Sem medo de voar, Henzel tem meta de narrar a Chape na Venezuela em março

Daniel Fasolin*

Do UOL, em Chapecó

Aos poucos, a vida de Rafael Henzel vai deixando seu momento mais tumultuado na direção de uma rotina normalizada. Um dos seis sobreviventes do desastre aéreo que vitimou a delegação da Chapecoense na Colômbia, o jornalista se recupera bem de ferimentos, considerados leves hoje, pouco mais de um mês após  o acidente. Em casa, o radialista Oeste Capital FM já traça metas para o próximo ano – ele quer narrar a estreia do time da cidade na Libertadores de 2017, na Venezuela, em março

Henzel já visitou a rádio onde trabalha em Chapecó, na última semana, mas espera voltar ao trabalho definitivamente no dia 9 de janeiro. Mas, para retomar a rotina de viagens em jogos da Chape, precisa estar 100% clinicamente. Hoje, entre outras escoriações mais leves, o narrador se recupera de fraturas em sete costelas. A expectativa é que elas estejam cicatrizadas até 7 de março, data da primeira partida do time local na Libertadores, contra o Zulia. 

Além da equipe venezuelana, a Chapecoense enfrenta na primeira fase o Lanús, da Argentina, e o Nacional, do Uruguai. O primeiro jogo no Grupo 7 será longe de casa, em Maracaibo, perto da fronteira da Venezuela com a Colômbia. No entanto, depois a previsão é de viagens mais curtas e amenas.  

Daniel Fasolin/UOL
Sobrevivente de tragédia na Colômbia, Rafael Henzel se recupera em Chapecó

"Me perguntaram o que eu espero da Libertadores. Eu disse que só espero que sejam capitais próximas. E aconteceu: Montevidéu e Buenos Aires, que são praticamente nossas vizinhas. Aí tem o time venezuelano, mas só em 7 de março. Tem muito tempo, mais de três meses, até lá já vai estar tudo consolidado, costelas, enfim", comentou Rafael Henzel em entrevista ao UOL Esporte.

"Eu não tive medo nenhum de entrar em voo. Eu sei que, se precisar, eu vou voar com empresas seguras. Agora, se me convidarem para um voo fretado, eu vou pensar duas vezes. Quem sabe essa tragédia mude algumas coisas, em termos de fiscalização. Não é possível que em pleno século 21 as pessoas morram por falta de combustível", acrescentou o jornalista de 43 anos.

Acompanhando o caso Lamia

"A Lamia já estava dentro de um circuito, transportava a Argentina, o próprio Atlético Nacional, o Cerro (Porteño). Não se sabe como. Agora se sabe que ela não tinha autorização. O avião é confortável, o avião é seguro. O que acontece são as pessoas. A aeronave foi uma vítima, mais uma vítima do acidente. Foram os próprios pilotos (os responsáveis)".

"Eu tenho muita confiança na Justiça brasileira e na Justiça colombiana, o que pese a Lamia estar na Bolívia. Pagar, um pagou com a vida. Que possam pagar as indenizações. Graças a Deus eu vou poder voltar a trabalhar amanhã, vou poder dar sustento à minha família, fazer o que eu gosto. Que sejam US$ 165 mil, como estão falando, que venha isso. Não é um conforto, ninguém vai substituir a vida de ninguém, não é um valor que se iguala às vidas. Mas que a Justiça brasileira e a Justiça colombiana juntas possam fazer isso".

Volta ao trabalho terá muita emoção

Rafael Henzel espera estar em condições de trabalhar à frente do microfone da Oeste Capital FM na estreia da Chapecoense na temporada 2017, marcada para 29 de janeiro, contra o Joinville, pela Primeira Liga. O jornalista também deseja estar presente no amistoso da seleção contra a Colômbia, no Rio de Janeiro, cinco dias antes, em partida de homenagem às vítimas de Medelín.

O narrador prevê uma volta ao trabalho com altas doses de emoção:

"Eu nem vejo pelo lado de ser uma atração, de ser um sobrevivente, que está muito ligado à Chapecoense. Pelo simples fato de subir para a sua cabine, onde seu colega costumava estar, olhar para os torcedores, que com certeza vão estar na mesma emoção. Mas é uma coisa que a gente tem que passar. A gente tem que homenagear a todo momento aqueles que se foram".

Reprodução/Facebook
Rafael Henzel (à direita) visitou a Rádio Oeste Capital FM, na última semana

Henzel descarta trabalhar fora de Chapecó

"Eu nem converso sobre isso (possíveis ofertas profissionais). Eu tenho um dever com toda essa comunidade aqui. Seria muito injusto eu deixar uma cidade que me abraçou tanto. Não tenho pretensões políticas, eu acho que seria muito injusto eu deixar Chapecó depois de uma coisa tão grande como essa. Chapecó me fornece o que eu preciso. Nós temos programas, temos o futebol, temos amigos. Não é o caso, nem uma intenção, se vier a acontecer (uma proposta)".

*com Bruno Freitas, em São Paulo

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