Fla se reúne com organizadas e cobra nova postura em Libertadores e Arena

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Pedro Ivo Almeida / UOL Esporte

    Bandeira (centro) posa para fotos ao lado de membros de organizadas do Fla

    Bandeira (centro) posa para fotos ao lado de membros de organizadas do Fla

Apesar de manter a posição de não estabelecer nenhum tipo de relação oficial e comercial com suas torcidas organizadas, o Flamengo topou se reunir com as principais lideranças rubro-negras das arquibancadas na tarde desta terça-feira (10). Em evento realizado em um hotel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, a alta cúpula do clube debateu com dezenas de representantes a relação time-torcida para a temporada que se inicia.

Diante de uma apresentação do departamento jurídico do clube sobre as punições recentes sofridas pela equipe, a diretoria pediu uma nova postura das organizadas nas arquibancadas, especialmente nos jogos da Copa Libertadores e nas partidas realizadas na Arena da Ilha – nova casa do Flamengo.

"Pensamos em ter um estádio com a arquibancada o mais próximo possível do campo, mas temos que usar isso a nosso favor. Se seremos pressionados nos jogos fora do país, temos que pressionar aqui também. Mas sempre lembrando no clube. Isso não pode nos prejudicar. A Conmebol está aí, punindo a todo instante. Um deslize e teremos um grande prejuízo", explicou o CEO do clube, Fred Luz.

O advogado do clube Rodrigo Martins Frangelli fez um alerta ainda mais específico. "Vocês precisam estar muito atentos à questão do racismo. É a punição 'da moda' na Conmebol. Não podemos dar mole".

Também presente ao encontro, o presidente Eduardo Bandeira de Mello elogiou a ideia das organizadas de promover o evento. Ainda assim, foi firme ao endossar a cobrança por um melhor comportamento nas arquibancadas e destacou que o clube seguirá sem qualquer compromisso de "patrocinar" as torcidas.

"Queríamos realmente passar esse recado, essa cartilha a eles, alertar os riscos que o comportamento deles traz. Fiquei realmente surpreso porque o evento foi organizado por eles, muito agradável. Mas isso seguirá com eles. Não temos que patrocinar a torcida ou eventos. Eles precisam representar um movimento independente. Mas acho que eles entenderam isso e mudaram a conversa. Hoje, por exemplo, não fizeram nenhum tipo de ajuda. Discutiram apenas o interesse do clube. Estão começando a entender que o movimento nas arquibancadas precisa mudar, assim como o clube, e apresentaram uma disposição para se enquadrar nisso", falou Bandeira.

Além do presidente, do CEO e de membros do jurídico, a conversa contou com a presença do diretor executivo de futebol Rodrigo Caetano, e dos atletas Juan e Alex Muralha.

"Já temos muitos adversários pelos campos e fora dele. A nossa torcida tem que estar ao nosso lado", frisou Caetano.

"Acho que a cabeça realmente mudou. Ano passado mesmo, no período ruim do time, as organizadas foram ao Centro de Treinamento apenas para apoiar e conversar. Isso nos surpreendeu. Que a relação melhore ainda mais. Vocês podem ter certezas que traremos grandes resultados em 2017", prometeu o zagueiro Juan.

Pedro Ivo Almeida / UOL Esporte

Por fim, o presidente Bandeira de Mello e o CEO Fred Luz aproveitaram o encontro para explicar o impasse com o Maracanã aos torcedores, que pediam o time atuando no estádio.

"Vocês podem ter certeza que estamos fazendo o melhor pelo clube. Cobramos o que achamos o melhor. Não vamos aceitar ou atuar lá com um grupo que comprovadamente tem problemas. Enquanto não definimos isso, temos a Arena da Ilha. Seguiremos brigando para estar na administração do estádio", disse Luz. "Eles entenderam os nossos motivos, estarão ao nosso lado nessa", finalizou Bandeira de Mello.

Representante da organizada Raça Rubro-Negra e um dos líderes do evento, Luiz Frederico Schuh, o "Lula", resumiu o sentimento dos torcedores após o evento.

"Estávamos preocupados com a nossa imagem. O futebol está mudando, o país, o nosso clube também. E nós não podemos ficar para trás. Pela manhã, fizemos um encontro só nosso, lavamos a roupa suja e entendemos que é hora de nos unirmos. À tarde escutamos a diretoria. É um novo momento para as organizadas. Não lembro de um clube sentando para dialogar com seus torcedores em um seminário oficial. Queremos dar um novo passo. Chega de problema com polícia ou tribunal esportivo".

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