Em caos político, grupo de Andrés pede cabeça de Alessandro no Corinthians

Dassler Marques e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Alessandro conversa com o treinador Oswaldo de Oliveira

    Alessandro conversa com o treinador Oswaldo de Oliveira

O rompimento político no Corinthians entre o presidente Roberto de Andrade, o antecessor Andrés Sanchez e vários outros grupos de conselheiros colocou pressão sobre o gerente de futebol Alessandro Nunes. Apesar das cobranças, as indicações da direção do clube são de que o ex-lateral não deve ter sua situação revista para a temporada 2017 e segue no cargo.  

Nas últimas semanas, vários membros do grupo de Andrés têm questionado a atuação de Alessandro como gerente. As reclamações dessas pessoas vão desde a atuação no mercado para buscar reforços até questionamentos no que diz respeito à relação com o vestiário. Também há contestações sobre a participação dele no processo de contratação de Oswaldo de Oliveira: no episódio, Alessandro não teria informado o diretor de futebol adjunto Eduardo Ferreira, que se desligou do posto por se considerar traído no processo. 

A única dessas situações que apareceu de forma concreta foi no período de salários atrasados no Corinthians, em novembro. Na ocasião, o lateral Fagner chegou a dizer que buscava contato com Alessandro para entender melhor a situação e ter uma posição para repassar ao elenco. Deu a entender que havia faltado comunicação por parte do gerente. 

Ainda assim, vários jogadores ouvidos pela reportagem, por meio de seus estafes, fizeram elogios à participação de Alessandro no dia a dia e à conduta dele diante do vestiário. Apesar da inexperiência na função, o gerente de futebol também tem fama de trabalhador no CT Joaquim Grava - ele recusou uma oferta do Flamengo há alguns meses. Já os críticos dizem até que ele passa muito tempo na academia do clube para manter a forma. 

Internamente, Oswaldo de Oliveira também tem feito muitos elogios a Alessandro. Conforme apurou a reportagem, o treinador elogia o interesse do gerente de futebol para trazer mais ideias e fazer evoluir o departamento de futebol. Nem mesmo uma entrevista recente do gerente, em que deixou no ar a possibilidade de troca no comando técnico ao fim do Brasileirão, atrapalhou a relação. Oswaldo foi procurado por Alessandro e se convenceu de que a declaração não havia sido bem interpretada. 

Desde 2014, quando se tornou coordenador técnico na gestão do presidente Mário Gobbi, Alessandro recebe elogios por não se envolver em questões políticas do Corinthians. Se por um lado também recebeu críticas por não ter se preparado por um período após encerrar a carreira de atleta, por outro era visto por Mano Menezes e Gobbi como um profissional que defendia os interesses do clube. Hoje, as críticas do grupo de Andrés são parecidas: ele seria fiel ao extremo a Roberto de Andrade. 

A percepção é diferente da que existia sobre Edu Gaspar, hoje coordenador da seleção brasileira e que transitava melhor entre diferentes correntes em meio aos problemas políticos que interferem no dia a dia do CT Joaquim Grava. Por sinal, até pela grande amizade que construiu com Alessandro, Edu até hoje atua como espécie de conselheiro dele e do presidente Roberto de Andrade em situações eventuais do futebol do Corinthians. 

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