Galã e ex-colega medíocre de Zidane. Ele tenta ser rei no futebol na África

Bruno Freitas

Do UOL, em São Paulo

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    Técnico Hervé Renard - sem a famosa camisa branca - na festa do título africano de 2015

    Técnico Hervé Renard - sem a famosa camisa branca - na festa do título africano de 2015

Em uma época de Guardiola, Mourinho e Simeone, o nome de Hervé Renard chega aos fãs de futebol pelo mundo como algo ainda meio desconhecido. A exceção é a África, onde o francês de 48 anos é o mais badalado treinador do continente há algum tempo. Galã, cheio de manias e com a lembrança de ter sido um companheiro de time medíocre do craque Zidane, o atual comandante de Marrocos pode se tornar o maior treinador da história da Copa Africana de Nações, que começa neste sábado, no Gabão.

Campeão com a Zâmbia em 2012 e com Costa do Marfim, em 2015, Renard pode se tornar o primeiro técnico da história a vencer a Copa Africana por três países diferentes. Apelidado no continente de "o mago branco", o francês que tem como ídolo José Mourinho e espera atingir a façanha para seguir o caminho de carreira que tanto sonha: ir para o futebol europeu.
 
"Ele foi campeão na África com a Zâmbia. É algo como ser campeão com o Leicester na Inglaterra. Mas poucas pessoas na França levaram isso a sério, por ser na África", comentou Eric Frosio, correspondente do jornal L'Equipe no Brasil.

Reprodução/Libération

"Na França existe uma percepção meio misturada sobre ele, pelo aspecto físico, pela maneira como se comporta no banco de reservas, por ser moderno. Ele quebrou algumas regras de comportamento quando dirigiu Sochaux e Lille, por ser bonitão, pelo tom de suas entrevistas coletivas. Metade adora ele, a outra metade detesta", acrescentou o jornalista.

Depois de deixar o futebol como jogador, Renard trabalhou oito anos na França como dono de uma empresa de coleta de lixo. Em 2004, voltou ao esporte graças ao convite para trabalhar com seu mentor, Claude Le Roy, na 4ª divisão inglesa. A dupla acabou em Gana, no início da aventura africana do treinador. Depois disso, além de passagens breves por times franceses, "o mago branco" começou a virar um ícone na África perambulando por seleções do continente.
 

Moda excêntrica e romance badalado com viúva de treinador

No mundo do futebol, Hervé Renard preserva um visual fixo: camisas brancas de mangas compridas e calças azuis. O francês jura que não se trata de superstição, apenas uma maneira pessoal de criar uma marca à beira do campo. "Eu sempre senti que eu pareceria um pouco formal e muito sério se me vestisse rigorosamente igual aos outros treinadores", justificou o comandante de Marrocos.

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Técnico Bruno Metsu, morto em 2013, e sua mulher, Viviane Awa Dièye - hoje a senegalesa é a paixão de Hervé Renard

Na esfera pessoal, Renard manteve por muitos anos a reputação de galanteador, com conquistas diversas. "Eu posso ou não ser o solteiro mais qualificado do mercado. Prefiro manter minha vida de forma privada", disparou o técnico em uma entrevista à imprensa de seu país.

Mas a vida sentimental do treinador das camisas brancas passou por uma guinada recente, com o envolvimento com a senegalesa Viviane Awa Dièye. Viúva do francês Bruno Metsu, técnico de Senegal na Copa de 2002, a nova paixão de Renard é tida como uma das mulheres mais bonitas de seu país.

A imprensa de Senegal trata o romance como um "caso verdadeiro de amor". Elogiada pela coragem durante a árdua luta de Metsu contra o câncer, Viviane tem se esforçado para manter a discrição na relação com Renard, em nome dos filhos que teve em seu casamento.

Ele viu Zidane surgir no Cannes: "caráter impulsivo"

Hervé Renard chegou ao AS Cannes aos 15 anos de idade, em 1983, época em que as categorias de base do clube eram dirigidas por Arsène Wenger, hoje técnico do Arsenal. O futuro treinador permaneceu no time da Côte d'Azur até 1992 e teve a oportunidade de assistir ao desabrochar de Zidane como jogador profissional.

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Zidane, ainda cabeludo, na época do Cannes

"Eu particularmente testemunhei a progressão de Zinedine Zidane. Eu era jogador do Cannes quando ele apareceu como um novato, joguei ao lado dele em sua partida de estreia. Ele tinha um caráter impulsivo, que foi traduzido mais tarde no episódio com o Materazzi. Só para dizer que disciplina é importante na evolução de um jogador", comentou Renard, em uma entrevista recente.

Depois do Cannes, o atual técnico de Marrocos passou por equipes modestas, como Stade Vallauris e Draguignan, até se aposentar, em 1998. Renard também figurou na seleção sub-17 da França em sua juventude. Mas, em seu país, é considerado um ex-jogador de carreira medíocre.

O maior técnico da história na Copa Africana?
Getty Images

Somente dois treinadores venceram o torneio de seleções da África em três oportunidades: Charles Gyamfi (com Gana, em 1963, 1965 e 1982) e Hassan Shehata (com o Egito, em 2006, 2008 e 2010). Hervé Renard quer entrar nesse time e, de quebra, ter o diferencial de fazer isso por países distintos.

"Nós queremos fazer isso, mas é mais fácil dizer do que fazer", declarou o técnico francês em uma coletiva na preparação para a Copa Africana. "O fato é que eu tive muito sucesso nos últimos anos, e isso faz as pessoas acharem que eu sozinho posso fazer a diferença. Mas isso não importa, o que importa é o espírito do time e a maneira que ele encara as partidas", acrescentou.  

Marrocos só ganhou a Copa Africana de Nações em uma única oportunidade, em 1976. Desta vez, mesmo com o trunfo de Renard no banco, a equipe terá dificuldades, em razão das baixas de nomes como Younes Belhanda, Oussama Tannane, Nordin Amrabat e Sofiane Boufal – todos por lesão. Para piorar, o grupo da primeira fase não é dos mais fáceis, com Costa do Marfim, República Democrática do Congo e Togo como adversários.

Mesmo com dificuldades aparentes na tentativa do tri, o estilo Hervé Renard deverá estar em evidência.

"Ele passa uma imagem de ser um pouco metido, fala coisas muito diretas. O Didier Deschamps, técnico da seleção francesa, pode dar uma coletiva de uma hora e não fala nada que importe. Já o Renard é diferente. Pode reclamar publicamente do comportamento do seu capitão, do torcedor do time, coisas que às vezes não agradam aos dirigentes", disse Eric Frosio, do L'Equipe.

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