Presidente corintiano prefere silêncio e sessão de impeachment é cancelada

Dassler Marques e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

Agendada para terça-feira, a sessão para oitiva de testemunhas do processo de impeachment do Corinthians foi cancelada por Sérgio Alvarenga, presidente da comissão de ética. O motivo apresentado por ele a conselheiros foi a opção de Roberto de Andrade por silêncio. 

Conforme publicado sobre a sessão da semana passada, a primeira testemunha, Sérgio Dias, ligado ao fundo de administração da Arena Corinthians, recebeu uma avalanche de perguntas feitas por conselheiros. Por isso, conforme atestou o diretor jurídico corintiano Luiz Alberto Bussab, a opção de Roberto de Andrade não dar depoimento. Quatro testemunhas, na terça-feira passada, já não haviam falado. 

"Na última semana, não estava previsto e cerca de 20 conselheiros fizeram uma inquisição à testemunha", explicou Bussab. "Resolvemos abrir mão das testemunhas para abreviar o processo. A prova documental que existe no processo é suficiente para absolvição. São mais fortes que o depoimento da testemunha, que no caso do Roberto seria uma testemunha. São provas robustas", concluiu o advogado. 

Bussab explicou ainda que, como o episódio foi alvo de inquérito aberto na Polícia Civil, a pedido do conselheiro Romeu Tuma Júnior, o próprio depoimento de Roberto de Andrade foi anexado ao processo. "Qualquer coisa fora isso é desnecessária", resumiu. 

A prova documental enviada por Roberto de Andrade é uma série de e-mails que, segundo sua defesa, atestam que ata referente à Arena Corinthians foi assinada apenas em abril. O processo de impeachment foi aberto depois que se atestou que, conforme as datas dos documentos, Roberto teria assinado antes de se tornar presidente, no início de fevereiro. Ele sustenta, por meio dessas mensagens, que só teve os papéis em mão para colocar sua firma dois meses depois. 

Com o cancelamento das oitivas de testemunhas, a Comissão de Ética enviará seu parecer a Guilherme Strenger, presidente do Conselho Deliberativo, para que seja finalizado o processo e encaminhado para votação dos conselheiros. A previsão é que isso ocorra em março e, de acordo com o diretor jurídico do clube, Roberto de Andrade falará aos presentes neste dia para expor sua versão dos fatos. 

Oposição reclama

"O último lugar do mundo para encontrá-lo é no Corinthians. Ou está em Alphaville ou em Miami ou na concessionária onde trabalha. Agora resolveu fugir do próprio depoimento no processo de impeachment. Que vergonha!", reclamou o conselheiro Osmar Stábile. 

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