Corte suíça dá ganho à Fifa em processo de trabalhadores da Copa-22

Do UOL, em São Paulo

  • EFE

    Trabalhadores imigrantes em obra da Copa de 2022, no Qatar

    Trabalhadores imigrantes em obra da Copa de 2022, no Qatar

A Fifa comunicou nesta sexta-feira que a Justiça da Suíça rejeitou ação de sindicatos de trabalhadores que atuam nas obras para a Copa de 2022, no Qatar.

O processo envolvia representações de sindicatos da Holanda e de Bangladesh, que alegavam violação dos direitos humanos nos serviços de construção dos estádios para o Mundial. Segundo a revista alemã Der Spiegel, mais de 1.200 funcionários morreram em obras do torneio desde 2011.

Em nota oficial, a Fifa agradece à Justiça pela decisão e informa que monitora de perto o trabalho visando à Copa de 2022.

A Fifa complementa que seu presidente Gianni Infantino tem feito contatos regulares com entidades locais para que sejam cumpridas as normas de segurança de trabalho aos empregados na construção civil.

O Qatar tem acordo com 30 países para a obtenção de mão de obra barata. Mais de 5 mil trabalhadores vindos do Nepal, Bangladesh e Índia foram contratados para as obras no país sede da Copa.

Calor e condições insalubres

Apenas nos anos de 2012 e 2013, 964 operários da Índia, Nepal e Bangladesh morreram no Qatar, um total confirmado pelo governo qatariano. Um número significativo de homens morreu no verão, vítimas do calor ou de acidentes de trabalho, levando muitos a se perguntarem como um torneio de futebol pode ser tão importante a ponto de pessoas morrerem por ele.

Em seu quarto, com baratas correndo pelo chão, cerca de três dúzias de homens se reuniram, todos descalços. Os operários discutiam por que os quartos ainda estão lotados, porque os toaletes ainda eram imundos e por que suas refeições não eram satisfatórias. Afinal, a Anistia Internacional tinha publicado as condições miseráveis em novembro. Mas de lá para cá, a situação não melhorou muito. Há apenas três banheiros em um prédio para 100 operários, disse um dos homens.

Outro se queixou de que trabalhadores de ajuda humanitária realizam frequentemente entrevistas, mas nada muda. Um operário do oeste do Nepal disse que estava trabalhando ali desde meados de novembro, mas ainda não tinha recebido seu primeiro contracheque. Os homens foram se tornando mais ruidosos até que Dipak, um supervisor mais velho, pediu para que alguns operários saíssem. Ganesh parou de falar; ele não gostou do fato de alguns de seus colegas terem levantado suas vozes.

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