Copinha: Prefeitura marca hotel para times após cancelar licitação suspeita

Aiuri Rebello

Do UOL, em São Paulo

  • Arte/UOL

    <b>UOL</b> registrou em cartório vencedores de licitação de hotéis da Copinha dias antes do resultado: Prefeitura cancelou o certame.

    UOL registrou em cartório vencedores de licitação de hotéis da Copinha dias antes do resultado: Prefeitura cancelou o certame.

A Prefeitura de São Paulo voltou atrás na tarde desta sexta-feira (23) e resolveu o impasse criado com o cancelamento da licitação para contratação de hotéis para os times da Copa São Paulo de juniores em 2017. Os times vão ficar hospedados no hotel Holiday Inn, localizado no complexo do Anhembi, na zona Norte da capital.

O certame para a contratação dos hotéis foi anulado na semana passada depois que o UOL revelou que havia registrado em cartório, dias antes, quais seriam os vencedores da disputa. A suspeita é que tenha acontecido uma espécie de cartel para fraudar a concorrência, que foi fechada por um valor 666% do que o gasto neste ano pelo mesmo serviço.

Neste ano o custo com a mesma contratação, que além de hospedagem inclui refeições e alguns outros serviços, foi de R$ 149 mil. Para o ano que vem, a licitação havia sido vencida pelos hotéis San Raphael e Excelsior (o mesmo que havia vencido sozinho a licitação deste ano), ambos no centro da capital, por R$ 1 milhão.

Após a revelação da suspeita de cartel, a Prefeitura afirmou que não iria mais se responsabilizar pelos cinco times que ficarão em São Paulo para disputar a competição, que vai do dia 4 ao dia 26 de janeiro. A FPF (Federação Paulista de Futebol), com quem a Prefeitura tinha um compromisso assinado para arcar com este apoio para a competição desde agosto, cobrou uma solução que não prejudicasse o campeonato.

Nesta sexta-feira, o impasse foi resolvido. A hospedagem dos times juniores do Goiás (GO), Figueirense (SC), Sete de Setembro (AL), Corissabá (PI) e Pérolas Negras (time formado por refugiados no Haiti que tem sede no Rio de Janeiro) foi assumida pela SPTuris (empresa pública de promoção do turismo da Prefeitura de São Paulo), que possui um contrato ativo com o hotel Holiday Inn.

Assim, as hospedagens serão contratadas sem licitação. De acordo com nota da assessoria de imprensa da Prefeitura da capital paulista enviada ao UOL, "a orientação da Prefeitura é de que o valor do aditivo do contrato não seja superior ao que foi gasto em 2015", ou seja, R$ 550 mil -- metade do custo inicialmente previsto na licitação cancelada.

"A Prefeitura vê indícios claros de dumping [quando os preços são abaixados artificialmente para prejudicar a concorrência] na licitação que definiu o valor de R$ 149 mil para este ano, e por essa razão estabeleceu o valor do ano anterior, que é compatível com os valores de referência da cotação feita no mercado", afirmou o secretário de Comunicação de São Paulo, Nunzio Briguglio Filho.  

O secretario ressalta que este é o custo máximo, já que o preço final das diárias vai depender do avanço das equipes na competição. "Consideramos a Copa São Paulo um evento importantíssimo e por isso fomos buscar uma solução no limite do que era possível fazer, depois do problema com a licitação", disse Briguglio Filho. Ele afirma também que a Controladoria do município investiga tanto a suspeita de cartel na licitação deste ano quanto a dumping na do ano passado.

Hotéis irão recorrer de cancelamento de licitação

Enquanto isso, os hotéis San Raphael e Excelsior informaram a Prefeitura que vão recorrer da decisão de anular e cancelar a licitação na qual sagraram-se vencedores.

Ambos hotéis afirmaram que, se for o caso, também vão entrar na Justiça contra a decisão da Prefeitura.

Procurados pelo UOL diversas vezes, os responsáveis pelos hotéis Excelsior e San Raphael não retornaram para esclarecer as suspeitas levantadas na reportagem nem o cancelamento do certame anunciado pela Prefeitura.

A Copa São Paulo acontece do dia 4 ao dia 26 de janeiro. Na edição deste ano tem 120 times distribuídos em 30 grupos com quatro times cada. A competição acontece em 29 cidades-sede do estado de SP, entre elas a capital.

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