O que deu 'asco' a Paulo Nobre durante os 4 anos de gestão no Palmeiras

Diego Salgado, Eduardo Ohata e José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Cesar Greco/Fotoarena

    Paulo Nobre deixa a presidência do Palmeiras após quatro anos

    Paulo Nobre deixa a presidência do Palmeiras após quatro anos

Quatro anos passados, e uma realidade oposta à encontrada lá atrás. Assim, Paulo Nobre encerra a passagem de quatro anos como presidente do Palmeiras. Do quase rebaixamento no ano do centenário, passando por 79 contratações e dois títulos nacionais (Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro). Neste período, a tradicional oposição palmeirense reduziu, quase desapareceu.

O próprio Paulo Nobre termina a gestão sem uma referência contraditória dentro do Conselho Deliberativo. A pressão diante do mandatário, nos últimos 18 meses, inexistiu. Os resultados em campo, o aporte financeiro - especialmente com a chegada da Crefisa – e o sucesso do Allianz Parque colaboraram para a paz política rara na Academia de Futebol.

"Vai gerar um pouco de polêmica isso que eu vou falar. A maior dificuldade que eu senti nesses quatro anos foi presidir o Palmeiras sem uma oposição. É muito complicado quando o gestor não tem um contraponto; digo um contraponto de pessoas inteligentes, de pessoas construtivas, de pessoas que observam o que está errado e eventualmente oferecem soluções", declarou o presidente, em entrevista concedida ao UOL Esporte.

"Eu me senti, junto com meu grupo, muito no vazio. Presidir sem um contraponto. Não ter tido oposição. Eu não entendo como oposição meia-dúzia de pessoas que não sabem fazer um O com um copo. Eu estou falando de oposição de verdade, que você respeita, que você fala 'se eu não estivesse aqui, eles poderiam estar no meu lugar e poderiam estar fazendo alguma coisa de fato'", acrescentou.

'Isso me dá asco'

A falta de oposição, no entanto, não significa um Palmeiras pacificado. Pelo menos na visão de Paulo Nobre, que se incomoda com a 'meia-dúzia' contrária à gestão. O mandatário reclama da 'torcida contra' nos últimos quatro anos e questiona a tentativa de uma candidatura contrária ao braço-direito Maurício Galiotte, que assume a cadeira na sexta-feira.

"Quando no momento difícil precisávamos de união, infelizmente muitas pessoas torceram contra. Isso para mim é inadmissível. Como alguém pode torcer contra o próprio clube? Isso me dá asco", reclamou Paulo Nobre.

"Apesar de ser um grande otimista, não vejo uma paz política. Vejo meia-dúzia que gritava muito sem a menor consistência. Tentaram fazer uma oposição sem a menor inteligência; eles foram extremamente predadores ao clube", atacou o quase ex-presidente palmeirense.

Cesar Greco/Fotoarena
Gestão de Paulo Nobre eliminou a força tradicional da oposição palmeirense

Durante a conversa com a reportagem, o presidente usou e abusou de metáforas para abordar os quatro anos de gestão. Os poucos opositores são classificados como 'bigornas'.

"Estávamos no mar precisando de uma boia e aquela meia-dúzia era uma bigorna. Todos os insatisfeitos se juntaram numa berraria. Mas os cães ladram e a caravana passa", filosofou.

"Quase não fazia sentido ter um candidato contra o Maurício, meu braço-direito, uma pessoa que tem todos os méritos de conseguir militar bem. Eles tentaram até a última hora lançar uma chapa!", questionou.

"Só que a coletividade chegou a falar que não tinha sentido. Vão criticar o quê? Faço votos para que o Maurício consiga manter essa linha. Ele é uma pessoa que tem um viés político muito maior que o meu", finalizou.

Sugestão de Mustafá Contursi

Depois desta quinta-feira, Paulo Nobre se afastará da rotina com a qual se acostumou nos últimos quatro anos. O mandatário ainda não se manifestou sobre o futuro dentro do Palmeiras, mas as sugestões começam a surgir. Mustafá Contursi, antiga oposição ao presidente campeão brasileiro, tem uma sugestão.

Ivo Lima/Ministério do Esporte
Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras

"É importante. Ele é um membro nato do COF (Comitê de Orientação Fiscal) como eu, como o Affonso Della Monica. Esse é o papel [que ele deve assumir]. Nós [ex-presidentes] participamos muito", declarou à reportagem.

Ainda bem influente dentro do conselho palmeirense, Mustafá Contursi reconhece a mudança de patamar do clube sob a gestão de Nobre, mas faz ponderações.

"Ele assumiu num momento de muita dificuldade, com 25% das receitas disponíveis; 75% já estavam comprometidos. Ele deu uma rolagem na dívida do Palmeiras, e o clube começou a se organizar", analisa, antes de apontar defeitos.

"Palmeiras está gastando muito mais dinheiro do que deveria por causa dessa história de departamento, profissionalização, promoções, gerentes, subgerente; tanto que aumentamos extraordinariamente o número de pessoal e de salário muito acima do mercado", disse Mustafá, elogioso ao agora ex-presidente.

"Conheço o Nobre há um bom tempo, ele chegou a ser diretor em uma das minhas gestões. Quando concorreu à presidência do Conselho Deliberativo, foi muito respeitoso, embora fosse meu opositor e até veio conversar comigo antes; ele foi bem para quem estava concorrendo pela primeira vez, conseguiu 40, 50 votos, números respeitáveis", finalizou.

Nobre, um fruto do momento

Depois da tumultuada presidência de Arnaldo Tirone, a qual finalizou com o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro, Paulo Nobre aproximou-se de Mustafá Contursi, ainda poderoso dentro do Conselho Deliberativo do Palmeiras, e ganhou força para vencer assumir a presidência em 2013.

Mustafá Contursi, na época, encontrava-se sem um candidato forte. Nobre, com a possibilidade de sanear as dívidas acumuladas desde a gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo, abençoou a candidatura, assim como Roberto Frizzo, que desistiu da candidatura próximo ao pleito.

Divulgação
Leila Pereira faz campanha por uma vaga no Conselho

A vantagem confortável sobre Décio Perin no pleito rapidamente comprovou a força da nova aliança na política palmeirense. A oposição perdera força, mesmo diante de resultados insatisfatórios da equipe.

A recuperação financeira da primeira gestão se sobrepôs ao resultado do campo; o Palmeiras quase retornou à Série B no ano do centenário (2014). Em 2015, Nobre acabou reeleito com 60% de votos com o apoio de Mustafá Contursi e da base antiga do conselho.

O investimento pesado com a chegada da Crefisa, os aportes financeiros e os resultados do campo – títulos da Copa do Brasil e Brasileiro – detonaram a oposição palmeirense. Nenhum nome surgiu com força para combater Maurício Galiotte, braço-direito do mandatário, no pleito ocorrido no mês passado.

A oposição enfraqueceu-se; alguns grupos políticos se direcionaram para a eleição do conselho, em fevereiro. Neste pleito, quem surge com força é uma opositora recente de Nobre: Leila Pereira, dona da Crefisa e já em campanha entre conselheiros. Leila, que se envolveu em embates com a atual gestão, possui até o apoio da principal organizada do clube.

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