Decreto não soluciona dívida da Arena do Atlético-PR, diz ex-prefeito

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Bruno Baggio/Site Oficial do Atlético-PR

    Arena da Baixada é pivô de embate jurídico entre Atlético-PR e Prefeitura de Curitiba

    Arena da Baixada é pivô de embate jurídico entre Atlético-PR e Prefeitura de Curitiba

A disputa jurídica entre Prefeitura de Curitiba e Atlético-PR pelo reajuste dos valores da Arena da Baixada continua, mas o Furacão ganhou um fôlego para manter seu patrimônio e seguir pagando as dívidas. Em decreto no final de dezembro de 2016, o ex-prefeito Gustavo Fruet aceitou que os papéis públicos da negociação fossem dados como garantia de pagamento ao financiador.

O decreto número 1342/2016 da Prefeitura de Curitiba, assinado pelo ex-prefeito e divulgado nesta segunda-feira (9), não resolve a pendência jurídica entre o Atlético e a própria Prefeitura quanto à diferença de valores entre o projeto inicial e o valor final da obra da Arena da Baixada, no chamado acordo "tripartite".

É o que Fruet afirmou com exclusividade ao UOL Esporte. "Nós apenas autorizamos que o valor da venda siga direto para a Agência Fomento Paraná, e não mais para o clube. O que muda é que agora a agência tem isso como garantia, seja para amanhã ou para 20 anos. O crédito é deles, pode não ter liquidez, mas é deles".

Na prática, os papéis agora são a garantia de que a financiadora estadual da obra para a Copa de 2014 terá fundos a receber. Para o Atlético-PR, não deixa de ser um alívio financeiro, uma vez que as garantias principais em execução eram o CT do Caju e a própria Arena. Mas a diferença entre os R$ 193 milhões iniciais (valor já corrigido) e os R$ 391 milhões finais da obra segue em discussão na Justiça.

Gustavo Fruet negou que tenha assinado o decreto por pressão ou feito isso no final do mandato por motivos eleitorais. "Eu assinei decretos até a última semana. Declaramos uma área de conservação em nome de Thereza Urban. Isso da Arena foi discutido antes das eleições. Nós lançamos a primeira parcela de papéis no mercado, esse valor não foi vendido. Houve uma queda de investimento no setor. O primeiro lote vendido foi de apenas R$ 33 milhões".

Com o decreto, a agência tem a garantia de que irá receber os R$ 160 milhões restantes do primeiro orçamento, mas a diferença de valores segue em discussão judicial. "O Atlético tem a tese de que o custo era tripartite, eu defendia que não. Essa é outra discussão, vai muito tempo ainda. O Atlético alega que a Prefeitura e o Estado deveriam cobrir a diferença. Eles fizeram uma auditoria e entraram outras obras que não entravam no projeto original. Algumas por exigência da Fifa, outras não, como o teto retrátil", contou Fruet.

O ex-prefeito ainda afirmou que a Prefeitura de Curitiba tem outras duas ações contra o clube. "Uma pedindo a devolução dos valores da desapropriação dos terrenos, que está em juízo. E nós também fizemos uma estrutura dentro da Arena, para atender imprensa. Não recebemos".

Fruet ainda aproveitou para criticar o governador do Paraná, Beto Richa, com quem não teve boa relação durante os quatro anos de mandato. "Curitiba foi a única sede de Copa que cobriu todas as obras planejadas. Entramos também contra o Estado, que não completou o pagamento da parte da Copa. Bancamos a obra da Praça Afonso Botelho, da Ponte Estaiada, e não recebemos R$ 16 milhões".

Representantes do novo prefeito de Curitiba, Rafael Greca, já estiveram em encontros com o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia, para a sequência da discussão do tema. Procurado pela reportagem, Greca - que está em tratamento médico - disse através de assessoria que "ainda irá tomar conhecimento da situação".

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