Parentes sofrem com voo cancelado, noite em ônibus e atraso para velório

Danilo Lavieri e Luiza Oliveira

Do UOL, em Chapecó (SC)

  • Luiza Oliveira/UOL

    Rosângela Loureiro se atrasou para o velório do marido Cleber Santana

    Rosângela Loureiro se atrasou para o velório do marido Cleber Santana

Algumas famílias tiveram que enfrentar um outro desgaste depois do velório coletivo na Arena Condá. Elas não conseguiram sair de Chapecó na noite de sábado (4) por causa do mau tempo e encararam uma viagem de ônibus, que durou a noite inteira, até as capitais mais próximas. Assim, alguns parentes até se atrasaram para os velórios privados.

A Chapecoense havia fretado um voo da companhia Azul para sair de Chapecó às 19h de sábado em direção ao aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro. De lá, um avião da FAB levaria cada família para a cidade de destino. Mas o mau tempo na cidade impediu que o avião pousasse por falta de teto.

Sem saber se o problema seria resolvido até a manhã de domingo, elas decidiram encontrar outra saída e viajar de ônibus até a capital mais próxima. O clube disponibilizou dois ônibus, com destino para Curitiba e Porto Alegre, que saiu de Chapecó por volta de 22h. Dois funcionários da Chapecoense foram juntos para dar suporte.

Pessoas próximas às famílias relataram que o trajeto foi 'horrível' por ser extremamente desgastante. Muitas esposas não conseguiram dormir e ainda tiveram que lidar com a falta de conforto dos filhos. A mulher do jogador Gimenez, Patrícia, viajou com sua filha de apenas três anos. Rosângela Loureiro, mulher de Cleber Santana, também estava com os dois filhos Cleber, de 14 anos, e Haroldo, de 12.

O transtorno dos familiares de Cleber Santana foi ainda maior. Rosângela, os filhos e o irmão do atleta enfrentaram uma verdadeira maratona para chegar até Recife onde o corpo será enterrado. Eles chegaram em Curitiba de ônibus apenas por volta de 6h deste domingo. De lá, pegaram um voo às 7h com conexão em Brasília e só aterrissaram na capital pernambucana por volta de 13h15.

O trajeto também foi complicado porque os assentos no avião estavam separados e eles não ficaram juntos. Para piorar, se atrasaram para o velório. O corpo de Cleber havia chegado ao local por volta de 9h45 e começou a ser velado às 11 h na sede do Sport.

Um amigo da família reclamou da logística elaborada para as famílias. O motivo da insatisfação era o voo ter sido marcado apenas para a noite de sábado, sendo que o velório coletivo na Arena Condá havia sido finalizado no início da tarde. Neste período, o aeroporto da cidade funcionava tranquilamente. Prova disso é que os corpos conseguiram viajar normalmente.

Integrantes da diretoria da Chapecoense consideram o transtorno um imprevisto por causa do mau tempo. Eles fizeram o possível para reduzir os danos e dar todo o suporte para família.

Depois de um dia de forte emoção com o velório coletivo na Arena Condá, o domingo também foi um cansativo e desgastante para todas das famílias. Os corpos das vítimas foram velados em diversas cidades do país com direito a muitas homenagens e comoção.

Ídolo do time, o goleiro Danilo  foi velado e enterrado em Cianorte, interior do Paraná, durante a tarde. Já o presidente Sandro Pallaoro foi enterrado na manhã deste domingo, em Chapecó, com a uma homenagem da torcida e uma música feita para ele.

O velório do lateral direito Gimenez ocorreu durante a tarde no Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. Além da tristeza, o ritual fúnebre teve momentos de forte estresse. A viúva do jogador, Patrícia Gimenez, e a mãe do atleta se estranharam e chegaram a se agredir por discordarem de alguns procedimentos do velório.

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