei Pelé, os clubes são obrigados a pagar um seguro de vida para os jogadores.

"Acho uma boa ideia, bem melhor do que é hoje, quando os clubes é que fazem tudo. Afinal, a Conmebol conhece melhor as regiões da América do Sul. Essa ideia ganha mais importância com a possível entrada de times americanos e do México [nas competicões]", defende Rogério Portugal Bacellar, presidente do Coritiba, que neste ano disputou a Copa Sul-Americana.

Outra mudança sugerida por alguns representantes dos clubes é uma mudança no calendário. Em campeonatos com sistema eliminatório, os times têm muitas vezes menos de uma semana para organizar uma viagem internacional para locais em que não há uma grande oferta de voos.

Ou seja, com um tempo maior para planejar a viagem, os responsáveis pela logística teriam mais tranquilidade para organizar o transporte das equipes. Por outro lado, os funcionários dos clubes já pensam em não contratar mais voos fretados. O Boca Juniors, da Argentina, por exemplo, já declarou que só pretende usar voos de carreira a partir de agora.

Para justificar tais mudanças, os funcionários contam apuros que passaram nos últimos anos. Sob a condição de não revelar o nome para evitar represálias, eles contaram para o UOL Esporte algumas situações críticas que viveram. 

Susto

"Estava no voo do Corinthians de 1996. Na ocasião, o comandante decidiu encher o tanque para não fazermos uma parada [em Guaiaquil]. Quando o avião tentou decolar, o piloto se deu conta que não teria sucesso e abortou a subida. A aeronave atravessou o muro do aeroporto Mariscal Sucre, no Equador, e caiu com o bico na pista".

Turbulência

"Sei que turbulência é algo que pode acontecer em qualquer voo. Quando vamos para o Chile, não sei se por conta das Cordilheiras dos Antes, parece que isso sempre é pior. Mas teve uma vez, que estávamos indo para Cochabamba, na Bolívia, em que ficamos com muito medo. O avião balançou demais, os jogadores ficaram com bastante medo"

Sem vaga

"Certa vez, a nossa equipe tinha de disputar um mata-mata e não sabíamos ainda quem seria o adversário. Era possível ser um time da Argentina ou outro do México. Por isso, reservamos passagens em voos comerciais para os dois países. Para fazer isso, é necessário pagar, em geral, US$ 50 (R$ 170) por pessoa e esse é um dinheiro que você joga no lixo, porque não tem como recuperá-lo. Como tínhamos 45 pessoas na delegação, perdemos US$ 2.250 (equivalente hoje a cerca de R$ 7.600). Além disso, nem sempre é possível fazer esse tipo de reserva, porque às vezes os voos são muito concorridos."

Bem diferente da foto

"Eu sempre busco informações com os colegas de profissão antes de reservar um voo. Recebi uma proposta de uma empresa que faz fretamento na Venezuela. As fotos mostravam aviões grandes e as referências até que eram positivas. Porém, quando chegamos lá, o avião era bem menor do que o esperado. Por isso, tivemos de dividir o grupo durante uma das pernas da viagem. Uma parte da delegação partiu primeiro, enquanto a outra esperou o avião voltar para buscá-los. Vale destacar que os voos fretados dão comodidade para o jogador e isso é importante na sua recuperação. Porém, agora vamos pensar muito mais antes de fazer esse tipo de voo."

Custo alto

"Para a nossa equipe chegar no México, tivemos de fretar um avião, que saiu dos Estados Unidos. O custo ficou muito alto. Gastamos US$ 400 mil(R$ 1,3 milhão). A sorte é que o nosso presidente estava muito empolgado com a competição e não achou ruim de gastar bastante para dar conforto aos jogadores."

Falta de segurança

"Já passei por vários apuros. Teve uma vez na Venezuela em que o país estava em guerrilha. Nem tive coragem de sair do hotel. Cheguei antes de todo mundo para organizar a viagem e fiquei lá, sozinho. Quando o restante do time desembarcou, fiquei até emocionado."

Só com reserva

"Recebemos o tempo todo ofertas das companhias áreas. Mas sempre buscamos saber a procedência dessas empresas, porque tem muita coisa estranha no mercado. Eu, por exemplo, jamais marcaria uma viagem de uma empresa que só tem um avião. No mínimo, a companhia deve ter um equipamento reserva ao seu dispor no aeroporto."

Liberação da Anac

"Para a gente fretar um voo, é necessário ter a liberação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Apesar de termos bons contatos, às vezes isso demora um pouco. Já fiquei apreensivo algumas vezes com isso. Teve uma vez que fizemos até uma escala em Manaus só para os funcionários da Anac liberarem a nossa saída do país."

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