Barça x Santos faz 5 anos: Shakira, má aposta de Muricy e vacilo de Neymar

Bruno Freitas

Do UOL, em São Paulo

  • REUTERS/Kim Kyung-Hoon

    Messi encobre o goleiro Rafael na final de 2011 no Japão; argentino fez dois no Santos

    Messi encobre o goleiro Rafael na final de 2011 no Japão; argentino fez dois no Santos

"Vamos ver se o Barcelona é isso tudo", afirmou o ex-lateral Léo, em junho de 2011, em uma bravata descontraída durante as comemorações do título do Santos na Libertadores daquela temporada. Seis meses mais tarde, o então campeão da Europa atropelou os adversários sul-americanos na final do Mundial de Clubes da Fifa, em Yokohama, em partida que completa exatos cinco anos neste domingo, 18 de dezembro.

Segundo o autor da biografia de Pep Guardiola, este jogo do Japão é considerado pelo treinador a melhor atuação do Barcelona sob seu comando – o ápice de uma cultuada filosofia de futebol. A vitória de 4 a 0 sobre o Santos é lembrada mais comumente pela facilidade da construção do placar e pelo massacre dos espanhóis na estatística de posse de bola. No entanto, o confronto também teve outros elementos para a posteridade, de presença ilustre na torcida até uma aposta tática fracassada do lado brasileiro.

Abaixo, relembre alguns fatos sobre a goleada dos tempos em que Neymar era adversário de Messi:    

Shakira torceu para o Barça em Yokohama

Reprodução/Twitter

A torcida do Barcelona no Japão contou com a presença ilustre da cantora Shakira, esposa do zagueiro Piqué. A colombiana ficou hospedada junto com os sogros no Hotal Mandarin, em Tóquio. Enquanto o marido lutava pelo título mundial em campo, a estrela pop fez turismo pelo país asiático.

No dia da final contra o Santos, a celebridade da música publicou em uma rede social fotos das arquibancadas do estádio em Yokohama.

Neymar desperdiçou contra-ataque com placar em 0 a 0

A memória de quem assistiu a aquele jogo deve guardar a facilidade com que o Barcelona acuou o Santos, desde o início. No entanto, os brasileiros tiveram uma boa oportunidade de marcar quando o placar ainda estava empatado, em 0 a 0.

Ricardo Nogueira/Folhapress

Aos 7 minutos do primeiro tempo, depois de um erro de Daniel Alves, Borges acionou Ganso na esquerda e deu início a uma boa jogada de contra-ataque. O meia então passou para Neymar, que acabou ignorando a passagem de Danilo pela direita, totalmente sem marcação, pronto para entrar na área. A jovem estrela santista preferiu a saída mais difícil, tentando passar no meio de Puyol e Busquets, mas acabou obstruído.

Ainda antes do primeiro gol do Barça, o Santos ganhou outra chance de abrir o placar. Aos 14 minutos, os campeões da Libertadores tiveram uma falta para bater próxima ao bico da grande área adversária. No lance, Neymar rolou a bola para Ganso, mas o meia chutou sem muita força, pela linha de fundo.

Muricy "trucou" Guardiola com Bruno Rodrigo (e se deu mal)

O então treinador do Santos optou pela formação com três zagueiros, colocando Bruno Rodrigo pela direita e adiantando os laterais Danilo e Léo para a linha média. Com esta escalação, Muricy decidiu tirar do time o meia Elano, que não vinha atravessando bom momento técnico no final daquela temporada.

AFP PHOTO/KAZUHIRO NOGI

Em 2011, a alternância tática para o modelo de três zagueiros havia dado certo na semifinal do Paulista, contra o São Paulo. Na oportunidade, depois de sofrer pressão do rival no primeiro tempo, Muricy trocou Zé Eduardo por Bruno Aguiar, e o Santos passou a dominar o clássico, com vantagem numérica no meio-campo – o time venceu a partida por 2 a 0 e assegurou vaga na decisão estadual.    

Mas, em Yokohama, a formação com três zagueiros não surtiu efeito. Bruno Rodrigo foi mais um santista a correr atrás dos adversários de frente do Barcelona. No primeiro gol, o defensor se atirou em vão para tentar cortar o chute de Messi, em cima da linha. Já na jogada do gol de Xavi, o atual cruzeirense errou o bote dentro da área e viu o volante armar a finalização.

Gol teve chaleira de Xavi e furada de Durval

O Barcelona abriu a vitória aos 16 minutos do primeiro tempo, após uma troca de bolas pela direita. Antes da finalização de Messi na saída de Rafael, o meio-campo Xavi consertou um passe alto ao dominar a bola de chaleira, esbanjando técnica, com a perna estendida para cima. Logo na seguida, o zagueiro Durval furou feio ao tentar interceptar o lance, que acabou com a conclusão fria e certeira do craque argentino.

Santos na roda antes do gol de Xavi

Em vários momentos do jogo o Barcelona colocou o Santos para correr, mantendo a posse de bola sem interferência por até mais de um minuto. No apito inicial, por exemplo, foram 22 trocas de passes (e 48 toques) até que o Santos finalmente encostasse na bola, com o relógio em 1min07.

Foi mais ou menos assim também na jogada que antecedeu o segundo gol, marcado por Xavi, ainda no primeiro tempo. Em 30 segundos, foram dez trocas de passes seguidas, até Daniel Alves achar o volante espanhol na área brasileira.

Edu Dracena parou Messi na marra (duas vezes!)

O placar já apontava 3 a 0, mas Messi queria mais. Aos 13 minutos do segundo tempo, o argentino arrancou com a bola dominada e começou a enfileirar os santistas, até parar na obstrução de Edu Dracena. Como vinha em velocidade, o craque do Barcelona acabou sentindo a pancada e ficou cerca de um minuto agachado no chão, com expressão de dor.

Aos 28 minutos, a cena se repetiu, e Dracena teve que derrubar Messi com uma rasteira, para evitar que o argentino parasse na cara do gol. Desta vez, o santista recebeu o cartão amarelo.

O tamanho do massacre na posse de bola

Os "memes" rolaram soltos pela internet brasileira após aquela final no Japão. Os torcedores adversários gozaram o Santos, dizendo até que os gandulas de Yokohama tiveram mais posse de bola do que o time de Neymar e Ganso. Mas qual foi exatamente o tamanho do domínio catalão nessa estatística?

Nesta partida, o Barcelona terminou com posse de 71%, contra 29% dos santistas. Mas, durante o jogo, os espanhóis chegaram a ter picos de 75% de bola nos pés.

Apenas para efeito de comparação, o Barcelona teve 72% de posse de bola no jogo anterior daquele Mundial, quando venceram o Al Sadd, do Qatar, na semifinal.

Você lembra? Eles também jogaram contra o Barcelona

O Santos que entrou em campo em Yokohama no dia 18 de dezembro de 2011 não contou apenas com ídolos do momento, como Neymar, Ganso, Arouca e Rafael. Outros nomes estiveram na partida, figuras que até mesmo alguns torcedores santistas podem não recordar. 

REUTERS/Issei Kato

Adquirido junto ao Cruzeiro, o volante Henrique (na foto ao lado) teve partida discreta contra o Barcelona. O atacante Borges também foi titular naquele domingo. Artilheiro do Brasileiro de 2011, com 23 gols marcados, o centroavante apareceu pouco diante dos campeões europeus, mas teve uma boa chance dentro da área quando o placar apontava 2 a 0, exigindo boa defesa de Víctor Valdés.

Nomes que tiveram passagens breves pelo Santos também entraram no decorrer da partida, como o meia Ibson (que custou R$ 9 milhões ao clube naquela temporada). Alan Kardec ainda foi a campo no fim, no lugar de Borges. Já no banco de reservas, Muricy Ramalho contava com opções como os atacantes Rentería e Diogo.

Pelo menos a torcida deu o seu show

Uma pequena multidão de santistas lotou o saguão do aeroporto de Cumbica no embarque do time para o Japão, ainda quando esse tipo de manifestação não estava na moda. Foram cerca de 10 mil alvinegros em Guarulhos. Já no Japão, os seguidores do campeão da Libertadores de 2011 ficou na casa dos 5 mil.

Mesmo com a desvantagem na decisão com o Barcelona, os santistas não deixaram de fazer barulho no estádio em Yokohama. Em vários momentos do segundo tempo, quando o placar já apontava 3 a 0 para os espanhóis, os torcedores brasileiros cantaram alto, deixando uma imagem de fidelidade e esportividade. 

REUTERS/Toru Hanai

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